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Handbook | Metal & História | História da siderurgia
 

História da siderurgia brasileira

 
No Brasil, a metalurgia do ferro foi iniciada logo após o descobrimento. O padre Anchieta, já em 1554, relatava à Corte Portuguesa, as ocorrências de ferro e prata.
A primeira industrialização do metal foi iniciada em 1587, por Afonso Sardinha, na serra de Cubatão, no rio Jeribatuba, na antiga freguesia de Santo Amaro, perto de São Paulo. 

Em Biraçoiaba ou Araçoiaba, na última década do século XVI, foram construídos dois pequenos fornos para a produção de ferro com o minério extraído do solo brasileiro. A exploração continuou em pequena escala, com a construção de várias forjas catalãs no estado de São Paulo. 

"Quanto ao ferro é certo que dele se fundiu enquanto houve fábrica em Santo Amaro, nas proximidades de São Paulo (as forjas da região de Biraçoiaba): era um ferro brando, mais brando que o de Biscaia, talvez por menos temperado, segundo um papel que consta do Livro Primeiro do Governo do Brasil. Cabe ao menos certa importância histórica ao engenho de Santo Amaro, por ser, cronologicamente, o mais antigo de que há notícia no hemisfério ocidental, embora ao de Jamestown, na Virgínia, se dê comumente essa primazia." [4] 

Entre 1700 e 1756, nas missões jesuítas do Rio Grande do Sul, fabricavam-se cravos, ferraduras e utensílios. Em geral, o ferro era usado para objetivos simples devido à sua baixa qualidade, conforme descrito abaixo.

"O ferro forjado produzido no Brasil, cuja destinação maior seria para utensílios, ferragens e armas de fogo, além de não ultrapassar volume extremamente reduzido, devido à dispersão da população, ainda era de qualidade muito baixa, com alto teor de carbono e de escória, produzindo um ferro quebradiço e pouco maleável, de difícil estiramento." [5]

Em 5 de Janeiro de 1785, um alvará de de D. Maria proibia, de modo terminante, a existência de fábricas no Brasil colônia. Era a febre do ouro que tudo absorvia e exigia a dedicação de todos os recursos ao enriquecimento da metrópole. Somente com a ascenção de D. João ao trono é que foi permitida a instalação de novas fábricas na colônia.

José Vieira Couto, antigo professor de Ciências Naturais em Coimbra, desejava a criação de grandes usinas. Esse também era o pensamento de Manoel Ferreira, este foi o criador da fábrica instalada no morro do Pilar, em 1809, onde construiu-se o primeiro forno realmente "alto" no país e que fundiu gusa líquido em dezembro de 1813.

Em São Paulo, a atividade siderúrgica se reanimou com a instalação de uma fábrica de ferro em Sorocaba.

Foram construídos os fornos de Ipanema e do Morro do Pilar. Dois nomes surgiram nessa época, ligados à siderurgia brasileira: Eschwege e Varnhagen, metalurgistas e geólogos à serviço da Corte de Portugal. Aqui chegaram em 1810.

O primeiro construiu perto de Congonhas do Campo, na "Fábrica de Ferro" de propriedade da sociedade patriótica, organizada pelo Conde de Palma, atual governador das Minas Gerais, um baixo forno tipo sueco (figura 7) e que em 17 de dezembro de 1812 obteve a primeira corrida de gusa no país. Tal fábrica chegou a contar com 8 fornos com 1,5 metros de altura que produziam o ferro gusa.


Figura 7 - Forno sueco do tipo usado por Eschwege

Frederico Luiz Guilherme Varnhagen veio prestar sua colaboração na então denominada "Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema", em Sorocaba, assumindo a sua direção em janeiro de 1815, obtendo a primeira corrida três anos depois.

O engenheiro francês, F. de Monlevade, montou em 1818, um baixo forno em Caeté e, em 1825, uma forja catalã, na fábrica de ferro de São Miguel de Piracicaba.
Com a volta de Varnhagen para a Europa (1821), logo em seguida da de Eschwege, em Maio de 1822, após a declaração de Independência, os fornos da Fazenda da Fábrica, do Morro do Pilar e de Ipanema, gradativamente, foram se extinguindo, deixando de funcionar definitivamente em 1860.

