|
a) Tratamentos
Térmicos
Os tratamentos térmicos abordados a seguir compreendem somente aqueles
ciclos de aquecimento e resfriamento que produzem mudanças de estado de
tensões ou alterações microestruturais significativas, que resultam em
mudança de propriedades físicas em geral e mecânicas em particular, as quais
definem o campo de aplicação do material. Sendo assim, estão excluídos do
escopo deste texto os ciclos de aquecimento e resfriamento relacionados
única e exclusivamente com o trabalho a quente.
Os principais tipos de
tratamentos térmicos aplicados ao cobre e suas ligas são os seguintes:
(1) – Recozimento com
o propósito de amolecer um material encruado como conseqüência do trabalho
mecânico. Além da recuperação inicial, resulta em recristalização, e, em
casos de tempo prolongado e/ou temperatura elevada, crescimento de grão.
(2) – Tratamento térmico de alívio de tensões para evitar corrosão sob
tensão acarretada por tensões residuais. É realizado em temperaturas
inferiores à temperatura de recristalização, portanto abaixo da temperatura
na qual ocorre significativo amolecimento no material.
(3) – Homogeneização para dissolver segregação de elementos em determinados
locais e promover, por difusão, sua distribuição de modo mais uniforme por
todo o material. As ligas que exigem esse tipo de tratamento contêm níquel e
estanho.
(4) – Tratamento de solubilização e endurecimento por precipitação: aplica-se
a um determinado grupo de ligas de cobre, as ligas cobre berílio (Cu-Be).
Estas ligas contêm até 2 % de berílio e podem apresentar também pequenos
teores de níquel, cobalto ou cromo.
Recozimento
O recozimento com o propósito de amolecer o material encruado por deformação
mecânica pode produzir diferentes graus de amolecimento, dependendo do tempo
e da temperatura nos quais este material é tratado. Quanto maior a
temperatura e mais longo o tempo, maior o amolecimento obtido. O parâmetro
mais utilizado para avaliar o grau de amolecimento obtido pelo recozimento é
a mensuração do tamanho de grão. Valores de dureza Rockwell também podem ser
utilizados como referência, porém como informação complementar e aproximada.
Isso se deve ao fato de que o tamanho de grão é uma variável mais sensível à
variação das condições de têmpera do que outras características metalúrgicas
como as propriedades determinadas por ensaios mecânicos tais como
resistência á tração, alongamento, redução em área ou dureza Rockwell.
A tabela 8.1 apresenta a relação entre tamanho de grão e trabalhabilidade a
frio para o cobre e suas ligas. Essa tabela é mais adequada no caso dos
latões com maior teor de zinco, como o 65-35 e o 70-30, uma vez que latões
com menores teores de zinco são mais dúteis e não encruam tão rapidamente
com o trabalho a frio. Em geral o tamanho de grão de 0,035 mm (35 m) é
considerado aceitável para o embutimento profundo de ligas de cobre com teor
de cobre mais alto.
Tabela
8.1 – Tamanho de Grão de Ligas de Cobre Recozidas x Tipo de Operação de
Conformação Recomendada.
|
Tamanho de Grão Nominal (mm) |
Operação de Conformação Recomendada |
|
0,015 |
Operações de conformação muito leves |
|
0,025 |
Embutimento não profundo |
|
0,035 |
Embutimento mais profundo combinado com razoável qualidade de
acabamento superficial |
|
0,050 |
Operações de embutimento profundo |
|
0,070 |
Embutimento muito profundo com bitolas espessas |
A tabela 8.2 apresenta
uma correlação entre tamanho de grão e dureza.
Tabela
8.2 – Tamanho de Grão x Dureza.
|
Têmpera |
Tamanho de Grão (mm) |
Dureza Rockwell |
|
Escala F |
Superficial
(15-T) |
|
Mínimo |
Máximo |
Mínimo |
Máximo |
Mínimo |
Máximo |
|
Recozimento total |
Totalmente recristalizado |
- |
- |
65 |
- |
68 |
|
Embutimento profundo
(0,025 mm nominal) |
Totalmente
recristalizado |
0,050 |
30 |
75 |
44 |
73 |
A tabela 8.3 apresenta
os requisitos de tamanho de grão para placas, chapas e tiras de diferentes
tipos de latões.
Tabela
8.3 – Tamanho de grão em função da liga.
