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Siderurgia & Mineração

Cosipa comemora 40 anos de produção, com inovações

Com entrada em operação em 1963, quando foi inaugurada a Laminação a Quente, a primeira área produtiva da empresa, a Cosipa completa 40 anos de operação em 2003. A empresa relembra não apenas quando foi concebida, em 1953, como a segunda usina de aços planos para impulsionar o emergente processo de industrialização brasileira nos anos 50, como também comemora outro evento memorável: graças à implantação de sua nova Aciaria, em dezembro de 2001,a empresa pôde também implantar um complexo de fusão e refino do aço adquirido da Voest Alpine (VAI). Com o processo, a siderúrgica tornou-se a segunda empresa brasileira do setor a exportar know how.

O fato marcante na história recente da Cosipa, segundo o seu presidente, Omar Silva Júnior, ocorreu por meio de uma parceria inédita entre a Cosipa e a VAI – uma das maiores fornecedoras mundiais de equipamentos siderúrgicos – que permitirá a transferência de tecnologia em lingotamento contínuo à empresa chinesa Nisco Nanjing Ironand Steel Company. O negócio com a China, que atualmente produz cerca de 200 milhões de toneladas/ano de aço, começa a se consolidar em janeiro, quando um grupo de 36 chineses, incluindo técnicos e lideranças nas áreas de metalurgia, operação, automação e manutenção (mecânica, elétrica e hidráulica) desembarca na usina José Bonifácio de Andrada e Silva, em Cubatão.

Eles serão treinados para operar com o que existe de mais avançado na produção de aço, haja vista que tanto a máquina de lingotamento contínuo quanto os demais equipamentos que compõem a Aciaria da usina estão no estado da arte. E foi isso que garantiu à Cosipa o privilégio de assessorar os chineses, depois de vencer empresas da Ásia, Europa e Estados Unidos numa disputada concorrência mundial.

É claro que esta página recente da trajetória da Cosipa (integrante do Sistema Usiminas) tem antecedentes históricos importantes, como lembrou Silva Júnior, principalmente depois da privatização, em agosto de 1993. A partir deste período, a empresa recuperou o seu parque industrial, promoveu uma grande atualização tecnológica e resgatou o passivo ambiental.

Além da formalização de um intercâmbio tecnológico com a Nippon Steel Corporation, criando condições para melhorar a capacitação e o desempenho dos colaboradores, foram feitas obras de extrema importância: modernização do Laminador de Tiras a Frio; reforma do Laminador de Tiras a Quente, dos Altos-Fornos 1 e 2 e de todos os sistemas de despoeiramentos da estação de tratamento, incluindo recirculação das águas das laminações; instalação dos equipamentos de controle ambiental e a implantação dos fornos de recozimento nº 5 da nova Aciaria .

Na Laminação a Frio, os investimentos foram para a reforma total do Laminador de Tiras a Fio, a construção de um novo Recozimento de alta convecção (hidrogênio), a construção de um novo Laminador de Encruamento e a reforma da linha de inspeção nº 2. Com estes investimentos foi possível produzir materiais mais finos (0,38 mm), com menor variação de espessura, com melhor limpeza e planicidade.

Vencidos esses desafios, a usina tornou-se capaz de oferecer aos mercados nacional e internacional 4,5 milhões de toneladas/ano de aço líquido da melhor qualidade, com 100% produzidos em lingotamento contínuo. Sem essa modernização, segundo o presidente, dificilmente seria possível manter a participação entre 32% e 35% que a empresa tem no mercado interno. “Com a automação do Laminador de Tiras a Quente e a reforma do Laminador de Tiras a Frio tivemos uma grande melhoria no controle dimensional, que vai ao encontro das necessidades os clientes”, explicou Marco Paulo Penna Cabral, chefe geral da usina.

Mais recentemente, foi implantado na usina um Degaseificador a Vácuo – RH (Ruhrstahl – Heraeus System), possibilitando à Cosipa entrar no seleto grupo dos fabricantes de IF (interstitial free) – aços ultrabaixo carbono (< 50 ppm) com grande aplicação na indústria automobilística, que exige estampagem profunda. Houve também melhoria na qualidade interna dos laminados a quente e chapas grossas ali processados, em que a capacidade de produção, hoje, da usina é de 1,2 milhão de tonelada/ano.

