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a) Soldagem
O principal fator a ser considerado na soldagem do cobre é sua elevada
condutividade térmica, que, se for menosprezada, pode levar ao surgimento de
diversos tipos de defeitos de soldagem. Se não forem tomadas medidas
adequadas para contrabalançar o rápido fluxo de calor a partir da solda, não
será possível obter boas características de fusão, dificultando, por exemplo,
a obtenção de plena penetração na raiz da solda e de fusão lateral adequada,
gerando um cordão de solda defeituoso.
À temperatura ambiente a condutividade térmica do cobre é aproximadamente 7
vezes superior à do aço, porém a 1000 ºC, a condutividade do cobre atinge um
valor 10 vezes superior à condutividade do aço na mesma temperatura. Por
esse motivo torna-se essencial o pré-aquecimento do cobre antes da operação
de soldagem, quando a espessura for superior a cerca de 6 mm. As
temperaturas de pré-aquecimento recomendadas variam de 150 a 700 ºC,
dependendo da espessura, do gás de proteção, da corrente de soldagem e do
próprio tipo de processo de soldagem aplicado.
Um elevado valor de
corrente de soldagem não exime o material da necessidade do pré-aquecimento,
embora neste caso o pré-aquecimento necessário possa ser menos intenso. Por
outro lado, uma corrente de soldagem excessiva pode causar turbulência
anormalmente intensa na poça de fusão, levando ao surgimento de defeitos de
soldagem, como poros e trincas. Por esta razão o valor de corrente de
soldagem deve ser ajustado, levando em consideração a espessura do material.
Uma vez estabelecido o valor adequado de corrente de soldagem, define-se o
nível de intensidade do pré-aquecimento de modo a garantir um adequado grau
de penetração na raiz e de fusão lateral, estabelecendo-se assim o tamanho
ideal da poça de fusão para uma dada posição de soldagem.
Outra propriedade
física do cobre que influi bastante nas condições de soldagem é a sua
elevada expansão térmica. Essa expansão provoca o fechamento dos espaços da
raiz à medida que a soldagem prossegue, motivo pelo qual é necessário
calcular corretamente o posicionamento das partes a serem soldadas, levando
em conta essa expansão. De um modo geral uma tolerância da ordem de 15 mm
por m deve ser considerada no caso de juntas geometricamente mais simples,
porém no caso de geometrias mais complexas, além de um cálculo mais preciso,
é necessária a experiência do soldador. Quando a tolerância não é bem
calculada podem ocorrer problemas como distorções, empenamento e, no caso,
de tolerância muito pequena levando ao completo fechamento dos espaços,
penetração incompleta na raiz do cordão de solda. Os efeitos da elevada
contração térmica, que ocorre durante o resfriamento após o término da
operação de soldagem, também devem ser levados em conta, podendo exigir uma
redução artificial na taxa de resfriamento, de modo a permitir que, num
intervalo de tempo adequado, essas tensões possam ser acomodadas.
Os fatores
metalúrgicos que afetam a soldabilidade são aqueles que se manifestam
principalmente durante a soldagem do cobre eletrolítico (ETP), já que na
condição de material deformado esse cobre apresenta partículas de óxido
cuproso distribuídas aleatoriamente, e, portanto, sem efeito significativo
nas propriedades mecânicas, ao passo que na condição de material fundido o
mesmo cobre apresenta segregação dessas partículas nos contornos de grãos,
evidentemente prejudicando as propriedades mecânicas do material. Sendo
assim, o cobre eletrolítico não deve ser soldado em processo autógeno e sim
com metal de adição que contenha poderosos desoxidantes, de modo a garantir
a produção de um cordão de solda isento de óxidos. Na zona termicamente
afetada (ZTA) as temperaturas são elevadas o suficiente para permitir a
dissolução das partículas de óxidos, liberando oxigênio que migra para os
contornos, onde se forma uma rede quase contínua de óxidos durante o
resfriamento. Evidentemente esse processo depende de temperatura e tempo, de
modo que na soldagem do cobre eletrolítico é necessária ma maior rapidez
possível, também para restringir o aquecimento generalizado do componente
que está sendo soldado.
Já a soldagem do cobre
isento de oxigênio (OFHC) e desoxidado com fósforo (DHP e DLP) não apresenta
as mesmas dificuldades encontradas na soldagem do cobre eletrolítico (ETP).
Apesar da presença do fósforo no DHP e no DLP, tanto nesses tipos de cobre
como no OFHC há uma certa tendência de formação de porosidade na poça de
fusão e na ZTA devido à inevitável contaminação atmosférica e pela difusão
de hidrogênio e oxigênio do metal de base para a zona de soldagem. Como
também no caso do ETP, metal de adição com desoxidantes deve ser utilizado
sempre que possível, embora haja aplicações para as quais soldas de boa
qualidade são obtidas no caso do OFHC e DHP/DLP sem o uso de desoxidantes no
metal de adição. Nestes casos a proteção é garantida pelo uso de uma
atmosfera de gases protetores inertes, cujo fluxo deve ser cuidadosamente
observado.
O segredo da soldagem
bem sucedida de ligas de cobre reside basicamente na rapidez e na eficiência.
Demora excessiva na operação de soldagem, temperaturas de pré-aquecimento
desnecessariamente altas, pausas para a remoção de defeitos de soldagem
enquanto o componente ainda está quente e o descuido que permite a oxidação
causada pela atmosfera, deteriorando permanentemente o metal de base e
exaustão dos desoxidantes do metal de adição.
Soldagem TIG de Cobre/Ligas de Cobre
Três tipos de gases
protetores são utilizados na soldagem TIG de cobre e suas ligas: argônio,
hélio e nitrogênio. O hélio é um gás mais comum nos Estados Unidos do que em
outros países, razão pela qual é mais usado naquele país, ao passo que o
argônio é mais usado na Europa, no Brasil e em outros países e regiões. O
nitrogênio é o gás mais barato dos três, porém só permanece inerte em
temperaturas não muito elevadas, e na prática é pouco usado na proteção da
poça de fusão durante a soldagem do cobre e de suas ligas. A quantidade de
oxigênio e de umidade misturados a cada um desses gases protetores deve ser
controlada em níveis muito baixos. O nitrogênio exige que o comprimento do
arco seja de cerca de 12 mm: acima desse valor o arco pode ser extinto e
abaixo ocorre excessiva turbulência na poça de fusão. No caso do argônio e
do hélio o comprimento ideal do arco é bem menor: cerca de 3 mm. Para o
mesmo valor de corrente do arco, o nitrogênio é o gás para o qual a voltagem
do arco, conseqüentemente sua potência e o aporte térmico, são os mais
elevados, sendo cerca de 4 vezes superior aos mesmos valores para o argônio.