|
Liga |
Tamanho de Grão (mm) |
|
Nominal |
Mínimo |
Máximo |
|
210
95 Cu – 5 Zn |
0,050 |
0,035 |
0,090 |
|
0,035 |
0,025 |
0,050 |
|
0,025 |
0,015 |
0,035 |
|
0,015 |
Totalmente recristalizado |
0,025 |
|
220
90 Cu – 10 Zn |
0,050 |
0,035 |
0,090 |
|
0,035 |
0,025 |
0,050 |
|
0,025 |
0,015 |
0,035 |
|
0,015 |
Totalmente recristalizado |
0,025 |
|
230
85Cu – 15Zn |
0,070 |
0,050 |
0,100 |
|
0,050 |
0,035 |
0,070 |
|
0,035 |
0,025 |
0,050 |
|
0,025 |
0,015 |
0,035 |
|
0,015 |
Totalmente recristalizado |
0,025 |
|
240
80Cu – 20Zn |
0,070 |
0,050 |
0,120 |
|
0,050 |
0,035 |
0,070 |
|
0,035 |
0,025 |
0,050 |
|
0,025 |
0,015 |
0,035 |
|
0,015 |
Totalmente recristalizado |
0,025 |
|
260 e 270
70Cu-30Zn
e
65Cu-35Zn |
0,120 |
0,070 |
- |
|
0,070 |
0,050 |
0,120 |
|
0,050 |
0,035 |
0,070 |
|
0,035 |
0,025 |
0,050 |
|
0,025 |
0,015 |
0,035 |
|
0,015 |
Totalmente recristalizado |
0,025 |
Tabela 8.4 – Dureza
Rockwell em função do tamanho de grão.
Tabela
8.4 – Dureza Rockwell em função do tamanho de grão.
|
Tamanho de Grão Nominal Resultante do
Recozimento (mm) |
Dureza Rockwell – somente valores
aproximados de referência |
|
Escala F |
Escala 30-T superficial |
|
Mínimo |
Máximo` |
Mínimo |
Máximo |
|
Liga
210 (95Cu – 5Zn) |
|
0,050 |
40 |
52 |
- |
4 |
|
0,035 |
47 |
54 |
- |
7 |
|
0,025 |
50 |
61 |
1 |
17 |
|
0,015 |
54 |
65 |
7 |
23 |
|
Liga
220 (90Cu – 10Zn) |
|
0,050 |
50 |
60 |
1 |
16 |
|
0,035 |
54 |
64 |
7 |
21 |
|
0,025 |
58 |
70 |
13 |
31 |
|
0,015 |
62 |
75 |
19 |
39 |
|
Liga
230 (85Cu – 15Zn) |
|
0,070 |
53 |
60 |
6 |
16 |
|
0,050 |
56 |
63 |
10 |
20 |
|
0,035 |
58 |
66 |
13 |
24 |
|
0,025 |
60 |
72 |
16 |
34 |
|
0,015 |
62 |
79 |
19 |
48 |
|
Liga
240 (80Cu-20Zn) |
|
0,070 |
53 |
64 |
2 |
21 |
|
0,050 |
57 |
67 |
8 |
27 |
|
0,035 |
61 |
72 |
16 |
35 |
|
0,025 |
63 |
77 |
20 |
42 |
|
0,015 |
66 |
83 |
25 |
50 |
|
Ligas
260 (70Cu-30Zn) e 270 (65Cu-35Zn) |
|
0,120 |
50 |
62 |
- |
21 |
|
0,070 |
52 |
67 |
3 |
27 |
|
0,050 |
61 |
73 |
20 |
35 |
|
0,035 |
65 |
76 |
25 |
38 |
|
0,025 |
67 |
79 |
27 |
42 |
|
0,015 |
72 |
85 |
33 |
50 |
Tratamento de
Alívio de Tensões
As ligas de cobre trabalhadas a frio são suscetíveis à corrosão sob tensão
mesmo em temperaturas e atmosferas/ambientes comuns. Esse tipo de degradação
é acelerado em ambientes que contêm amônia e é mais comum em ligas que
contêm mais de 10 % de zinco. O latão naval e o latão com alumínio são
especialmente suscetíveis.
O alívio de tensões é
obtido mediante aquecimento adequado ou flexão mecânica. Freqüentemente uma
combinação de aquecimento e de ação mecânica é o método mais efetivo para
aliviar tensões. O aquecimento para alívio de tensões é feito de maneira
lenta e uniforme e em temperaturas inferiores à temperatura de
recristalização da liga. A flexão mecânica é feita ao se submeter o material
encruado ao endireitamento ou achatamento em máquinas que realizam esses
tipos de operação em vergalhões, tubos, placas e chapas.
Homogeneização
Homogeneização é o tratamento térmico que consiste em aquecer um peça por
longo tempo (horas) em temperaturas relativamente elevadas para eliminar ou
minimizar a presença de segregação (de determinados elementos químicos ou
fases) através da difusão de átomos.
Os latões comuns acima
de 70 % de cobre não apresentam segregação significativa, porém os latões
entre 58 e 70 % de cobre apresentam razoável quantidade de fases secundárias
segregadas nos produtos fundidos. Os bronzes de estanho com teor de estanho
de até 8 % apresentam considerável segregação, que se forma durante o
resfriamento através do intervalo de temperaturas que corresponde à
solidificação. Sendo assim, é necessário um rigoroso tratamento de
homogeneização destas ligas por várias horas a 760 ºC antes de submeter
estes materiais fundidos ao trabalho a frio, de modo que seja evitado o
surgimento de trincas. Também é necessário homogeneizar cuproníqueis e
alpacas, ligas também suscetíveis à segregação em produtos fundidos. Durante
o trabalho a frio de latões comuns são necessários repetidos recozimentos
até se chegar ao produto acabado. Estes recozimentos repetidos removem
qualquer traço de segregação no produto final.
