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CSN Cimento inicia operação em 2006

O mais novo negócio do empresário Benjamin Steinbruch, principal acionista e presidente da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), está quase pronto para sair do forno. A fábrica de cimento que a CSN planeja há cerca de um ano só depende de negociações finais para determinar o local de sua instalação.

A empresa faz os últimos arremates com a prefeitura de Volta Redonda (RJ). O projeto, inicialmente, se limitará a uma unidade de moagem. A principal matéria-prima do produto que pretende fabricar - cimento CP-III - é a escória (resíduo) resultante da produção de aço que sai dos altos-fornos da siderúrgica.

'Há outras alternativas de locais que ainda analisamos caso não se tenha uma acolhida da cidade de Volta Redonda ', diz Marcos Paim, executivo escalado para ser o diretor-geral da CSN Cimentos. As opções são Barra Mansa, município vizinho de Volta Redonda, e o porto de Sepetiba, em Itaguaí.

'Nosso objetivo, na primeira fase, é garantir 5% do mercado da região Sudeste', afirma Paim, que traz uma experiência de dois anos na Lafarge, grupo francês fabricante de cimento que atua no Brasil. O executivo quer usar também sua vivência no ramo de varejo de combustíveis durante dez anos na Shell, onde ocupou vários cargos.

Paim disse que a CSN chega nesse setor para competir com um produto top de linha e com forte atuação no mercado varejista. O foco será consumidores nos Estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Essa região é responsável por mais de 50% do consumo total do país, que somou quase 35 milhões toneladas em 2004.

Nesse mercado, a empresa vai competir com gigantes locais, como Votorantim, dona de 40% do mercado, e estrangeiras aqui presentes - Lafarge e Holcim. 'Nosso alvo será 87% a 90% o pequeno consumidor (auto-construtor) e 10% a 13% construtoras, concreteiras e fabricantes de pré-moldados', destacou Paim.

O empreendimento será montado em duas fases. A primeira, com investimento de US$ 42 milhões, envolve a montagem de uma unidade de moagem que usará clínquer (calcário beneficiado) importado e escória de alto-forno siderúrgico. A composição será de 70% de escória, 20% clínquer e 10% calcário puro e gesso.

A área de cimentos vai usar cerca de 700 mil toneladas de escória geradas na usina da CSN, volume que até agora é vendido para a Votorantim Cimentos. Um outro tanto é destinado para uma fábrica da Cimento Tupi, do grupo CP Cimento, cujo contrato de venda vigora até 2010, segundo Paim. A CP Cimento diz que vai até 2011.

A importação de cerca de 300 mil toneladas de clínquer, diz Paim, já está encaminhada. Há fontes fornecedoras na Turquia, Grécia, sudoeste da Ásia e até China. Nessa etapa, afirma, não justifica montar uma instalação de produção de clínquer, que requer uma escala mínima de 600 mil toneladas ao ano. O clínquer é vendido, valor FOB, por cerca de US$ 20 a US$ 22 a tonelada no mercado. O que encarece bastante é o frete. O desembarque será em instalações da CSN no porto de Sepetiba.

Essa etapa, segundo Paim, deverá estar concluída e em produção comercial antes do fim de 2006, com capacidade de 1,1 milhão de toneladas ao ano de cimento.

A perspectiva de faturamento bruto para essa fase é de US$ 100 milhões ao ano (inclui frete e impostos). 'Atualmente, a tonelada de cimento é vendida no país a US$ 65, mas o preço típico situa-se na faixa de US$ 75.'

A segunda fase do projeto, que busca adicionar valor a todos seus ativos - no caso, à escória -, além do minério de ferro de Casa de Pedra, prevê mais que dobrar a produção. 'Devemos alcançar um patamar de 2,5 milhões de toneladas.' Para isso, Paim computa a escória que hoje é vendida à Tupi: são outras 700 mil toneladas por ano.

Para essa etapa, está desenhada a instalação da fábrica de clínquer ao lado da moagem, que será ampliada. Uma instalação padrão, de 600 mil a 800 mil toneladas por ano, requer investimentos de US$ 120 milhões a US$ 150 milhões, informou o executivo.

Apesar de o mercado nacional de cimento vir remando contra a maré nos últimos anos, Paim acredita que o negócio é promissor e que a CSN vai se posicionar bem nesse setor. O consumo no país caiu de 40 milhões de toneladas em 1999 para pouco mais de 34 milhões em 2004.

O executivo diz que o setor tem fábricas com ociosidade entre 35% e 40%, sem considerar novas empresas, que fazem 2 milhões de toneladas ao ano. 'Vamos chegar com know-how de última geração e com zero de impacto ambiental.'

Seus planos vão além no médio e longo prazos. 'Se a CSN fizer expansão na usina de aço e construir nova siderúrgica em Itaguaí, vamos ter outro tanto de escória, o que nos permitirá chegar a 5 milhões ou até 6 milhões de toneladas de cimento por ano.'

A empresa conta com outra vantagem: é dona de uma mina de calcário, matéria-prima do clínquer, cujas reservas vão além de 100 milhões de toneladas em Arcos (MG).

Fonte: Carplace
Seção: Especial
Publicação: 21/07/2005