No caso do hélio esses valores não são tão elevados como no caso do
nitrogênio, mas mesmo assim atingem o dobro dos mesmos valores obtidos com o
argônio. Entretanto, com menores valores de corrente no arco é mais difícil
iniciar o arco no caso do hélio, devido ao seu maior potencial de ionização.
A soldagem com proteção de nitrogênio é mais complicada devido ao maior
comprimento do arco e à baixa fluidez da poça de fusão (quando comparada á
proteção com hélio ou argônio), que favorece a ocorrência de defeitos de
soldagem, devido ao aprisionamento de gases durante uma solidificação rápida
de uma poça de fusão estreita, como, por exemplo, porosidade.
Na soldagem do cobre
não se utiliza muito misturas gasosas, entretanto, misturas de argônio com
até 30 % de nitrogênio ou hélio oferecem como vantagens o maior aporte
térmico e velocidades de soldagem mais altas, em comparação com o argônio
puro.
Os desoxidantes utilizados nos metais de adição apresentam maior afinidade
pelo oxigênio, quando comparados com o cobre, como, por exemplo, o silício,
o manganês, o alumínio, o boro e o titânio, presentes em teores muito baixos,
entre 0,02 e 0,35 %. Quando a condutividade elétrica é uma propriedade muito
importante para uma dada aplicação, utiliza-se o boro como desoxidante no
metal de adição, uma vez que este elemento afeta menos a condutividade
elétrica do cobre. O metal de adição contendo silício e manganês como
desoxidantes foi inicialmente desenvolvido para aplicações nas quais o hélio
e o argônio são usados como gases protetores, porém mais recentemente tem
sido usado também quando a proteção gasosas é feita com nitrogênio, já que
atualmente este gás tem sido produzido com níveis de pureza mais elevados,
prescindindo assim do uso de desoxidantes mais fortes como alumínio e
titânio. Sendo assim, atualmente os metais de adição com desoxidantes
silício e manganês são usados com qualquer um dos três tipos de proteção
gasosa.
Antes de iniciar o
processo de soldagem TIG de cobre e suas ligas pode ser necessário calcular
as folgas que compensem a expansão térmica decorrente do aquecimento gerado
pela soldagem, de modo a minimizar distorções e desalinhamento das peças
soldadas. Na soldagem de materiais com espessura muito fina (inferior a
cerca de 1,5 mm) deve ser feita preferencialmente uma soldagem autógena (sem
metal de adição), ao contrário da soldagem de material com maior espessura.
Em ambos os casos é recomendável o uso de aparas da mesma liga posicionadas
ao lado das peças a serem soldadas de modo que a soldagem seja iniciada
nessas aparas, pois eventuais defeitos associados ao início da operação de
soldagem (abertura do arco) ficariam restritos a estas aparas. Entretanto,
após a soldagem essas aparas soldadas devem ser removidas, pois poderiam
levar á propagação de trincas para as peças efetivamente soldadas. Do mesmo
modo, após a soldagem deve ser feito uma limpeza com escova de arame para a
remoção de óxidos.
O pré-aquecimento
ajuda a obtenção de uma poça de fusão mais fluida, que de outro modo poderia
se muito mais difícil de se obter. Normalmente não é necessária nenhuma
operação de acabamento no cordão de solda, e a deformação a frio ou a quente
do mesmo pode levar ao surgimento de trincas. Um cuidado especial deve ser
tomado durante e após o depósito do passe de raiz, que não pode ser muito
pequeno, devendo ter as dimensões mínimas necessárias para não trincar
devido às restrições térmicas impostas pela deposição dos passes posteriores,
os quais deve suportar. Adicionalmente, após a soldagem deve ser feita uma
cuidadosa limpeza para a remoção de óxidos da superfície do cordão do passe
de raiz sobre a qual serão depositados os passes posteriores. O processo TIG
pode ser aplicado a qualquer tipo de posição de soldagem, com exceção da
posição vertical, porém a facilidade com a qual a operação de soldagem nas
demais posições é realizada depende de alguns fatores como a habilidade do
operador e a espessura do material, que por sua vez determina o tamanho da
poça de fusão.
Soldagem MIG de Cobre/Ligas de Cobre
Argônio é
o gás convencional para a proteção durante a soldagem MIG de cobre e suas
ligas, porém existem vantagens significativas com o uso de misturas gasosas
de argônio com hélio ou nitrogênio. Essas adições aumentam o aporte térmico,
resultando em maior velocidade de soldagem, penetração mais profunda, melhor
perfil do cordão de solda e melhor qualidade de deposição do mesmo. Além
disso, o uso dessas misturas reduzem a intensidade do pré-aquecimento
necessário. Porém, para espessuras inferiores a 12 mm a proteção com argônio
puro é satisfatória.
Metais de adição contendo boro só devem ser evitados quando a proteção
gasosa contém nitrogênio, pois neste caso o nitrogênio reage com o boro.
A
soldagem MIG pode ser feita tanto em direção á direita como em direção à
esquerda, porém a preferência recai no primeiro caso, uma vez que assim se
reduzem os riscos aprisionamento de inclusões de óxidos no metal de solda.
Quando a soldagem é feita para a direita, o arco atinge a poça de fusão de
maneira contínua, dando mais tempo para ocorrer a desoxidação. O ângulo de
posicionamento da pistola de soldagem também é importante e deve ser de 70 a
80 º da vertical para evitar o risco de deslocamento da poça de fusão para
longe do arco e de sua proteção gasosa, o que pode acontecer durante a
soldagem em direção à esquerda.
O comprimento do arco durante a soldagem MIG deve ser mantido entre 3 e 6 mm
para todos os tipos de proteção gasosa para que se obtenham as melhores
propriedades possíveis na junta soldada. A voltagem do arco deve estar entre
24 e 30 V para permitir o comprimento adequado para o arco elétrico. Um
comprimento de arco mais curto provoca turbulência na poça de fusão e falta
de penetração com acúmulo de respingos no bocal da pistola. Um arco muito
longo permite intensa oxidação e falta de fusão lateral e na raiz.
A
soldagem MIG convencional é adequada a todas as posições de soldagem com
exceção da posição sobre-cabeça, pois nesse caso, como no caso da soldagem
TIG, é difícil estabelecer um balanço de condições de soldagem para resultar
num perfil de cordão de solda satisfatório. Sendo assim, a soldagem do cobre
na posição sobra-cabeça deve ser evitada sempre que possível. A posição
ideal para soldagem MIG, assim como TIG, e a posição plana, de modo a
minimizar as dificuldades de controle da poça de fusão. Há poucas
referências sobre a soldagem MIG com arame fino e soldagem MIG com corrente
pulsada no caso de posições complicadas, porém deve ser dada alguma atenção
a esses processos. A soldagem com corrente pulsada permite um certo controle
do aporte térmico e do tamanho da poça de fusão em relação à taxa de
deposição de metal, enquanto a soldagem com arame fino permite melhor acesso
a determinadas regiões da peça que está sendo soldada, particularmente
quando a espessura do material é muito pequena.