Solubilização e
Endurecimento por Precipitação
Muito comum entre diversos tipos de ligas de alumínio, entre as ligas de
cobre este tipo de tratamento praticamente se restringe às ligas
cobre-berílio.
Padrões de Qualidade Superficial
O critério básico para o acabamento superficial do material resultante do
tratamento térmico é a economia do acabamento do material. Por exemplo, uma
chapa de metal com tamanho de grão de 0,050 mm apresentará efeito “casca de
laranja”, que é a rugosidade resultante de tamanho de grão grosseiro
semelhante a uma casca de laranja, a qual inviabiliza o uso da chapa em
operações de estampagem e embutimento destinadas à produção de peças cujas
aplicações exigem excelente acabamento superficial (superfície mais lisa
possível). O mesmo tipo de chapa com tamanho de grão da ordem de 0,025 mm já
não apresenta esse efeito indesejável, necessitando de menor trabalho de
acabamento superficial para atingir a qualidade superficial desejada. Como a
operação de acabamento geralmente é mais custosa do que a obtenção de grão
mais fino, normalmente opta-se pela redução do tamanho de grão para uma
faixa ideal.
Outro aspecto
importante é a ausência de manchas, que podem exigir a realização de limpeza,
a qual ataca ligeiramente a superfície do material, exigindo maior trabalho
de polimento para atingir a qualidade superficial necessária para certas
aplicações. Uma importante fonte causa do surgimento de manchas é o uso de
lubrificantes durante as operações de conformação mecânica do material, os
quais causam manchas durante o tratamento térmico posterior. Normalmente o
custo final é menor quando se realiza uma operação de limpeza antes do
tratamento térmico, ou mesmo uma limpeza adicional após o tratamento.
A presença de óxidos,
em geral formados durante a fundição ou durante o tratamento térmico, também
compromete a qualidade superficial do material, podendo resultar em diversos
tipos de defeitos no produto final. Entretanto, a realização de operações de
usinagem, como fresagem, por exemplo, evita, ou pelo menos minimiza a
presença de defeitos oriundos da presença de óxidos.
Fatores que afetam o Tratamento Térmico
O primeiro requisito é a uniformidade da têmpera. Já foi mencionado que o
tamanho de grão é a grandeza padrão para determinar a têmpera. Outro aspecto
a ser considerado é o acabamento superficial, que determina o tipo de forno,
combustível, atmosfera protetora e limpeza a ser realizada antes e após o
aquecimento. A temperatura especificada determina o tipo de forno, se de
construção leve ou pesada, o tipo de combustível e o tipo de controles
necessários. A temperatura também afeta o acabamento. Lubrificantes usados
no processamento do metal podem ser queimados em temperaturas elevadas,
deixando um depósito que adere à superfície, enquanto baixas temperaturas
não permitem a queima completa dos óleos, exigindo a limpeza do metal antes
do tratamento térmico. O recozimento em baixa temperatura se constitui em
uma ajuda considerável ao recozimento limpo de ligas contendo zinco.
O tempo durante o qual
o material é mantido no forno é determinado pela massa a ser aquecida e pelo
método de carregamento. De um modo geral quanto menos tempo o material
permanece no forno, mais limpo ele estará ao término do aquecimento. O uso
de ventiladores, que promovem a circulação forçada de ar em câmeras de
aquecimento e de resfriamento, pode reduzir o tempo dessas operações em até
30 %.
Atmosferas Protetoras
Atmosferas protetoras para o recozimento limpo são utilizadas no forno para
evitar/minimizar a oxidação do material recozido durante os ciclos de
aquecimento e resfriamento. Cobre comercialmente puro e ligas de cobre que
não contêm zinco podem ser facilmente recozidas de modo limpo (sem deixar
manchas).
Devido ao fato de que
o cobre e suas ligas não são facilmente oxidados por vapor d’ água nem por
CO2, têm sido usadas atmosferas protetoras de vapor, de gás parcialmente
queimado e de carvão de lenha parcialmente queimado por muitos anos.
Ligas de cobre e zinco necessitam de decapagem mesmo após o uso de
atmosferas protetoras, porque o zinco difunde para a superfície, causando
descoloração e um depósito que aumenta o desgaste da ferramenta em operações
de conformação subseqüentes. Essa dificuldade é aumentada pelo alto teor de
zinco, pelas altas temperaturas de recozimento e por longos períodos de
aquecimento e de resfriamento. O latão para cartuchos apresenta grande
dificuldade para ser recozido sem deixar manchas.
É prática usual hoje
em dia fazer um recozimento sem manchas de cobre, cuproníquel, bronze
fosforoso ou outra liga que não contém zinco sem posterior decapagem e
limpeza. A alpaca contendo 20 % de zinco é uma exceção e pode ser recozida
sem manchas em fornos contínuos nos quais os ciclos de aquecimento e
resfriamento são de curta duração.
