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Mecânica, Metalurgia & Materiais

Motor da Tritec vai para o exterior

O município de Campo Largo, com 84 mil habitantes, a 32 quilômetros de Curitiba, já foi conhecido como 'Capital da Louça', por concentrar grande quantidade de fábricas de porcelana de mesa. De 1998 para cá, esse perfil ganhou novos contornos, com a integração da cidade ao pólo automotivo gestado pelo governo do Paraná. A chegada das montadoras à Região Metropolitana de Curitiba trouxe importantes fornecedores e, além destes, indústrias voltadas exclusivamente à exportação.

A Tritec Motors Ltda. deu seus primeiros passos em Campo Largo em dezembro de 1997, quando se firmou o protocolo de intenções com o governo estadual. A empresa nasceu forte. Trata-se de uma joint venture criada em parceria pela DaimlerChrysler e a BMW AG, cabendo a cada uma um investimento de US$ 500 milhões. A Tritec, que ganhou do Estado um terreno de 1,2 milhão de metros quadrados, ocupa uma área construída de 40 mil metros quadrados, onde trabalham, atualmente, 500 funcionários, a maioria recrutada na própria cidade.

'A mão-de-obra farta, de bom grau de escolaridade, o que permite treinamento rápido e eficaz, foi um dos fatores que pesaram em nossa escolha pelo Paraná ', conta José Roberto Rodrigues, diretor de Relações Governamentais da Tritec. É claro que outros fatores foram determinantes, a começar pelos benefícios fiscais concedidos pelo regime automotivo. Outro ponto foi a decisão da Chrysler de se estabelecer em Campo Largo. 'Estarmos junto da Chrysler é de nosso interesse, pois há uma sinergia entre nós', diz Rodrigues, para quem a vizinhança ao Mercosul é importante estrategicamente. Com isso, o Paraná ganhou a corrida do México e da Turquia, cujos governos também trabalharam para atrair a Tritec.

Concebida para ser exportadora, a fábrica tem desenvolvido, por enquanto, motores 1.6. Já foram montados 250 deles, que fazem rodar o Mini, da BMW, na Inglaterra, e o Neon, da Chrysler, nos Estados Unidos. Segundo Rodrigues, a empresa avalia o mercado nacional com a devida cautela, pois no momento a relação pessoas/veículo no Brasil ainda é baixa, de 2,7 por unidade. A expectativa é incrementar os testes e chegar ao final de 2002 ou início de 2003 com plena capacidade, produzindo também motores 1.4. Nessa fase a Tritec estará produzindo 400 mil motores/ano, possibilitando a ocupação de mil postos de trabalho.

Até lá, a empresa cuida de reduzir custos e terceirizou os setores de suprimentos, segurança e o refeitório. Ajustada aos novos tempos, a Tritec procura orientar a criação depostos de trabalho unicamente para a finalidade para a qual foi criada. Mas isso não significa desemprego. Empresas de Campo Largo e Curitiba cobrem os setores liberados ao mercado.

Mas nem tudo são flores. A proximidade do porto de Paranaguá, a pouco mais de 130 quilômetros de Campo Largo, pesou bastante na decisão da DaimlerChrysler e da BMW de erguer a fábrica no Paraná. A infra-estrutura portuária, porém, não correspondeu às expectativas. 'O porto de Paranaguá foi construído com finalidade basicamente graneleira, e, com o novo perfil econômico do Paraná, precisa urgentemente ser modernizado', atesta o diretor da Tritec. Rodrigues informa que as indústrias e o governo ainda não chegaram a 'nenhuma conclusão' sobre o futuro do porto de Paranaguá. A novidade pode ser a instalação de um terminal exportador na Ponta do Félix, no porto de Antonina.

Fonte: Gazeta Mercantil
Seção: Mecânica, Metalurgia & Materiais
Publicação: 30/05/2000