Durante a guerra do Paraguai, os fornos de Ipanema foram reacesos e deram sua contribuição às armas do império, sobre a administração de um militar, Capitão Joaquim Mursa. Em 1895, entretanto, o estabelecimento foi definitivamente fechado.
As políticas econômicas dos governos de 1874 e 1884 fizeram com que as indústrias metalúrgicas e mecânicas regredissem, não podendo mais lutar contra a concorrência dos produtos importados. Os pequenos fornos se apagavam e as forjas primitivas silenciavam; seus produtos não podiam mais competir com a qualidade de o preço dos estrangeiros. A exceção constituiu a criação, em 1848, dos Estaleiros de Ponta da Areia, por Barão de Mauá, que chegou a fundir ferro, bronze e construir navios à vapor e a vela, além de engenhos de cana.

Em 1888, foi fundada a Usina Esperança, sendo instalado um alto forno com capacidade de 6 tonelada por dia. Algum tempo depois, no mesmo ano, foi construído um outro pequeno alto forno com capacidade de 15 toneladas por dia.
Em 1892, a Companhia Forjas e Estaleiros adquiria a fábrica de Monlevade e a completava com martelos-pilões, produzindo em poucos anos, de 3 a 5 toneladas de gusa por dia.

Em 1905 o Brasil possuía 2 alto fornos, dos quais, somento um em atividade, produzindo 2100 toneladas de gusa por ano e cerca de 100 forjas, produzindo 2000 toneladas anuais de ferro em barras.

Somente entre 1917 e 1930 é que se iniciou um novo surto industrial. Foi criada a Companhia Siderúrgica Brasileira, em Sabará, com um alto forno moderno e que mais tarde (1922), transformou-se na Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, instalando um forno Siemens-Martin e laminadores para pequenos perfilados e arame.

Em 1930, a produção brasileira era de apenas 36.000 toneladas de gusa e em 1937 foi reinaugurada a usina de Monlevade, da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira com capacidade inicial de 50.000 toneladas por ano.

Uma comissão de técnicos brasileiros e americanos estudou , em 1939, a instalação de uma usina siderúrgica a coque no país. Surgiu então a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional - de fundamental importância no desenvolvimento da indústria siderúrgica brasileira), através de um acordo entre os dois governos, onde o Brasil se comprometia a exportar 1,5 milhões de toneladas de minério de ferro para os Estados Unidos e Inglaterra por ano. Sua Usina de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, começou a produzir chapas de aço no país, com a utilização de processos tecnologicamente adequados. A produção buscava acompanhar o crescimento do consumo dos produtos planos no mundo todo - mas especialmente na indústria de São Paulo. Volta Redonda produziu, pela primeira vez no Brasil, em abril de 1946, o coque metalúrgico e, em junho do mesmo ano, foram ativados os seus altos-fornos e a aciaria. Se em outros empreendimentos foi quase total a presença dos alunos formados pela escola de Ouro Preto, em Volta Redonda, as posições de destaque foram entregues a graduados da Escola Técnica do Exército, criada em 1932. As laminações começaram a produzir em 1948, consolidando o início da autonomia brasileira na produção de ferro e aço. 


Figura 8 - Acendimento do primeiro forno da CSN

Outra grande indústria criada nesse momento foi a Companhia Vale do Rio Doce. Criada em 1° de junho de 1942, já em 1949 a Vale do Rio Doce era responsável por 80% das exportações brasileiras de minério de ferro. A meta prometida no acordo firmado com os Estados Unidos foi atingida após dez anos de atividade, em 1952, quando o Governo assumiu o controle definitivo do Sistema Operacional da Vale do Rio Doce. Em 1958, iniciava a operação no seu cais, no porto de Vitória, Espírito Santo, que permitia o início da exportação regular de minérios finos e de run of mine (como sai da mina). Naquele ano, foram exportadas 1,5 milhão de toneladas de minérios e, em 1962, já era responsável pela exportação de 6 milhões de toneladas. Ainda em 1967, a Vale do Rio Doce aparecia entre as seis maiores empresas exportadoras do mundo. A CVRD tornou-se, em 1975, a maior exportadora de minério de ferro do mundo, responsável por 16% do mercado transoceânico do produto. Um ano depois, já figurava como a maior geradora de divisas do Brasil, ao atingir um faturamento de US$ 717 milhões com a exportação de seus produtos.

Para atender a demanda do mercado outras importantes indústrias foram criadas no Brasil, tais como, a COSIPA, Usiminas, Aço e Ferro de Vitória, entre outras.

[4] Sérgio Buarque de Holanda - História da civilização Brasileira.
[5] Milton Vargas - História das técnicas e da tecnologia do Brasil.

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