O enxofre provoca o
surgimento de manchas nessas ligas e portanto deve ser mantido em teores
muito baixos. Se o material apresentar uma superfície suja como decorrência
de oxidação prévia, decapagem insuficiente ou queima de lubrificantes,
certamente também apresentará uma superfície suja após o recozimento. Os
melhores resultados são obtidos quando o material é submetido a uma limpeza
antes do recozimento. Cloretos provocam o surgimento de manchas e embora não
sejam encontrados usualmente, podem aparecer como resultado do uso de
algumas soluções de limpeza usadas antes ou depois do recozimento. O
material deve ser inserido no forno a uma taxa constante e razoável de modo
a assegurar que os produtos de combustão sejam suficientes para carrear todo
o ar não queimado. Geradores de atmosferas protetoras para suplementar gases
dos queimadores do forno constituem-se em uma expressiva ajuda à operação
desse tipo de forno, particularmente durante o carregamento ou esvaziamento
do forno.
De um modo geral, a
maneira pela qual o material deve ser aquecido depende da liga, da forma, da
quantidade, da uniformidade e do acabamento requeridos para o produto e do
tipo de forno no qual o mesmo é aquecido.
Critérios para a Seleção de Novos Fornos, Equipamentos e Combustíveis
Na escolha do tipo de forno mais adequado ao tratamento térmico das ligas de
cobre o fator mais importante de todos é o tipo de combustível a ser
utilizado, pois envolve economia, disponibilidade, controle automático e
teor de enxofre. Ligas com alto teor de cobre são manchadas pelo contato com
o enxofre proveniente do combustível. Em geral o óleo apresenta maior
disponibilidade do que o gás, mas, por outro lado, acarreta problemas
relacionados à presença de enxofre. É um combustível insatisfatório para
fornos com controle automático, porque os queimadores são mais suscetíveis a
problemas, necessitando de atenção e manutenção constantes. Para
temperaturas inferiores a 600 ºC é complicado manter um controle de chama
quando se usa esse tipo de combustível, sendo a fumaça resultante uma
autêntica fonte de perturbações.
A ASTM (American
Societey for Testing and Materials) especifica um limite máximo de teor de
enxofre de 0,50 % para óleos destinados ao uso como combustíveis em fornos
para aquecimento de tarugos e barras, e de 0,20 % para óleos usados como
combustíveis em fornos utilizados para recozimento final.
O gás é um combustível
mais satisfatório que o óleo, por causa da menor necessidade de manutenção
de queimadores e do melhor controle automático, especialmente para
temperaturas mais baixas. O tratamento de alívio de tensões de ligas de
cobre é realizado freqüentemente em temperaturas tão baixas como 200 ºC.
O enxofre também acarreta problemas quando presente no gás manufaturado, e
quanto menor o teor de enxofre, melhor o acabamento superficial. Acredita-se
que o enxofre, quando completamente queimado num forno aberto, não manche o
cobre e suas ligas. Muitos fornos utilizam chama aberta em suas câmeras. O
propano e o butano liqüefeito podem ser usados com resultados relativamente
satisfatórios.
Queimadores com tubos radiantes podem ser usados em fornos cujo combustível
é o gás, porém é necessária a convecção forçada para garantir a uniformidade
do aquecimento. O custo pode ser inferior ao da energia elétrica e
praticamente o mesmo dos fornos que utilizam gás diretamente queimado.
A eletricidade é usada
no aquecimento de modo muito satisfatório, porém a um custo em geral mais
elevado do que o do óleo e o do gás. Apresenta como inegável vantagem a
inexistência dos problemas relacionados à presença de enxofre. No caso do
forno aquecido por energia elétrica é essencial o uso de ventiladores para
garantir a convecção forçada necessária para assegurar a uniformidade do
aquecimento. O calor em geral é fornecido por barras (resistores) colocadas
no interior do forno.
Há vários sistemas de aquecimento que utilizam o próprio tubo ou arame fino
de latão para promover o aquecimento destes materiais, usando a própria
resistência elétrica dos mesmos. Porém o aquecimento por indução de cobre e
latões é geralmente limitado a algumas aplicações específicas, como a
brasagem e a soldagem de estruturas.
Determinação do
Tratamento Térmico para Usos Específicos
Só há um modo seguro para determinar o tempo, a temperatura e o volume de
carga necessários para garantir uniformidade de tratamento, que é o registro
dos intervalos de tempo e de temperaturas relacionadas entre a superfície e
o interior das peças aquecidas. Para qualquer temperatura final ocorre pouco
crescimento de grão após a primeira hora de aquecimento. Pequenos objetos
apresentam pouca diferença de temperatura entre a superfície e o interior,
de modo que a uniformidade de aquecimento pode ser obtida ao ser manter a
temperatura por períodos relativamente curtos.
Variações devido a
composição, impurezas, lubrificantes, emissividade térmica superficial,
bitola, balanço térmico no forno e outros fatores, são todas causas de não
uniformidade quando o tempo de aquecimento é curto. Evidentemente ciclos
térmicos mais longos, minimizam esses efeitos.