Soldagem de Cobre/Ligas de Cobre com Eletrodo Revestido
A maior
diferença entre a soldagem de ligas de cobre e a soldagem do cobre
comercialmente puro é o menor aporte térmico e a menor necessidade de
pré-aquecimento no caso das ligas, o que facilita muito a operação de
soldagem ao tornar as condições muito mais favoráveis. Isso se deve à menor
condutividade térmica das ligas de cobre em comparação com o metal
comercialmente puro. Como no caso destas ligas raramente surgem problemas
relacionados com o aporte térmico, a soldagem com eletrodo revestido é feita
geralmente com argônio como gás protetor, embora o uso do argônio apresente
algumas vantagens, que posteriormente serão abordadas. Apesar da eliminação
de muitos problemas relacionados com o aporte térmico, podem surgir outros
problemas relacionados com outros fatores, como a contaminação pela
atmosfera ou por impurezas presentes tanto no metal de base como no metal de
adição, por exemplo.
Em geral
as ligas de cobre mais facilmente soldadas são os bronzes de alumínio
(Cu-Al), os cuproníqueis (Cu-Ni) e os latões (Cu-Zn), desde que as variáveis
do processo sejam razoavelmente controladas e que o metal de base e o metal
de adição atendam às especificações de composição química, principalmente no
que concerne ao nível de impurezas.
Metais
de adição: A tabela 9.1 apresenta algumas faixas de composição química de
metais de adição para soldagem de ligas de cobre, de acordo com a British
Standard (BS 2901: Parte 3 [7]):
Tabela 9.1 – Composição
química de metais de adição
|
Tipo de metal de adição |
Classificação
BS |
Composição química
(% em massa) |
|
Bronze de silício |
C9 |
Cu-0,75 a 1,25 Mn-2,75
a 3,25 Si |
|
Bronze de estanho fosforoso |
C10 |
Cu-4,5
a 6,0 Sn – 0,02 a 0,40 P |
|
Bronze de alumínio |
C12 |
Cu-6,0
a 7,5 Al – 1 a 2,5 Fe + Ni + Mn |
|
C12
Fe |
Cu-6,5
a 8,5 Al – 2,5 a 3,5 Fe |
|
C13 |
Cu-9,0
a 10,0 Al – 0,75 a 1,5 Fe |
|
C20 |
Cu-8,0
a 9,5 Al – 1,5 a 3,5 Fe – 3,5 a 5,0 Ni – 0,5 a 2,0 Mn |
|
Cuproníquel |
C16 |
Cu-0,2
a 0,5 Ti – 1,5 a 1,8 Fe – 10,0 a 12,0 Ni – 0,5 a 1,0 Mn |
|
C18 |
Cu-0,2
a 0,5 Ti – 0,4 a 1,0 Fe – 30,0 a 32,0 Ni – 0,5 a 1,5 Mn |
|
Bronze de alumínio e manganês |
C22 |
Cu-7,0
a 8,5 Al – 2,0 a 4,0 Fe – 1,5 a 3,0 Ni – 11,0 a 14,0 Mn |
Em geral a composição
química do metal de adição se aproxima razoavelmente da composição química
do metal base, porém no caso de ligas de cobre endurecíveis por precipitação,
como cobre-cromo e cobre-berílio, não existe uma composição ideal de metal
de adição, devendo se usar basicamente no metal de adição a mesma composição
química do metal base, quando disponível.
Uma das
funções importantes do metal de adição é a de desoxidar o metal de solda, e
isso é obtido mediante o uso da capacidade desoxidante dos elementos já
presentes no metal de adição, ou pela incorporação de desoxidantes
específicos no metal de adição. No primeiro caso enquadram-se os bronzes de
alumínio, já que o alumínio é um poderoso desoxidante por si só. No segundo
caso estão os cuproníqueis, que necessitam da incorporação de desoxidantes
específicos ao metal de adição.
Soldagem do Bronze de Silício (Cu-Si)
A
condutividade térmica do bronze de silício é cerca de 1/12 da condutividade
do cobre desoxidado com fósforo., portanto um valor comparável ao da
condutividade do aço baixo carbono, não apresentando assim problemas
relacionados com requisitos de aporte térmico para soldagem. Apenas com
peças muito espessas, raramente encontradas na prática industrial, é
necessário algum grau de pré-aquecimento.
O principal fator a ser considerado durante a soldagem deste material é a
existência de um intervalo de temperaturas, entre 800 e 950 ºC, no qual
ocorre fragilidade a quente. Esse fenômeno pode levar ao surgimento de
trincas no metal de solda e na zona termicamente afetada em condições de
restrições na peça, particularmente durante o resfriamento após a soldagem.
O resfriamento dentro deste intervalo deve ser o mais rápido possível. Outra
consideração importante, particularmente durante a soldagem MIG deste
material , principalmente com altas velocidades de soldagem e altas taxas de
deposição, é a possibilidade de formação fases frágeis de não equilíbrio no
metal de solda durante a solidificação rápida. Novamente, em condições de
restrição na peça pode ocorrer trincamento no metal de solda, o qual pode
ser evitado pela redução da velocidade de soldagem pelo ajuste adequado dos
parâmetros de soldagem.
Na
soldagem TIG geralmente se utiliza polaridade negativa em corrente contínua,
sendo esse processo mais adequado para soldagem de peças com espessura de
até 12 mm. Se a manipulação da poça de fusão se tornar complicada, devido à
formação de uma camada de sílica refratária sobre a poça, o uso de uma
técnica com corrente alternada pode melhorar a manipulação. A corrente
alternada exerce uma ação de limpeza do arco, que efetivamente dispersa a
camada de óxido.
A
soldagem MIG convencional pode ser usada para materiais acima de 4 mm de
espessura. Abaixo desse valor o efeito de aquecimento pelo arco é excessivo.
Entretanto, a soldagem MIG com arame fino pode ser usada para materiais com
espessuras da ordem de 1 mm. Se altas velocidades de soldagem MIG originam
trincas, a velocidade de soldagem deve ser reduzida e as condições de
soldagem ajustadas.
Como
sempre na soldagem de cobre e suas ligas deve ser feita uma limpeza adequada
com escova de arame para eliminar todo tipo de contaminação superficial,
principalmente quando mais de um passe de soldagem é depositado.
Na soldagem TIG a técnica com movimento para a esquerda é empregada,
soldando-se na posição plana sempre que possível. Entretanto, é possível
soldar em outras posições, pois sendo um material de condutividade térmica
relativamente baixa, a poça de fusão pode ser mantida em pequenas dimensões,
em comparação com a soldagem do cobre comercialmente puro, por exemplo.
