Atenção
FecharDepois de suspender o fornecimento para empresas que dizimam florestas para produzir a partir do minério de ferro, a Vale vai dar mais um passo para ir além das obrigações legais em questão ambiental, no caminho da sustentabilidade. Em vez de apenas desativar a recuperar uma de suas mais antigas minas, a Córrego do Meio, em Sabará, a 30 quilômetros de Belo Horizonte, a mineradora vai transformar seus 660 hectares em centro de pesquisa e conservação da biodiversidade, com possibilidade de produção de até 3 milhões de mudas por ano, além de realizar convênio para a reabilitação de animais e repovoamento.
"É a Arca de Noé botânica", diz o subsecretário de Gestão Ambiental Integrada do Estado de Minas Gerais, Ilmar Bastos Santos. Ele espera que a inovação na destinação de minas esgotadas seja seguida por outras empresas, mas, por enquanto, reconhece que o Estado tem passivos ambientais resultantes, principalmente, de lavras abandonadas sem nenhum cuidado na sua recuperação. "A expectativa é que uma empresa como a Vale possa auxiliar nesse processo de gestão, como já fez suspendendo o fornecimento de minério para produtores de ferro gusa que não comprovam a legalidade da madeira usada nos fornos ou usam mão-de-obra irregular."
A mina de Córrego do Meio foi explorada durante 65 anos e há três foi desativada. Por suas características, tem espécies só encontradas na região, conhecida como quadrilátero ferrífero. Começa com 50 mil exemplares de 50 espécies e deverá, até 2012, gerar inicialmente 1 milhão de mudas anuais. O centro de biodiversidade sede com restaurante e teatro, núcleo de pesquisa, produção de sementes e um histórico, que vai preservar as estruturas usadas pela mina, para visitação.
Silmar Silva, diretor do departamento de ferrosos da Vale, destaca que "é possível transformar uma área de mineração em centro em benefício da biodiversidade". Não é só lavrar e ir embora, mesmo que cumprindo a lei, recuperando as áreas degradadas, observa. "Queremos continuar no município onde atuamos, queremos continuar em contato com a comunidade." O projeto deve receber investimento de R$ 12 milhões.
Fonte: Terra
Seção: Energia, Hidrogênio, Óleo & Gás
Publicação: 24/06/2008