A uniformidade do
tratamento térmico deve ser considerada conjuntamente com o custo necessário
para mantê-la. Os tratamentos térmicos de menor custo são realizados com
altos gradientes térmicos, cargas pesadas e ciclos curtos. Esse tipo de
tratamento requer menor investimento na capacidade do forno por unidade de
massa de material tratado, produzindo maior rotatividade de material.
Entretanto, é esperado que o custo da uniformidade de tratamento e da
qualidade superficial sejam compensados pela economia alcançada durante as
operações de conformação e de acabamento [3].
Recristalização e Controle do Tamanho de Grão no Cobre e suas Ligas
A rugosidade da superfície do material aumenta com o crescimento do grão.
Outra propriedade afetada pelo tamanho de grão é a resistência à fluência (deformação
eme elevadas temperaturas), que aumenta com o aumento do tamanho de grão. A
resistência à fadiga e à corrosão sob tensão também são afetadas pelo
tamanho de grão.
O tamanho de grão pode
ser determinado por diferentes métodos de metalografia quantitativa. Um
deles é o método comparativo, pelo qual uma imagem micrográfica da amostra é
comparada com um padrão estabelecido pela ASTM. Outro método utilizado com a
mesma finalidade é o dos interceptos, no qual o tamanho de grão é definido a
partir do número de interseções que os contornos dos grãos fazem com uma
linha horizontal com comprimento definido na norma relativa a esse tipo de
ensaio. Embora seja um método mais lento, costuma ser mais preciso do que o
método comparativo. Além disso, atualmente, com o avanço dos sistemas de
processamento digital de imagens, o uso de programas computacionais
específicos permite ainda melhorar essa precisão simultaneamente com uma
redução acentuada do tempo de determinação do tamanho de grão.
Os valores nominais
dos tamanhos de grãos no cobre monofásico (alfa) usualmente variam entre
0,015 e 0,120 mm, porém em geral o tamanho de grão máximo de uma mesma
amostra atinge cerca de duas vezes o tamanho de grão mínimo.
Tamanho de Grão dos Latões (Ligas Cobre-Zinco)
De um modo geral entre os latões a dutilidade sempre aumenta com o aumento
do tamanho de grão, porém esse efeito é ainda mais intenso nas ligas com
maior teor de zinco, ao contrário do cobre comercialmente puro, que não
mostra esse aumento de dutilidade com o tamanho de grão, podendo até mesmo
apresentar decréscimo de dutilidade para valores mais altos de tamanho de
grão.
A resistência á fadiga
e a razão entre resistência à fadiga e resistência à tração aumentam com o
decréscimo do tamanho de grão. Entretanto, para níveis de deformação da
ordem de reduções de espessura em laminação entre 37 e 60 % a razão entre
resistência à fadiga e resistência à tração praticamente não varia com o
tamanho de grão prévio.
Os latões com maior
teor de zinco são suscetíveis à corrosão sob tensão e essa susceptibilidade
varia com o tamanho de grão, sendo maior quando o tamanho de grão é menor.
A condutividade
elétrica das ligas de cobre monofásicas recozidas praticamente não é afetada
pelo tamanho de grão e conseqüentemente pela temperatura de recozimento,
porém o mesmo não corre com cobres comercialmente puros, como o eletrolítico
e em geral cobres contendo oxigênio: a condutividade ótima é obtida ao se
realizar o recozimento numa determinada faixa restrita de temperaturas. A
condutividade elétrica do cobre recozido aumenta com a temperatura de
recozimento até aproximadamente 500 ºC e em seguida diminui. Isso não é
exatamente um efeito do tamanho d grão, mas sim da variabilidade da
solubilidade do oxigênio e de impurezas em geral no cobre.
Ao contrário dos
latões, para outras ligas de cobre, como os bronzes ao estanho e fosforosos,
não há tanta necessidade de rigoroso controle do tamanho de grão. Estas
ligas á base de cobre e estanho são usadas freqüentemente na condição de
trabalhadas a frio. Não importando o teor de estanho do bronze, quanto maior
o tamanho de grão, no intervalo de 0,015 a 0,050 mm, menor a resistência á
tração e maior o alongamento (medida de dutilidade).
Entre os cobres
comercialmente puros, o eletrolítico (ETP ou C110) é o que apresenta a mais
baixa temperatura de recristalização, o que é esperado devido ao alto grau
de pureza e o efeito do oxigênio sobre outras impurezas. A presença de prata,
mesmo residual, provoca aumento na temperatura de amolecimento. O cobre OFHC
(C102, de alta condutividade e sem oxigênio) apresenta maior temperatura de
amolecimento do que o ETP, devido ao fato de que, na ausência de oxigênio,
as impurezas residuais, mesmo desprezíveis no que concerne às aplicações do
material, causam um pequeno efeito de endurecimento por solução sólida,
elevando a temperatura de amolecimento. Este efeito é ainda mais pronunciado
nos cobres que contêm fósforo, como o DLP e o DHP (C 120 e C122). Em geral
os cobres comercialmente puros sofrem recristalização completa em
temperaturas relativamente baixas, porém a taxa de crescimento de grão com o
aumento da temperatura de recozimento é baixa. Em temperaturas
intermediárias é comum aparecerem grãos com diferentes tamanhos misturados.