Soldagem do Bronze de Alumínio (Cu-Al)
Até cerca
de 7 % de alumínio essas ligas Cu-Al são monofásicas, porém acima desse
teor e até 11 % as ligas desse sistema são bifásicas. A soldagem afeta a
microestrutura destas ligas (6 a 8 % de alumínio e 2 a 3,5 % de ferro),
geralmente utilizadas em trocadores de calor e que podem sofrer fragilização
na raiz no caso de soldagem multipasse autógena. Essa fragilização provavelmente
é causada pela decomposição da fase beta retida em fase frágil gama 2 durante
o reaquecimento do metal de solda, o qual é rapidamente resfriado após o
passe na raiz. O problema de trincamento na raiz da solda é geralmente resolvido
pelo uso de metal de adição com composição química diferente da liga bifásica.
A fase
beta do metal de adição bifásico pode, sob determinadas condições, sofrer
um tipo de corrosão conhecido como desaluminificação, podendo ser necessário
depositar um revestimento final de metal de solda com composição química
semelhante a do metal base para evitar esse tipo de corrosão eletroquímica.
O fenômeno amplamente divulgado de trincamento no metal base pode ser evitado
pelo controle cuidadoso dos procedimentos de laminação e reaquecimento durante
a fabricação das chapas.
Em comum
com outro tipos de ligas de cobre os bronzes de alumínio apresentam perda de
dutilidade num certo intervalo de temperaturas particularmente crítico
durante a soldagem, dificultando este processo. Devido aos problemas de
soldagem apresentados pelas ligas Cu-Al foram desenvolvidas as novas ligas
Cu-Al-Si, contendo cerca de 6 % de alumínio e 2 % de silício, que mostraram
ser alternativas bastante viáveis às aplicações tradicionais do bronze de
alumínio, tanto como metal base quanto como metal de adição nas aplicações
em que média resistência mecânica é solicitada. Outro grupo de ligas que
deve ser considerado é o do sistema Cu-Al-Mn, que contêm até cerca de 9 % de
alumínio, 12 % de manganês e adições de ferro e níquel, sendo que essas
ligas são destinadas basicamente à produção de peças fundidas. São ligas que
apresentam excelente soldabilidade e não sofrem fragilização em temperaturas
intermediárias, embora necessitem de tratamento térmico pós-soldagem para
restaurar as propriedades mecânicas e a resistência à corrosão.
Todos os
bronzes de alumínio, mesmo com a melhor proteção gasosas possível, formam o
óxido refratário alumina (Al2O3) devido á oxidação da poça de fusão. De modo
a se obter boa fluidez na poça e evitar o aprisionamento de inclusões de
óxidos, essas camadas de óxidos devem ser dispersas, o que obriga ao uso de
corrente alternada na soldagem TIG, de modo a se aproveitar a ação de
limpeza proporcionada pelo uso da corrente alternada. Argônio é o gás
normalmente usado como proteção. Na soldagem MIG é possível se obter uma
ação de limpeza contínua do arco através do uso de polaridade positiva. Em
ambos os processos TIG e MIG o fluxo de gás deve ocorrer a uma taxa que seja
suficiente para evitar oxidação excessiva da zona de soldagem e evitar
defeitos de falta de fusão e de aprisionamento de inclusões de óxidos. A
proteção gasosa com hélio na soldagem TIG também é vantajosa, pois a
corrente contínua com polaridade negativa proporciona satisfatória ação de
limpeza da poça de fusão. O uso de hélio também proporciona melhor
penetração e mais altas velocidades de soldagem.
O pré-aquecimento deve ser evitado sempre que possível e as temperaturas
interpasse devem ser mantidas num valor mínimo, e modo a evitar um
superaquecimento que poderia causar perda de dutilidade e problemas de
trincamento. É essencial a limpeza com escovas após a deposição de cada
passe de soldagem para se obter boa qualidade na junta soldada.
Soldagem do Bronze de Estanho (Cu-Sn)
Os bronzes
de estanho trabalhados contêm até 8 % de estanho com um teor de fósforo
sempre inferior a 0,05 % e mesmo dentro dessa faixa são denominados bronzes
fosforosos. As ligas fundidas podem conter até 12 % de estanho. Os bronzes
de estanho utilizados na fabricação de canhões contêm também zinco (até
9 %) e chumbo (até 5 %) e este último elemento prejudica consideravelmente
a soldabilidade dessas ligas, de modo que a brasagem com prata é preferível
para a junção de peças destas ligas. As partículas de chumbo presentes de
forma dispersa nestas ligas fundem nas temperaturas usuais de soldagem,
provocando trincamento a quente tanto no metal de solda como na zona afetada
pelo calor. Outra característica nociva à soldagem destas ligas é o seu
amplo intervalo de solidificação, que causa porosidade por contração térmica
e induz o trincamento de solidificação à medida que o metal de solda se
solidifica, principalmente em condições de restrições físicas a esta solidificação.
Também é possível, em condições de resfriamento rápido pós-soldagem e especialmente
em ligas com alto teor de estanho, a formação da fase delta dura e frágil,
que prejudica as propriedades mecânicas da junta soldada. Isso pode ser
evitado por um resfriamento pós-soldagem mais lento e controlado, ou, se
a fase delta já está formada, pela sua remoção através de tratamento térmico
pós-soldagem a cerca de 600 ºC. A soldagem destas ligas leva à formação
de vapores de zinco, embora em geral isso não seja prejudicial.
A
soldagem TIG deve ser realizada com corrente contínua em polaridade negativa,
tanto com argônio quanto hélio como proteção gasosa. A soldagem MIG também é
satisfatória. Como a condutividade térmica destas ligas é muito menor do que
a do cobre comercialmente puro, não há necessidade de pré-aquecimento.
Existem metais de adição com composição próxima à dos bronzes de estanho
comuns, mas o mesmo não ocorre com os bronzes destinados à fabricação de
canhões. Estes são soldados com metais de adição compostos por bronze de
estanho comum ou por ligas muito diferentes como bronzes de alumínio, por
exemplo. Mais recentemente foi desenvolvido um metal de adição para soldar
bronzes para canhões que consiste basicamente num bronze de estanho com
certas adições de níquel e silício e um teor de fósforo relativamente mais
alto.
Soldagem do Cuproníquel (Cu-Ni)
Os
cuproníqueis comerciais contêm de 10 a 30 % de níquel. Adições de manganês e
de ferro podem ser feitas com o intuito de melhorar a resistência à corrosão
e à cavitação em certos ambientes, particularmente na água do mar.
O cobre e o níquel são mutuamente solúveis em qualquer proporção de
composição química e em qualquer temperatura e a adição de ferro e de
manganês não afeta substancialmente a microestrutura destas ligas, ou seja,
não ocorre a formação de fases secundárias. Estas ligas são utilizadas
principalmente na condição de trabalhadas, mas também podem ser fundidas.
