Atenção
Fechar'Foi mais de um ano de negociação', conta Oswaldo José Delfim, gerente de engenharia da HBL. Segundo o executivo, nesse período a companhia teve que responder um questionário de mais de 400 perguntas técnicas, visitar as instalações da companhia canadense e receber os técnicos da Syncrude no Brasil para vencer uma concorrência com indústrias da Austrália e da África do Sul, dentre outros.
A peneira já está em fase de montagem e deve seguir de navio para o Canadá em junho. A previsão de chegada é de 45 dias, no início do verão no país, já que sua instalação seria impossível no inverno que aflige o Estado canadense de Alberta, com temperaturas de 40 graus negativos.
O frio intenso também exigiu que o equipamento fosse construído com chapas de aço de ligas especiais importadas da Alemanha, preparadas para resistir a temperaturas muito baixas.
A Syncrude explora petróleo a partir da areia betuminosa, uma mistura de areia com petróleo bruto. A empresa retira a areia a céu aberto e injeta água para formar uma pasta. O composto passar pela peneira para filtrar pequenos pedaços de areia aglomerada ou congelada. Em seguida, a pasta vai para uma centrífuga onde a água, a areia e o petróleo são separados.
Atualmente, a areia betuminosa representa 20% da produção de petróleo do Canadá. A previsão é de que até 2010 sejam investidos US$ 3,7 bilhões no país para aumentar esse percentual para 35%.
Com capacidade para 10 mil toneladas por hora, a peneira vai permitir à Syncrude uma produção diária de cerca de 250 mil barris de petróleo por dia, o que representa um faturamento diário acima de US$ 9 milhões.
A venda da peneira faz parte da estratégia da HBL de encontrar novos mercados para seus produtos. A companhia já produzia o equipamento para o setor de mineração, mas esta é sua primeira incursão na área de petróleo.
Agora, a empresa quer fazer o caminho inverso e convencer seus clientes no setor de mineração a trocar suas peneiras atuais por equipamentos maiores. 'A idéia é mostrar que eles podem trabalhar com menos linhas de maior porte, ganhando melhor qualidade de processamento em menos tempo, além de ter um ganho de layout que gera economia nos custos do projeto da planta', diz Adrian Norberto Gamburgo, diretor-geral da HBL.
O executivo acredita que a filial brasileira pode ganhar mercado no exterior, já que a matriz alemã definiu áreas de competência para cada unidade. Como a HBL desenvolveu a peneira gigante localmente, credenciou-se para ser a base de exportação do grupo para o resto do mundo para esse tipo de equipamento.
No ano passado, as exportações da companhia responderam por 20% do faturamento de R$ 30 milhões. As vendas, porém, ficaram restritas ao Mercosul e Peru.
Fonte: Carplace
Seção: Mecânica, Metalurgia & Materiais
Publicação: 20/02/2003