Isso torna o controle de tamanho de grão dos cobres comercialmente puros bem
mais complicado do que o dos latões, nos quais o crescimento de grão é mais
consistente em todo o intervalo de temperaturas de recozimento. Quanto maior
o grau de deformação, mais alta será a temperatura na qual ocorrerá o
crescimento rápido de grão. O cobre de elevada pureza que é submetido a um
grau de deformação muito elevado (95 a 97,5 % de redução em espessura)
recristaliza à temperatura ambiente após longo tempo. Por exemplo, o cobre
eletrolítico trefilado 84 % recristaliza em cerca de 50 % após
aproximadamente 6000 horas a 150 ºC e recristaliza completamente a 200 ºC em
poucas horas. O cobre sem oxigênio severamente deformado apresenta
características muito semelhantes às do cobre eletrolítico no que diz
respeito à recristalização e às características de amolecimento (ao
contrário do mesmo cobre recozido), devido à variabilidade das pequenas
porém importantes quantidades de impurezas nesse tipo de cobre. O cobre com
fósforo severamente deformado apresenta características de recristalização e
amolecimento intermediárias entre às do cobre com arsênico e os cobres
eletrolítico e sem oxigênio.
Os latão monofásico (alfa)
com 67 % de cobre e 33 % de zinco ao ser laminado em diferentes graus de
deformação, de 13 a 75 %, não amolece abaixo de 200 ºC. A aproximadamente
200 ºC o mesmo material laminado com redução de espessura de 75 % apresenta
um certo amolecimento. Para uma redução de 56 % o amolecimento inicial
ocorre a 250 ºC. As curvas individuais de amolecimento coincidem a cerca de
330 ºC e mantêm essa mesma relação em temperaturas mais elevadas, concluindo-se
assim que a condição final resultante do recozimento é independente da
deformação prévia.
Quando o latão 70-30
laminado em 50 % e recozido por 20 minutos a 800 ºC e então laminado em
vários graus diferentes e recozido por 30 minutos num certo intervalo de
temperaturas, verifica-se que a recristalização pode ser constatada em
temperaturas cada vez mais baixas à medida que o grau de deformação aumenta,
sendo que os grãos primeiramente recristalizados tornam-se cada vez menores.
O tamanho de grão em temperaturas mais baixas diminui à medida que o grau de
deformação a frio prévio aumenta. Em temperaturas mais altas este efeito
desaparece.
No latão 68-32 ocorre
significativa dispersão nos valores finais de tamanho de grão resultantes de
temperaturas de recozimento mais baixas. No intervalo mais baixo o tamanho
de grão final aumenta com o aumento do tamanho de grão inicial, dificultando
a obtenção de grãos finos ao final do processo quando os grãos iniciais são
muito grandes.
Outro fator importante
para o resultado final de tamanho de grão é a taxa de aquecimento. O tamanho
de grão do latão aumenta com o aumento do tempo de recozimento, porém a
temperatura final atingida no recozimento é de maior importância do que o
tempo de manutenção da temperatura. O tamanho de grão médio pode ser
aproximadamente dobrado por um aumento de 25 vezes no tempo de recozimento
numa dada temperatura.
A temperatura para
início de recristalização ou amolecimento de uma ampla variedade de latões
contendo de 5 a 35 % de zinco apresenta pouca variação para diferentes
condições de processamento. Entretanto, a temperatura de amolecimento de
ligas contendo de 0 a 40 % de zinco aumenta até atingir um valor máximo para
5 % de zinco e depois cai suavemente com o aumento do teor de zinco. A
temperatura necessária para produzir um dado tamanho de grão aumenta com o
teor de cobre até 90 %.
Efeito das
Impurezas no Recozimento do Latão
A solubilidade, no estado sólido, do ferro no latão é pequena, porém varia
muito para um dado intervalo de temperaturas: 0,05 % a 500 ºC, 0,15 % a 600
ºC e 0,3 % a 700 ºC. O efeito do ferro no tamanho de grão do latão depende
essencialmente da condição em que este elemento se encontra: em solução
sólida ou formando uma segunda fase (partícula intermetálica) que restringe
o crescimento de grão. Até um teor de ferro de no máximo cerca de 0,012 %
esse efeito de restrição não ocorre no latão 70-30. Acima desse limite
ocorre uma acentuada restrição no tamanho de grão, principalmente quando a
temperatura de recozimento é inferior a aproximadamente 650 ºC.