O
principal problema encontrado na soldagem dos cuproníqueis são aqueles
associados à presença de elementos residuais que podem levar ao trincamento
do metal de solda e da zona afetada pelo calor, e a porosidade causada pelo
aprisionamento de gases. Entretanto, como o trabalho a quente é uma etapa
essencial na fabricação destas ligas, já nesta etapa o fabricante deve
minimizar a presença desses elementos residuais para evitar o trincamento a
quente durante a laminação a quente. Por esse motivo, raramente ocorrem
casos de trincamento no metal de solda devido à presença significativa
desses elementos residuais nocivos. Entretanto, ainda é essencial o cuidado
para evitar contaminações externas, como as que são causadas por descuido na
manipulação e na limpeza das peças a serem soldadas. Sem esses cuidado
poderia ocorrer contaminação por enxofre e chumbo proveniente de óleos e
camadas de tinta aderidos à superfície das peças. Os cuproníqueis são
particularmente susceptíveis à absorção de oxigênio, hidrogênio e nitrogênio
na poça de solda fundida. A porosidade surge como conseqüência do
aprisionamento do gás no metal em solidificação, e a oxidação pode ser
evitada pelo uso de desoxidantes no metal de adição. Por esse motivo, a
soldagem autógena de cuproníquel quase sempre resultará em juntas soldadas
porosas. Até o momento o titânio é o elemento desoxidante mais poderoso
encontrado nos metais de adição usados para soldagem de cuproníquel,
juntamente com o manganês. Estão disponíveis comercialmente dois tipos de
metal de adição com teores de níquel de 10 e de 30 %, respectivamente.
Metais de
adição estão disponíveis para a soldagem MIG e TIG dos cuproníqueis, e
embora seja comum selecionar um metal de adição com composição química
próxima à do metal base, a soldagem de ligas com baixo teor de níquel usando
metais de adição com 30 % de níquel pode apresentar vantagens,
principalmente no que se refere á melhoria de propriedades mecânicas.
Entretanto, esse procedimento deve ser adotado com certo cuidado, uma vez
que há uma significativa diferença de intervalo de solidificação entre essas
ligas e isso pode levar, em caso de restrições físicas á solidificação, ao
trincamento nos contornos de grão parcialmente fundidos na zona afetada pelo
calor após a solidificação do cordão de solda depositado.
Embora freqüentemente o argônio seja usado como proteção gasosa, o hélio
pode oferecer algumas vantagens, particularmente quando a peça é muito
espessa. No caso de soldagem TIG usa-se corrente contínua com polaridade
negativa, tanto com argônio quanto com hélio. O processo TIG é o mais
adequado para a soldagem de chapas, placas e tubos com até 6 mm de espessura.
No caso da soldagem de tubos o processo TIG é aplicado para produzir um
passe de raiz controlado, completando-se a solda nos passes subseqüentes com
o processo de soldagem MIG manual.
Tanto no processo TIG quanto no processo MIG, devem ser evitadas velocidades
de soldagem excessivas que possam causar falhas na proteção gasosa. A
soldagem de peças como tubulações necessita do uso de uma proteção traseira
de argônio, para evitar a contaminação atmosférica do pé do cordão de solda
e assim produzir uma solda de boa qualidade.
Soldagem do Latão (Cu-Zn) e da Alpaca (Cu-Zn-Ni)
Do ponto
de vista de soldagem os comportamentos do latão e da alpaca são muito
semelhantes. As alpacas podem ser consideradas latões com substanciais
adições de níquel. Ambos os grupos de ligas podem conter chumbo com o
objetivo de melhorar a usinabilidade, e assim, como ocorre com os bronzes de
estanho, a soldagem dessas ligas pode ser complicada. Do ponto de vista de
soldabilidade os latões podem ser considerados em três grupos principais: 1)
Latão com alumínio (Cu-22Zn-2Al); 2) Latão do almirantado (Cu-29Zn-1Sn); 3)
Latão Naval (Cu-36,75 Zn – 1,25 Sn). Sob ponto de vista semelhante, as
alpacas podem ser consideradas em três grupos principais: 1) Alpacas
monofásicas (alfa) contendo até 65 % de cobre e 20 % de níquel (zinco
remanescente); 2) Alpacas bifásicas (alfa + beta) contendo até 47 % de cobre,
25 % de níquel (zinco remanescente geralmente com até 2, 5 % de chumbo para
melhorar a usinabilidade); 3) Alpacas de fundição contendo até 65 % de cobre,
25 % de níquel (zinco remanescente com até 9 % de chumbo).
Os comentários sobre a soldagem do latão aplicam-se igualmente à soldagem
dos cuproníqueis.
Por causa
da evolução de vapores de zinco a soldagem de qualquer liga contendo zinco é
complicada. Entretanto, a soldagem com proteção gasosa pode minimizar a
volatilização do zinco, devendo também ser considerada a possibilidade de
soldar com metal de adição com composição química diferente da do metal
base, pois isso reduziria o risco de formar uma camada de óxido refratário
sobre a superfície da poça de fusão. Sob esse ponto de vista metais de
adição com composição ideal seriam os bronzes de silício e de alumínio.
Contudo, ao se soldar com esse tipo de metal de adição deve se trabalhar com
corrente alternada no caso de processo TIG com proteção d argônio, de modo a
garantir o necessário efeito de limpeza do arco.
Também há
certo risco de trincamento na zona afetada pelo calor se o metal de adição
com composição diferente se solidificar antes do metal base. Isso pode ser
evitado por meio de um resfriamento lento e sem perturbações desde as
temperaturas de soldagem, para assegurar solidificação completa de ambos os
metais de solda e metal base. A soldagem TIG com bronze de alumínio e
proteção gasosa com argônio requer o uso de corrente alternada devido à
formação de óxido de alumínio na poça de fusão durante a soldagem.
Latões
com teor de zinco muito baixo (até cerca de 3 % de zinco) podem ser úteis em
certas aplicações como substitutos do cobre desoxidado com fósforo. A
volatilização de zinco é pequena nessas ligas e excelentes resultados são
obtidos com o processo TIG tanto com o uso de argônio quanto hélio como
proteção gasosa. O nitrogênio não deve ser usado com essa finalidade. A
maior vantagem sobre o cobre desoxidado com fósforo no caso de soldagem de
chapas com pequenas espessuras é a possibilidade de soldagem autógena, por
causa das características desoxidantes da adição de zinco.
