|
A corrosão é o câncer do aço. Ela deteriora
o metal por processos eletroquímicos (reações
de oxi-redução). As presenças de oxigênio
e de umidade provocam a reação, assim como o Dióxido
de Carbono e o Dióxido de Enxofre. Ambientes salinos também
aceleram a ferrugem.
A forma clássica de prevenção da oxidação
foi, por muitos anos, a pintura. Atualmente, aços de maior
valor agregado vêm ganhando mercado. É o caso dos aços
revestidos com zinco, também conhecidos como galvanizados.
Este nome é derivado do cientista italiano Luigi Galvani
(1757-1798). O zinco tem a missão de se “sacrificar”
para proteger o aço. Isso acontece porque o zinco é
mais anódico. É ele que se corrói, originando
uma proteção catódica.
O principal objetivo do processo de galvanização
é impedir o contato do metal base, ou seja, do aço
carbono, com o meio corrosivo.
Existem hoje dois métodos de produção do
aço galvanizado: eletrolítico (EG – electrogalvanizing)
e por imersão a quente (HDG – hot-dip galvanizing).
O primeiro passo de ambos os processos consiste na limpeza do aço.
Para que o acabamento do metal seja perfeito, é preciso que
a superfície esteja limpa, livre de óleos, graxas,
óxido de ferro, casca de solda ou tinta. Por conta disso,
o aço é submetido a etapas de desengraxe, decapagem
e fluxagem, todas intercaladas por lavagens com água corrente
com ph controlado. Inicia-se então o processo de zincagem.
APLICAÇÃO
DE AÇOS GALVANIZADOS
Agrícola: irrigação, coberturas, portões,
tapumes, coxos, bebedouros;
Automobilístico: carroçaria, chassis (ônibus
e caminhão), radiadores, soleiras de portas, capôs,
parte do escapamento, peças de suspensão;
Construção civil: edifícios, galpões
industriais, calhas, tubulações, portões,
janelas, pisos, dutos de ar condicionado, painéis,
divisórias;
Suprimento elétrico: torre de alta tensão, ferragens,
postes, leitos para cabos, eletrocalhas;
Rodoviário: Defensas, postes de sinalização,
painéis, letreiros;
Ferroviário: latarias de vagões, dispositivos
de iluminação, pórticos de sustentação
da linha, parafusos, porcas, suportes e trilhos; |
ELETROLÍTICO
A eletrogalvanização é um processo eletrolítico,
no qual o zinco é transferido de um anodo para a chapa de aço
negativamente carregada. Para tal, utiliza equipamentos eletrointensivos
e aplica-se a camada de zinco em apenas uma das faces da chapa de
aço, controlando a espessura do revestimento por modelo matemático.
A corrente elétrica é uma das principais matérias-prima
do processo eletrolítico. Porém, antes de entrar no
processo ela é convertida de corrente alternada (redes de
distribuição de energia elétrica) para corrente
contínua, com o uso de retificadores. Com a transformação
em corrente contínua é possível separar a parte
positiva e negativa da corrente.
Na parte negativa, são colocadas as peças a serem
beneficiadas.
Na parte positiva, é colocado o metal, que fornecerá
os íons para a solução eletrolítica.
É interessante ressaltar que o aço se dissocia através
da corrente elétrica ou dissolução química
em cátions, carregados positivamente. Esses cátions
ficam dispersos na solução eletrolítica e,
através de reações de oxi-redução,
são convertidos novamente em metal depositado sobre a superfície
da peça. Quanto mais energia é fornecida, maior é
a camada depositada.
IMERSÃO A QUENTE
A chapa de aço é imersa em uma cuba de zinco fundido,
entre 445 °C e 460 °C. Neste momento, o ferro vai reagir
com o zinco, formando quatro camadas que irão compor o revestimento
de proteção. São elas: camada Eta de zinco
quase puro, camada Zela de liga ferro-zinco com 5.8 a 6.2% Fe, camada
Delta de liga ferro-zinco com 7 a 12% Fe, camada Gama muito fina
de liga ferro-zinco com 21 a 28 de Fe.
A fim de que a camada de proteção tenha o mesmo
tempo de formação em toda a chapa, a imersão
deve ser rápida, entre 6 e 7 m/min. Por outro lado, a remoção
deve ser lenta e constante para que o revestimento seja uniforme.
A camada Eta (última) é formada por arraste de material
da superfície do banho, no momento da remoção
da chapa. Recomenda-se velocidade de 1,5 m/min.
VANTAGENS E DESVANTAGENS
PROCESSO |
VANTAGEM |
DESVANTAGEM |
Galvanização
eletrolítica |
Superfície mais lisa e brilhante
Custo menor |
Camada de revestimento menor |
Galvanização
por imersão a quente |
Maior aderência e resistência
à abrasão
Maior uniformidade do revestimento |
Custo alto
|
Fonte:
Manoel Marcos, Superintendente Técnico e de Atendimento da
Armco do Brasil
Ulysses Barbosa Nunes, Gerente de Unidade da Mangels, Divisão
Galvanizados |