No latão 65-35 ocorre
diminuição do tamanho de grão até um teor de ferro de 0,05 %. Entretanto,
deste valor até 0,08 % ocorre uma substancial recuperação do tamanho de grão
e um acentuado decréscimo do tamanho de grão para teores de ferro mais
elevados, a não ser que o recozimento seja efetuado em temperaturas muito
altas. A acentuada restrição ao crescimento de grão, que ocorre nas
temperaturas mais baixas se deve ao efeito das partículas que contêm ferro e
atuam como obstáculos ao movimento dos contornos de grãos e a inexistência
deste efeito em temperaturas mais altas se deve à dissolução dessas
partículas (solubilização do ferro) nestas temperaturas mais elevadas. Deste
modo, com o aumento da temperatura reduz-se o efeito do ferro como inibidor
do crescimento de grão do latão. O material destinado ao embutimento ou
estampagem deve apresentar teor de ferro de no máximo 0,02 %, uma vez que
teores da ordem de 0,03 % já são suficientes para inibir fortemente o
crescimento do grão.
O cromo é pouco
solúvel no cobre e nas ligas de cobre no estado sólido e assim apresenta um
pronunciado efeito de inibir o crescimento do grão de latão, principalmente
em teores inferiores a 0,01 %.
O fósforo também é
outro inibidor do crescimento de grão nos latões, porém acima de 770 ºC esse
efeito pode ser reduzido, mesmo quando o teor de fósforo é elevado. No latão
70-30 um teor de fósforo de 0,005 % já reduz o tamanho de grão de 0,100 para
0,060 mm.
O alumínio em teores
de até 0,13 % quase não influi no tamanho de grão, no amolecimento ou na
recristalização. Acima de 0,13 % o alumínio já passa a atuar como inibidor
do crescimento de grão no latão.
O chumbo pouco afeta o
amolecimento inicial, porém retarda consideravelmente o crescimento de grão
dos latões, mesmo para teores tão baixos como 0,06 %. Como o limite de
solubilidade do chumbo no latão é muito baixo em diferentes temperaturas,
inferior a 0,02 %, a restrição ao crescimento de grão se deve às partículas
de chumbo que atuam como obstáculos ao movimento dos contornos de grãos.
O manganês, quando
presente em teores de até 0,13 %, apresenta um efeito insignificante no
amolecimento inicial e na recristalização. Quando o grão é maior, esse
efeito é menos insignificante.
O níquel também em
teores de até 0,13 % não apresenta nenhum efeito no amolecimento inicial, na
recristalização nem no crescimento de grão subseqüente.
O silício, mesmo em teores tão baixos como 0,017 % apresenta um acentuado
efeito de retardamento do amolecimento inicial e da recristalização dos
latões. O grau de retardamento desse amolecimento inicial parece ser
diretamente proporcional ao teor de silício, embora acima da temperatura de
recristalização completa não haja efeito significativo.
O estanho, quando
presente em teores de até 0,096 % não apresenta efeito no amolecimento e no
crescimento de grão em temperaturas baixas e moderadas. A 610 ºC é
perceptível um efeito de retardamento, porém modesto e não significativo,
com o aumento do teor de estanho.
Quando o ferro e o
fósforo estão presentes em teores significativos nos latões, os efeitos de
retardamento do amolecimento, da recristalização e do crescimento de grão
são ainda mais acentuados dos que ocorrem com cada elemento isoladamente.
Isso se deve à formação de compostos químicos pelos elementos (impurezas)
como o Fe2P. A solubilidade deste fosfeto de ferro é muito pequena em muitas
temperaturas, entre as quais as temperaturas de recozimento dos latões. O
crescimento de grão já sofre uma considerável restrição para teores tão
baixos como 0,01 % Fe e 0,03 % P. Acima de 0,018 % Fe e 0,05 % P não ocorre
aumento do efeito de inibir o crescimento de grão com o aumento do teor
dessas impurezas. A combinação Fe-P, embora pouco afete o amolecimento,
retarda significativamente a conclusão da recristalização. O fósforo é
adicionado intencionalmente a alguns latões de alto teor de cobre, como o
90-10, por exemplo, para melhorar a qualidade dos produtos fundidos, mas
isso simultaneamente introduz dificuldades no recozimento do mesmo material
trabalhado a frio. O efeito restritivo ao crescimento de grão torna-se
pronunciado à medida que o teor de ferro cresce acima de 0,004 % para a
temperatura de recozimento de 566 ºC. A 649 ºC o efeito restritivo é menor,
porém se desenvolve uma microestrutura de grãos mistos quando o teor de
ferro é de 0,05 % e o de fósforo de 0,02 %, devido à parcial solubilização
do ferro e do fósforo. Outras ligas de cobre também apresentam não
uniformidade de tamanho de grão devido à presença de ferro e fósforo.
O níquel e o fósforo
juntos, do mesmo modo que ocorre com o ferro e o fósforo, podem ser
adicionados a ligas de cobre com o propósito de obter o efeito de
endurecimento por precipitação, sendo que a solubilidade desses elementos em
temperaturas de recozimento moderadas é baixa. Nos latões o crescimento e
grão é significativamente retardado pela presença simultânea desses dois
elementos., sendo esse efeito mais pronunciado do que o causado pela
presença do fósforo somente, principalmente em temperaturas mais baixas, e
os resultados são semelhantes aos alcançados com a presença de ferro e
fósforo nos latões.