Soldagem dos Cobres Ligados e das Ligas de Cobre Endurecíveis por
Precipitação
O
trabalho a frio do cobre-cádmio pode resultar em propriedades mecânicas
muito boas, estando o cádmio presente inteiramente em solução sólida e
conferindo resistência ao amolecimento em temperaturas moderadamente
elevadas. Como o aumento de dureza é obtido por encruamento (deformação
plástica a frio), evidentemente a soldagem elimina esse ganho de dureza e
assim tanto o metal de solda quanto a zona afetada pelo calor apresentarão
menor resistência mecânica do que o metal base. Por esse motivo raramente o
cobre cádmio é soldado por fusão. A característica do cádmio como elemento
muito tóxico também dificulta a operação de soldagem, pois os vapores de
cádmio são muito nocivos à saúde do operador. As soldas feitas com esse tipo
de material apresentam elevada porosidade e grande diminuição de dutilidade
e de resistência mecânica simultaneamente. Como metal de adição o cobre
desoxidado com boro tem sido usado com sucesso na soldagem de ligas
cobre-cádmio.
As ligas
de cobre-zircônio em geral contém até 0,15 % de zircônio e até certo ponto
podem ser endurecidas por precipitação. A dureza máxima é obtida após
deformação a frio seguida de envelhecimento, e assim não pode ser mantida
com a soldagem. Assim, o metal de solda e a zona afetada pelo calor
apresentarão propriedades mecânicas inferiores às do metal base e estas não
podem ser recuperadas por tratamento térmico pós-soldagem. Estas ligas são
soldadas com metal de adição com composição química bem próxima à do metal
base e o zircônio presente também age como um eficiente agente desoxidante.
Entretanto, a possibilidade de ocorrer trincamento a quente não deve ser
descartada, uma vez que em condições de resfriamento fora do equilíbrio
termodinâmico pode se formar um eutético Cu-Zn de baixo ponto de fusão.
Cu-Be
com alto teor de berílio
As ligas cobre-berílio de alto teor contêm normalmente de 1,7 a 1,9 % de
berílio com pequenas adições (da ordem de 0,25 %) de cobalto ou níquel para
possibilitar um envelhecimento controlado. Estas ligas são endurecíveis por
precipitação e caracterizadas por elevada dureza, resistência mecânica, á
fadiga e ao desgaste, além de apresentarem considerável resistência à
corrosão. Os avanços tecnológicos nos processos de soldagem podem tornar
estas ligas adequadas a aplicações estruturais na indústria química, porém a
evolução dos vapores tóxicos de berílio durante a soldagem por fusão
convencional requer precauções adicionais.
Como no caso de todas as ligas termicamente tratadas surgem dificuldades
durante a soldagem por fusão, de modo que deve ser aplicado um tratamento
térmico pós-soldagem para possibilitar recuperação das propriedades do
material e a homogeneização da microestrutura da zona afetada pelo calor e
do metal de solda.
Estas ligas Cu-Be apresentam condutividade térmica equivalente a cerca de 25
% da condutividade térmica do cobre comercialmente puro, o que favorece a
operação de soldagem sob esse ponto de vista. Entretanto, pode ser
necessário certo pré-aquecimento no caso de peças com grande espessura.
Quando a
peça a ser soldada apresenta pequena espessura a zona afetada pelo calor
tende a ser estreita e o material apresenta elasticidade suficiente para
acomodar as tensões de origem térmica que surgem durante o ciclo de soldagem.
Sendo assim, o material fino pode ser soldado sem dificuldade tanto na
condição de trabalhado a frio quanto na condição de envelhecido. Em
materiais mais espessos as tensões térmicas não são acomodadas tão
facilmente e pode ocorrer trincamento tanto no metal de solda quanto na zona
afetada pelo calor. Nesse caso é recomendável soldar o material na condição
de superenvelhecimento, pois assim o material estará mais macio devido ao
coalescimento dos precipitados e não endurecerá sem tratamento de
solubilização posterior. Por outro lado, a soldagem do material solubilizado
é complicada devido à precipitação diferenciada na zona afetada pelo calor
durante a operação de soldagem.
Em todos
os casos o tratamento térmico pós-soldagem deve ser realizado como uma
operação em duas etapas, envolvendo uma nova solubilização e novo
envelhecimento de modo a se obter propriedades razoavelmente uniformes ao
longo de toda a área de solda. Evidentemente o metal de solda manterá uma
microestrutura bruta de fusão, porém as propriedades mecânicas serão apenas
um pouco inferiores às do metal base.
Devido à
formação de camadas de óxidos refratários os processos de soldagem com
proteção gasosa são os únicos que permitem resultados favoráveis. Tanto o
processo TIG quanto o processo MIG são adequados com o uso de metal de
adição com composição química semelhante à do metal base. A proteção com
argônio é a ideal no caso de soldagem TIG de materiais com espessura de até
6 mm com corrente alternada para garantir a limpeza da poça de fusão, ao
passo que o mesmo tipo de liga é soldada pelo processo MIG com espessuras
maiores, de até 50 mm. O pré-aquecimento deve ser evitado sempre que
possível, mas pode ser necessário para peças mais espessas. As temperaturas
de pré-aquecimento devem ficar entre 100 e 200 ºC. O uso de gás inerte na
parte posterior da solda protege a penetração do cordão, reduzindo a
formação de camadas de óxidos refratários e promovendo fusão adequada.
Cu-Be com baixo teor de berílio
Estas ligas com baixo teor contêm tipicamente 0,4 a 0,6 % de berílio e 2,5 %
de cobalto ou níquel. Também são ligas endurecíveis por precipitação, porém,
ao contrário das ligas Cu-Be de alto teor, nas ligas de baixo teor os
precipitados endurecedores são compostos intermetálicos de cobalto e berílio
ou de níquel e berílio. Estas ligas apresentam propriedades mecânicas
inferiores às encontradas nas ligas de alto teor, porém condutividade
elétrica mais elevada, podendo ser usadas na fabricação de molas, diafragmas
e eletrodos e garras para soldagem por resistência elétrica. Como no caso
das ligas de alto teor, as de baixo teor também são usadas nas condições de
fundidas e de trabalhadas.
As ligas
de baixo teor apresentam várias características em comum com as de alto teor,
no que diz respeito à soldabilidade, necessitando também de tratamentos
térmicos pós-soldagem. Como apresentam condutividade térmica superior à das
ligas de alto teor, a soldagem das ligas de baixo teor geralmente é mais
difícil.
Em geral as ligas de baixo teor são soldadas com metais de adição com
composição química significativamente diferente, com o objetivo de evitar
trincamento a quente, sendo usado como metal de adição geralmente ligas
Cu-Be de alto teor. Como as condições de tratamento térmico ideais para
otimização de dureza variam de um tipo de liga (baixo teor) para as de outro
tipo (alto teor), o tratamento térmico de envelhecimento deve ser balanceado
para obter propriedades mecânicas razoáveis tanto no metal base (baixo teor)
como no metal de solda e na zona termicamente afetada que resultam do uso de
um metal de adição diferente (alto teor).
