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A origem da Siderurgia perde-se na noite dos tempos, juntamente com a invenção das primeiras armas e implementos agrícolas. Talvez, o primeiro metal tenha surgido, quando pedras de minério de ferro que circundavam fogueiras para aquecer as cavernas do Período Neolítico, foram reduzidas pelo calor e em contato com a madeira carbonizada. Muito provavelmente, o homem primitivo usou, para seus artefatos, pedaços de meteoritos recolhidos pelas tribos seminômades dos desertos da Ásia.
Calcula-se hoje, que o primeiro contato com os metais se deu na era neolítica por volta de 6000 a 4000 anos AC com o uso de óxidos vermelhos (de ferro) em corantes para rituais e práticas funerárias, em decoração e polimento, assim como os minerais azuis e verdes (de cobre) na Mesopotâmia e no Egito. Em Creta pequenas peças de azurite foram também descobertas em algumas habitações. O ouro, a prata e o cobre foram os primeiros metais a serem descobertos, dado que existiam no seu estado nativo. O ouro estava bem distribuído à superfície da Terra e era muito resistente à corrosão, pelo que o seu brilho atraiu a atenção do homem primitivo. Os ornamentos eram uma das múltiplas aplicações deste metal, conforme afirmou Pierre Ducassé
[1] : "Todos os povos da Idade da Pedra Polida (Neolítico) tiveram um embrião de metalurgia. Mas isso não quer dizer que todos tenham tido, desde essa época, conhecimento das técnicas metalúrgicas. Na realidade fizeram uso acidental de metais nativos, especialmente o ouro."
As propriedades do cobre fundido já eram conhecidas por diversas comunidades neolíticas do sudeste da Europa e do oeste da Ásia antes de 5000 A.C.. Nessa época, porém, o cobre era simplesmente submetido ao fogo a céu aberto, o que o tornava apenas mais maleável. Entre 4000 e 3000 A.C., com a utilização de fornos fechados, o cobre pôde ser aquecido até o ponto de fusão, derretido, colocado em moldes de argila ou pedra e martelado até assumir qualquer forma desejada.
Descobriu-se, algum tempo depois, que o acréscimo de pequenas porções de estanho ao cobre criava uma liga metálica de propriedades muito superiores às do cobre puro. Surgiu então o bronze utilizado em ferramentas que começaram a suplantar, lentamente, as de pedra e metais não fundidos.
Na Idade do Bronze dá-se uma revolução tecnológica fundamental. O novo material permitia não só o fabrico de instrumentos agrícolas mais eficientes, como o aparecimento de novos armas de caça e de guerra.
A tecnologia do bronze difundiu-se por toda a Ásia Ocidental e norte da África, pois devido à crescente necessidade de utensílios do novo metal e à raridade de seus componentes, logo se estabeleceram intensas trocas comerciais entre as áreas de extração e os principais centros consumidores.
Ao redor de Ur (Caldéia), cerca de 3500 A.C., foram realizadas escavações onde se encontraram ornamentos e armas de metal fundido e vazado, isto é, praticamente 2000 anos após ter sido encontrado o primeiro artigo em metal toscamente martelado com pedras. Nas ruínas de Ur (na Caldéia), foram encontradas restos de barras de ferro que confirmam a existência de comércio deste metal. No século VI antes de Cristo, Nabucodonosor fez construir os portões de Babilônia com pilares e vigas cobertas de cobre e reforçadas com ferro.
Na China, 2000 A.C., o ferro era trabalhado de forma idêntica ao ouro, prata e cobre, só que tinha a particularidade de ser mais duro. O seu preço era elevado devido à sua raridade. Os povos antigos associavam o ferro a divindades, considerando-o um "enviado do céu". Só mais tarde é que o ferro foi usado com maior abundância quando se descobriu como extraí-lo do seu minério. O ferro começou a ser aquecido em fornos primitivos (figura 1) abaixo do seu ponto de fusão, separando-se a "ganga" (impurezas com menor ponto de fusão), a qual se deslocava para a superfície sendo removida sob a forma de escória, restando a esponja de ferro, a qual era trabalhada na bigorna, obtendo-se as ferramentas e utensílios existentes naquela altura (2500 a 500 AC).