Embora a presença do
níquel sozinho não acarrete nenhum efeito de restrição ao crescimento de
grão nos latões, quando adicionalmente o silício está presente (em teores de
até 0,07 % conjuntamente com teor de níquel da ordem de 0,014 %), ocorre
significativo retardamento do amolecimento e do crescimento de grão. Esse
efeito pode ser atribuído á formação de uma segunda fase do tipo siliceto de
níquel, que se dissolveria em temperaturas acima de 650 ºC. Entretanto, o
recozimento a 540 ºC produz uma microestrutura com tamanhos de grãos mistos.
A presença simultânea
do berílio (0,041 %) e do ferro (0,062 %) afeta o amolecimento, aumenta a
temperatura de recristalização e restringe acentuadamente o crescimento de
grão. Como o teor de ferro da ordem de 0,062 % não é suficiente para
aumentar a temperatura de recristalização significativamente, e seu efeito
de restrição ao crescimento de grão é apenas moderado, o efeito observado
quando ambos os elementos estão presentes nestes teores pode ser atribuído
tanto à presença do berílio somente como também à combinação berílio-ferro.
Prática Comercial de Recozimento das Ligas de Cobre
Os fornos normalmente utilizados no recozimento das ligas de cobre são
classificados como fornos de batelada, semicontínuos e contínuos. A energia
térmica é fornecida a esses fornos por meio de eletricidade ou combustão de
gás ou óleo. Este último combustível é mais usado para o recozimento de
metais nas etapas iniciais do processamento. Atualmente a maior parte dos
recozimentos é feita com controle de atmosfera, de modo a se obter
superfícies com excelente acabamento, do tipo brilhante, semibrilhante ou “limpo”,
sendo muito pequena a necessidade de decapagem. Materiais como cobre e
cuproníquel podem ser recozidos para se obter acabamento brilhante sem
necessidade de limpeza ou decapagem. Já os latões com maiores teores de
zinco são mais freqüentemente acabados com superfície semibrilhante ou “limpa”,
necessitando de uma leve etapa de decapagem.
O recozimento
“brilhante” do cobre contendo oxigênio (C110 = ETP, por exemplo) é realizado
em temperatura igual ou inferior a 480 ºC. Esta restrição de temperatura é
necessária para evitar a fragilização por hidrogênio desse tipo de cobre,
que ocorre em temperaturas mais altas devido á presença de hidrogênio na
atmosfera redutora do forno.
O tempo necessário
para aquecer uma peça metálica num ciclo de recozimento varia
consideravelmente de acordo com o tipo de forno e do seu modo de operação,
podendo variar de alguns poucos minutos no caso de fornos contínuos a várias
horas no caso de alguns fornos de batelada. Além desses limites estão os
poucos segundos necessários para o aquecimento por resistência elétrica de
tubos condensadores individuais de latão e a curta imersão de alguns tipos
de materiais em banhos de sais fundidos.
A taxa de aquecimento
nos equipamentos comerciais comuns não é de grande importância para atingir
um determinado tamanho de grão final, mas deve ser tomado cuidado para
garantir um aquecimento o mais uniforme possível. A transferência de calor é
facilitada, particularmente em baixas temperaturas, pelo uso de ventiladores
e sopradores. Muitas das peças tratadas não atingem a temperatura nominal do
forno, principalmente em fornos contínuos, e essa diferença entre
temperatura do forno e temperatura máxima do metal varia de acordo com as
condições do forno, porém é controlada. Para um efetivo controle do tamanho
de grão é essencial que o forno de tratamento térmico esteja suficientemente
calibrado, ou seja, que a temperatura nominal do forno, o tipo e o peso da
carga, o tempo de aquecimento , a liga e o tamanho de grão estejam
correlacionados.
A tabela 8.5 apresenta
valores de temperaturas de recozimento para as ligas de cobre mais
utilizadas na prática industrial.
Tabela
8.5 – Temperaturas de Recozimento de Ligas de Cobre
|
Nome da Liga |
Composição Química Nominal (%) |
Temperatura de Recozimento (ºC) |
|
Cobre
Eletrolítico (ETP) |
99,92
Cu – 0,04 P |
370 -
650 |
|
Cobre
Desoxidado com Fósforo |
99,94
Cu – 0,02 P |
370 -
650 |
|
Tomback
95-5 |
95 Cu –
5 Zn |
425 -
790 |
|
Tomback
90-10 |
90 Cu –
10 Zn |
425 -
790 |
|
Latão
Vermelho 85-15 |
85 Cu –
15 Zn |
425 –
730 |
|
Latão
Vermelho 80-20 |
80 Cu –
20 Zn |
425 –
705 |
|
Latão
para Cartuchos |
70 Cu –
30 Zn |
425 –
760 |
|
Latão
Amarelo |
65 Cu –
35 Zn |
425 –
705 |
|
Metal
de Muntz |
60 Cu –
40 Zn |
425 -
595 |
|
Latão
Comercial com Chumbo |
89 Cu –
1,75 Pb – 9,25 Zn |
425 -
650 |
|
Latão
com Baixo Chumbo (Tubo) |
67 Cu –
0,5 Pb – 32,5 Zn | |