Reforma da coqueria tem investimento de US$ 80 milhões Na classe dos aços API – produtos top de linha produzidos pela Cosipa – destacam-se as chapas grossas utilizadas, nesse caso, para fabricação de tubos petrolíferos (gases e petróleo) e chapas navais. Com a construção das plataformas submarinas, observa Cabral, uma nova classe de aço (grau 40) está em desenvolvimento para atender este novo mercado.

Na seqüência, vêm os produtos laminados a quente, também API. Entre os produtos laminados a frio, além do material intersticial free, outra linha nobre é a dos aços elétricos de grão não orientado semiprocessados de baixa perda elétrica (2,6 watts/kg). Eles são aplicados em componentes que integram o núcleo dos motores e compressores elétricos ou usados nos transformadores na forma de lâminas de aço. Portanto, os aços elétricos zelam pela inviolabilidade, estabilidade energética e, indiretamente, pelo desempenho eletro-mecânico dos equipamentos.

Atualmente, a Cosipa está voltada para a reforma da Coqueria, cuja conclusão está prevista para 2004. O investimento total é de US$ 80 milhões e visa, basicamente, a recuperação dos fornos existentes. Após a conclusão da obras, haverá um incremento de produção na ordem de 40%.

É a esse conjunto de iniciativas e ao esforço de seus colaboradores, segundo Silva Júnior, que devem ser creditados os bons indicadores de desempenho da Cosipa. Danilo Di Napoli Guzela, gerente de Suporte Técnico da Aciaria, lembra que passados dois meses e meio do início das operações da nova Aciaria, em dezembro de 2001, todos os parâmetros operacionais do lingotamento já tinham sido testados e aprovados, dando condições a que a máquina operasse a plena carga. Foram dez mil corridas no primeiro ano – um recorde na siderurgia brasileira.

Márcio Junqueira, superintendente da Aciaria, observa que houve um salto qualitativo na infra-estrutura operacional. Além de a máquina responder, hoje, por cerca de 50% da produção de aço da usina, dispõe de tecnologia de processo que reduzem ao máximo as trincas e a segregação do material. Por ser de última geração, complementa Cabral, ela dispõe de características construtivas e metalúrgicas para assegurar níveis excelentes de qualidade do produto (homogeneidade e acabamento superficial), graças à uma série de parâmetros que sustentam a continuidade, a produtividade e a eficiência operacional.

Entre eles, destaca-se, a seqüência de corridas, ou seja, quantas corridas a máquina fez sem interromper a produção – para manutenção ou por desconformidade em seu sistema de operação; e número de corridas sem rompimento de veio, etc. A Cosipa também “mudou da água para o vinho”, segundo o presidente, em relação às questões ambientais, que receberam investimentos de US$ 240 milhões, nos últimos anos, em equipamentos de última geração para combater a poluição em todas as etapas do processo industrial (veja tabela).

A prioridade da usina agora, segundo Silva Júnior, é trabalhar para pagar suas dívidas, que se situam ao redor de US$ 1,5 bilhão, sendo 60% de longo prazo e 40% de curto prazo. Os financiamentos dos investimentos efetuados pela Cosipa, nos últimos anos, foram, prioritariamente, realizados com bancos internacionais e em dólar, segundo informou Magno José Gonfiantini, diretor financeiro e de relações com investidores. “A decisão está pautada pelas características intrínsecas do setor siderúrgico, de capital intensivo e de retorno de médio e longo prazos, necessitando, portanto, de prazos longos e taxas adequadas para investir. As fontes, à exceção do BNDES, não são encontradas no Brasil. Daí, portanto, a necessidade de acesso ao mercado internacional”.

Exportações garantem verba para pagar os financiamentos

Outra justificativa, segundo Gonfiantini, é que os órgãos financiadores aceitaram como garantia pelo pagamento dos empréstimos as exportações, cujas receitas em dólar constituem-se numa proteção para o caixa no momento da sua liquidação (hedge financeiro). No momento, a área financeira da Cosipa trabalha para adequar o perfil de sua dívida aos padrões de realização das receitas da empresa, buscando um percentual de curto prazo menor. Neste sentido, estão em andamento, por exemplo, o lançamento de debêntures no valor de R$ 240 milhões, operações externas de pré-pagamento de exportações e Euro Notes já concretizadas.