A exploração de jazidas de ferro começou a ser feita com regularidade em torno de 1500 a.C., provavelmente no Oriente Médio, de onde o metal teria sido importado por assírios e egípcios. A primeira referência escrita ao metal consta de uma mensagem dirigida por um imperador hitita ao faraó Ramsés II, no século XIII a.C. Do primeiro milênio da era cristã em diante, o ferro difundiu-se por toda a bacia do Mediterrâneo.

Figura1- Fornos primitivos, com foles manuais, ainda hoje usados na África Central
Acredita-se que o ferro, a princípio, tenha sido obtido por um processo que não chegava a extraí-lo do minério, nem a liquefazê-lo, mas tornava-o maleável. Dessa forma também se fundem outros minérios associados ao de ferro, que se combinam e transformam-se em escória. Em estado incandescente, a escória pode ser separada da massa, o que dá, como produto final, um bolo de ferro. Com o metal desses bolos foram fabricados os primitivos instrumentos de trabalho, como machados, martelos e pontas-de-lança.
O primeiro artigo de ferro manufacturado, que data de 1350 AC, era uma lâmina de punhal encontrada no túmulo do Faraó - Tutankhamon. Este punhal foi encontrado no local de maior importância e destaque do túmulo. O baixo teor de carbono encontrado no ferro conferia-lhe uma grande resistência à corrosão e por isso foram encontrados pregos praticamente intactos usados em navios Vikings que estavam enterrados há mais de 1000 anos. Os utensílios de ferro trabalhado produzidos pelos Hittitas em 3500 AC não eram muito melhores do que o cobre e o bronze. Só quando se desenvolveram técnicas de tratamento térmico do ferro (contendo carbono) é que se conseguiram produtos fortes e resistentes, embora não entendessem o porquê da têmpera. Por exemplo a têmpera foi desenvolvida pelos Gregos e pelos Romanos e os produtos endurecidos tinham múltiplas vantagens que se refletiam nas vitórias militares contribuindo para a edificação de Impérios. Exemplo deste fato foi uma batalha travada cerca de 220 AC entre Romanos e Gauleses em que as espadas Gallic de ferro (às quais não eram aplicados quaisquer tratamentos térmicos) eram muito menos resistentes que as armas dos romanos (estas sim apresentavam tratamentos térmicos dando assim vantagem de combate aos romanos).
Por volta de 400 AC os Gregos desenvolveram um tratamento térmico denominado revenido, que consistia em aquecer o metal a uma temperatura conveniente tornando-o menos frágil. Com a sua aplicação melhoraram a produção de pontas de lanças, chisels e espadas. Deste modo, o ferro tornou-se cada vez mais importante na vida do Homem e na sua Cultura.
"Entre os outros aperfeiçoamentos estavam o acréscimo de um fundente, como a pedra calcária, à mistura de minério e carvão, para absorver as impurezas do minério, a invenção das tenazes e marretas para trabalhar os tarugos de metal e a têmpera dos objetos de metal pelo seu aquecimento até à temperatura adequada com o esfriamento subseqüente pelo mergulho na água."
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Foi na Índia que se deu início à produção de aço. Chamaram-lhe Aço Wootz (processo de carbonização conhecido pelos Egípcios antigos) e era obtido a partir da esponja de ferro produzida num alto forno (séc. XIV). Como a temperatura atingida não permitia a fusão do ferro, esta esponja de ferro era trabalhada com um martelo para expelir os resíduos ; em seguida era colocada entre placas de madeira num cadinho o qual era isolado do ar, posto num forno e coberto de carvão vegetal, dando-se assim a absorção de carbono. Após algumas horas de aquecimento do cadinho o metal era forjado até adquirir a forma de barras.
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