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Siderurgia & Mineração

Fracassa o ‘divórcio’ entre a Vale e a CSN

Falhou ontem a segunda tentativa de pôr um ponto final no cruzamento de participações entre a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Os sócios controladores das empresas passaram a tarde reunidos, mas não conseguiram chegar a uma conclusão porque, segundo três das partes envolvidas, "há discordância quanto a alguns números". O teor dos "números" foi mantido em sigilo e o nó entre as empresas continua atado.

O descruzamento consiste na saída da CSN do bloco controlador da Vale, ao mesmo tempo em que outros três sócios da CSN (Bradespar, Previ e Bank of America) se retirariam, deixando o capital nas mãos do Grupo Vicunha, do empresário Benjamin Steinbruch. Para sair da Vale, a CSN vai vender suas ações ao grupo formado por Previ, Bradespar e Bank of America. E este venderá suas ações da CSN ao Grupo Vicunha. Desse modo, o Grupo Vicunha será dono da CSN e o outro será dono da Vale.

Segundo representantes do grupo Bradespar/Bank of America/Previ, Steinbruch ainda não elegeu as garantias que apresentará para tomar um empréstimo de US$ 300 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro servirá para a compra das ações da CSN. Mas o BNDES exige que o Grupo Vicunha se comprometa a não vender a siderúrgica depois de descruzado o capital. Por isso, exige uma garantia, ainda não apresentada.

Recursos - Além do dinheiro do BNDES, o Grupo Vicunha tomará outros US$ 300 milhões para financiar o descruzamento de participações. Parte do dinheiro virá do Bradesco e da Previ e parte do mercado de capitais - onde a empresa pretende emitir debêntures. Há ainda a possibilidade de o Vicunha usar dividendos da própria CSN, mas essa alternativa é considerada remota.

Como o nó não foi desatado, espera-se para os próximos dias o comunicado de um Fato Relevante explicando o que está acontecendo. Os sócios negociam o descruzamento há mais de um ano, mas os detalhes só entraram na pauta em maio passado. De concreto, há um único fato desde então: a substituição de Steinbruch pelo executivo Roger Agnelli, representante da Bradespar, na presidência do Conselho de Administração da Valepar, holding que controla a Vale.

O descruzamento é necessário porque o setor de mineração é um dos eleitos pelo governo para ser reestruturado. Segundo a política industrial vigente, as principais empresas nacionais dos setores escolhidos não podem ser vendidas a grupos estrangeiros. Embora não guarde nenhuma relação com tal premissa, os sócios da Vale do Rio Doce argumentam que não há motivo para que a CSN seja dona da companhia depois que ela for reestruturada. Eles dizem que há conflito de interesses, já que a mineradora vende matéria-prima à siderúrgica.

Fonte: Jornal do Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 08/09/2000