Do mesmo
modo, para as ligas de baixo teor a soldagem de peças espessas também é mais
fácil quando a liga se encontra na condição superenvelhecida, mas o
tratamento térmico pós-soldagem subseqüente na faixa de temperaturas de 850
a 900 ºC pode resultar na fusão de fases metaestáveis presentes no metal de
adição com alto teor de berílio através do resfriamento rápido durante a
soldagem. Esse risco pode ser minimizado por meio de um tratamento de
homogeneização entre 800 e 850 ºC antes da solubilização. Com um bom ajuste
do tratamento térmico pós-soldagem é possível obter boas propriedades
mecânicas tanto no metal base quanto no metal de solda.
Os
processos de soldagem a arco elétrico com proteção gasosa podem ser
aplicados de modo similar aos que são aplicados para ligas de alto teor de
berílio, mas deve se dar maior atenção ao pré-aquecimento por causa da alta
condutividade térmica.
Essas
ligas Cu-Cr contêm de 0,5 a 1,0 % de cromo e são endurecíveis por
precipitação, atingindo boas propriedades mecânicas e mantendo boa
condutividade elétrica. Produtos fundidos e trabalhados destas ligas são
usados numa ampla variedade de aplicações que exijam resistência mecânica
moderada e alta condutividade elétrica.
Estas
ligas apresentam tendência de fragilidade a quente num amplo intervalo de
temperaturas. A presença de impurezas, mesmo em pequenos teores, favorece a
formação de camadas frágeis nos contornos de grãos. Isso provavelmente causa
trincamento durante a soldagem e, do mesmo modo que ocorre com as ligas
cobre-berílio, é recomendável que a peça seja soldada na condição
superenvelhecida quando a região de solda é submetida a restrições físicas.
Estas ligas possuem elevada condutividade térmica na condição envelhecida,
necessitando de pré-aquecimento no caso de peças mais espessas. Após a
soldagem deve ser realizado um tratamento térmico completo de solubilização
e envelhecimento.
Devido à
formação de óxidos refratários, a soldagem sempre deve ser feita por arco
elétrico com proteção gasosa para se obter bons resultados, e no caso da
soldagem TIG geralmente é usada corrente alternada e argônio como gás
protetor para evitar dificuldades decorrentes da formação de camadas de
óxidos. Geralmente se utiliza metal de adição com composição química bem
próxima à do metal base. O processo MIG também é usado quando se necessita
de maiores velocidades de soldagem e maior deposição de metal de solda,
principalmente em seções mais espessas.
A soldagem TIG com hélio como gás protetor também pode ser usada com
corrente contínua e polaridade negativa para melhorar as condições de
soldagem [7].
b) Corrosão
O cobre comercialmente puro e as ligas de cobre são muito usados em diversos
ambientes e aplicações por causa de sua excelente resistência à corrosão,
combinada com outras propriedades desejáveis como alta condutividade térmica
e elétrica, facilidade de fabricação por diferentes processos, uma grande
amplitude de valores de propriedades mecânicas que podem ser obtidos e a
resistência à degradação por agentes biológicos. O cobre sofre corrosão,
porém em taxas muito reduzidas, no ar não poluído, na água e na presença de
ácidos não oxidantes em ambientes não areados. Artefatos de cobre enterrados
por milênios apresentam-se em condições bem razoáveis como materiais pouco
usados, e telhados de cobre em atmosfera rural sofreram corrosão em taxas
inferiores a 0,4 mm em 200 anos. As ligas de cobre resistem a muitas
soluções salinas, alcalinas e substâncias químicas orgânicas. Entretanto, o
cobre é suscetível a um ataque muito mais rápido por ácidos oxidantes, sais
oxidantes de metais pesados, enxofre, amônia (NH3) e alguns compostos de
enxofre e de amônia. A resistência a soluções ácidas depende principalmente
do grau de severidade das condições oxidantes na solução. A relativa
facilidade de reação do cobre com o enxofre e sulfetos para formar sulfetos
de cobre (CuS e Cu2S) impede a utilização do cobre e das ligas de cobre em
ambientes contendo enxofre ou seus compostos.
O cobre e
suas ligas apresentam excelente comportamento em serviço nas seguintes
aplicações:
-
Aplicações que exigem resistência à exposição à atmosfera, como o uso em
telhados na construção civil e outros usos arquitetônicos como maçanetas de
portas, por exemplo.
-
Encanamentos e tubulações de água que necessitem de elevada resistência à
corrosão causada por vários tipos de águas e solos.
-
Aplicações navais, como por exemplo tubulações de água fresca e de água
salgada, trocadores de calor, condensadores, válvulas, nas quais o material
deve resistir ao ataque da água salgada, de depósitos de sais hidratados e
de agentes biológicos.
-
Trocadores de calor e condensadores em serviço marítimo, usinas de energia a
vapor e componentes usados na indústria química em contato com produtos
orgânicos e inorgânicos.
- Fiação
elétrica, hardware, conectores, circuitos impressos e dispositivos
eletrônicos em geral, que necessitam de uma boa combinação de condutividade
térmica e elétrica com boas propriedades mecânicas.
A
oxidação do cobre leva à formação do óxido cuproso (Cu2O), que se forma de
acordo com a seguinte reação: 4Cu + O2 2Cu2O.
Efeito dos Elementos de Liga na Resistência à Corrosão do Cobre
O cobre
comercialmente puro e os chamados cobres ligados apresentam excelente
resistência à corrosão causada por águas salgadas e por agentes biológicos,
mas são suscetíveis à corrosão-erosão causada por águas em movimento com
altas velocidades. O processamento mecânico com o objetivo de melhorar a
resistência mecânica de cobres ligados também aumenta sua resistência à
corrosão-erosão, sem prejudicar sensivelmente sua condutividade térmica e
elétrica e sua resistência á corrosão atmosférica.
Os latões
com teores de zinco de até 15 % apresentam satisfatória resistência à
corrosão causada por soluções aquosas, mas acima desse teor podem sofrer
dezincificação, que é um ataque corrosivo preferencial que leva à oxidação e
eliminação do zinco presente no latão, que assim assume coloração mais
avermelhada em determinados locais. Soluções salinas mesmo com velocidade
moderada, água salobra e soluções suavemente ácidas já são suficientes para
levar à dezincificação do latão. Do mesmo modo, a susceptibilidade á
corrosão sob tensão também é dependente do teor de zinco do latão, sendo
mais acentuada nos latões com mais alto teor de zinco (15 % ou mais). A
corrosão sob tensão praticamente não ocorre no cobre comercialmente puro.
Elementos
de liga adicionados com o objetivo de aumentar a usinabilidade, como o
chumbo, ou a resistência mecânica, como berílio, telúrio, cromo, fósforo e
manganês, praticamente não têm efeito, ou têm um efeito muito limitado sobre
a resistência sobre a resistência à corrosão do cobre comercialmente puro e
dos latões.