Com essas adequações somadas ao novo patamar de rentabilidade conquistado pela empresa como decorrência dos investimentos em atualização tecnológica, Gonfiantini considera que as condições para uma gradual e efetiva redução de dívida estão garantidas. A segunda etapa dessa estratégica fica por conta da boa gestão comercial e consiste na manutenção e até na ampliação, pela Cosipa, do percentual de exportações estimado atualmente em 40% da produção.

Hoje, segundo o presidente, a companhia conta com produtos mais nobres em seu mix, o que torna factível a possibilidade de manter os níveis de rentabilidade esperados. Silva Júnior cita como exemplo as exportações que estão sendo feitas – como teste – para os Estados Unidos e México, de parte da produção de aço IF (com maior valor agregado), que deverá alcançar 300 mil toneladas este ano.

Como os sinais de melhora na economia doméstica também são cada vez mais sólidos, Silva Júnior aposta num crescimento mais significativo da produção brasileira de aço a partir de 2004, quando a siderurgia deverá acompanhar o ritmo de evolução do PIB, estimado em 3%.

A Cosipa produzirá, este ano, 4,2 milhões de toneladas de aço, devendo exportar 900 mil de toneladas. De modo geral, segundo o diretor comercial Renato Vallerini Júnior, as exportações vêm impulsionando as vendas da siderurgia brasileira como um todo. Internamente, o terceiro trimestre foi fraco e no quarto deverá haver uma pequena melhora, mas ainda insuficiente para superar as expectativas de um crescimento do PIB abaixo de 1%. A recuperação maior virá mesmo em 2004, aposta o executivo.

Pelos cálculos de Vallerini, o mercado interno terá, em 2004, uma oferta de 17 milhões de toneladas de aço. Desse volume, nove milhões serão de produtos laminados planos consumidos, principalmente, pela industria automotiva, linha branca e construção civil. O restante seria de aços longos, a maioria destinada à construção civil, na forma de vergalhões, barras, telas, treliças etc.

Elevação do PIB poderá exigir aumento da produção Considerando-se a atual capacidade instalada da indústria siderúrgica brasileira, estimada em 32 milhões de toneladas/ano, e a elevação de 3% do PIB, em 2004, as usinas têm condições de abastecer o mercado normalmente, segundo Vallerini. Mas, se o crescimento se mantiver nesse patamar durante mais dois anos, o setor terá que expandir suas plantas em pelo menos dois elos da cadeia: produção de placas, que hoje lideram a pauta de exportações de produtos siderúrgicos brasileiros; e de produtos transformados.

Neste caso, a laminação ganharia um reforço de investimento, visando ampliar sua capacidade instalada, ao mesmo tempo em que as usinas aumentariam a produção de placas. O objetivo neste último caso é garantir a oferta de semi-acabados (placas) para exportação e abastecimento dos laminadores.

No cenário internacional, explica Vallerini, o setor espera que a China continue demandando produtos siderúrgicos e a reação da economia norte-americana. Por ser um ano eleitoral nos Estados Unidos, diz o diretor comercial da Cosipa, é possível que o governo Bush tome medidas para estimular o crescimento da economia, o que seria muito saudável para a economia mundial.

Se essa hipótese se concretizar, a economia norte-americana tiraria o excesso de compromisso da China, como grande demandante de produtos siderúrgicos mundiais. Os exportadores em geral vêm se beneficiando com a expansão chinesa, mas, no fundo, há um risco de interrupção no fluxo das importações em face de uma eventual mudança no ambiente de negócio na economia asiática.

Daí a expectativa em torno do crescimento da economia norte-americana que começou em outubro. Se essa reação for sustentável, diminuirá o risco a que os exportadores estão expostos, com a balança tendendo mais para a China. Isso porque os Estados Unidos são um grande comprador de aço do Brasil. Em 2002, 28% dos embarques totais de aço brasileiro foram para o mercado norte-americano, sobretudo de semi-acabados que, segundo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), representaram 82% das exportações àquele país. A América do Norte consome 14% das exportações da Cosipa, enquanto a Ásia fica com 64%.

Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 18/12/2003

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