Os latões com estanho possuem resistência à corrosão significativamente
maior do a dos latões binários (Cu-Zn), principalmente melhor resistência à
dezincificação, devido à presença do estanho como elemento de liga em teores
significativos. É o caso do latão do almirantado (C443), modificação do
latão para cartuchos (C280) ao qual 1 % de estanho é adicionado, e do latão
naval (C464), modificação do metal de Muntz (C280) ao qual 0,75 % de estanho
é adicionado. Outros elementos em menor escala podem ser adicionados ao
latão para aplicações navais, como o níquel e o chumbo.
Os latões
(Cu-Zn-Al) e bronzes de alumínio (Cu-Al) se beneficiam, no que se refere à
resistência à corrosão, pela formação da camada passivada protetora de
alumina (Al2O3) que impede o prosseguimento da corrosão. O uso de inibidores,
como arsênico, fósforo e antimônio evita a dezincificação nos latões.
Os
bronzes fosforosos apresentam boa resistência à corrosão causada por águas
salgadas em movimento e pela maioria dos ácidos não oxidantes, exceto o
ácido clorídrico (HCl). Ligas contendo 8 a 10 % de estanho apresentam alta
resistência à corrosão associada ao impacto de partículas e gotas. Os
bronzes fosforosos são muito menos suscetíveis à corrosão sob tensão do que
os latões são tão resistentes ao ataque pelo ácido sulfúrico quanto o cobre
comercialmente puro. De um modo geral os bronzes também resistem bem à
corrosão causada por agentes biológicos.
Os cuproníqueis se constituem no grupo de ligas de alumínio com maior
resistência à corrosão, principalmente o cuproníquel C715 (70% de cobre e 30
% de níquel), que apresenta a maior resistência à corrosão aquosa, embora
muitas vezes o cuproníquel C706 (10 de níquel) seja preferido por apresentar
resistência à corrosão ainda muito boa, porém com menor custo do que o C715.
São ligas que apresentam resistência à corrosão causada por soluções ácidas
em nível superior à do cobre comercialmente puro e à das outras ligas de
cobre, além de uma elevada resistência à corrosão sob tensão e à corrosão
associada ao impacto de partículas e gotas.
As
alpacas apresentam boa resistência à corrosão causada por água fresca e por
água salgada. O elevado teor de níquel inibe a dezincificação. Alpacas como
a C752 e C770 são muito mais resistentes à corrosão em soluções salinas do
que latões com teores de zinco semelhantes.
Os
bronzes de silício (Cu-Si) em geral apresentam resistência à corrosão
semelhante à do cobre comercialmente puro, mas possuem melhores propriedades
mecânicas e soldabilidade superior. As ligas Cu-Si são muito mais
resistentes à corrosão sob tensão que os latões comuns. Os bronzes de
silício são suscetíveis à fragilização por vapor em alta pressão e devem ser
testados para comprovar adequação ao serviço em ambiente agressivo antes de
serem especificados para a fabricação de componentes usados em altas
temperaturas.
Os
bronzes de alumínio (Cu-Al) contendo de 5 a 12 % de alumínio possuem
excelente resistência à corrosão pelo impacto de partículas e gotas e à
oxidação em alta temperatura. Resistem bem à abrasão mecânica e ao ataque
químico de soluções de sulfetos. Quando o teor de alumínio é inferior a 8 %
a liga é monofásica e resiste bem à maioria dos tipos de ataques corrosivos,
porém acima de 8 % de alumínio a liga é bifásica (fases alfa e beta) em alta
temperatura (565 ºC ou acima) e o resfriamento rápido mantém estas fases à
temperatura ambiente. Entretanto, o aquecimento posterior a temperaturas
intermediárias (entre 320 e 565 ºC) leva á decomposição da fase beta numa
mistura eutetóide de fases alfa e gama 2 de aspecto lamelar ou nodular. A
fase beta já é menos resistente á corrosão do que a fase alfa e a
microestrutura eutetóide (alfa + gama 2) é ainda menos resistente á corrosão.
Em alguns
ambientes particularmente agressivos a fase beta e o eutetóide podem ser
atacados de modo seletivo semelhante à dezincificação dos latões. Um
tratamento térmico adequado envolvendo aquecimento em alta temperatura,
resfriamento rápido e revenimento em temperaturas intermediárias aplicado a
ligas bifásicas como C624 e C954, por exemplo, resulta numa microestrutura
de fase beta revenida com cristais novamente precipitados de fase alfa, uma
combinação que apresenta resistência á corrosão superior à das ligas
normalmente recozidas.
Pequenas
partículas de formato arredondado ou rosetado, e ricas em ferro, aparecem na
microestrutura de bronzes de alumínio quando o teor de ferro é superior a
0,5 %. Estas partículas às vezes conferem um aspecto de corrosão, mas não
apresentam efeito comprovado nas taxas de corrosão. Os bronzes de alumínio
contendo níquel apresentam uma microestrutura mais complicada, incluindo a
fase K. O níquel parece alterar as características de corrosão da fase beta,
conferindo maior resistência à perda de elementos de ligas e à corrosão por
cavitação causada pela maioria dos líquidos. Para as ligas C632 e talvez
C958 tratamentos térmicos de solubilização, resfriamento rápido e revenido
em temperaturas intermediárias podem aumentar a resistência à perda de
elementos de liga. A liga C957, contendo alto teor de manganês, apresenta
resistência à corrosão inferior à das ligas C955 e C958, que possuem menores
teores de manganês e maiores teores de alumínio.
Os
bronzes de alumínio em geral são adequados para serviço em ambientes
contendo ácidos minerais não oxidantes, como os ácidos fosfórico (H3PO4),
sulfúrico (H2SO4) e clorídrico (HCl), ácidos orgânicos, como o láctico e o
acético (CH3COOH) e oxálico, soluções salinas neutras como as de cloreto de
sódio (NaCl), hidróxido de potássio (KOH) e hidróxido de amônia anidro
(NH4OH), vários tipos de águas naturais, incluindo água do mar, água salobra
e águas potáveis. Entretanto, o uso dessas ligas deve ser evitado em alguns
ambientes, como os que contêm ácido nítrico (HNO3), alguns sais metálicos
como cloreto férrico (FeCl3) e ácido crômico (H2Cr2O4), hidrocarbonetos
cloretados e úmidos e HN3 úmido. A aeração pode resultar em corrosão
acelerada em muitos meios aparentemente compatíveis. A exposição a elevadas
tensões trativas em ambientes contendo NH3 pode resultar em corrosão sob
tensão. Em alguns ambientes a corrosão pode reduzir o limite de resistência
à fadiga em até 25 a 50 % do valor obtido em condições ambientais normais
[8].
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