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a) Trabalho
mecânico nas ligas de cobre
Os principais processos de fabricação de ligas de cobre envolvendo
trabalho mecânico são a laminação, a trefilação, a extrusão e o forjamento.
Os limites de composição química (teores máximos e mínimos exigidos pelas
normas ASTM) estão dentro de intervalos mais estreitos no caso das ligas
trabalhadas quando comparadas com as ligas fundidas, ou seja, determinadas
composições químicas que são adequadas para fundição em areia ou em molde
permanente, são totalmente inaceitáveis para ligas a serem trabalhadas
mecanicamente, quando a dutilidade ou maleabilidade não for suficiente.
Dependendo do tipo de liga o produto resultante da conformação da liga de
cobre pode ser placa, chapa, tira, barra, vergalhão, arame ou tubo sem
costura. Os principais elementos de liga com o cobre são o zinco, o estanho,
o chumbo, o níquel, o silício ou o alumínio, e em menor grau de importância
o manganês, o cádmio, o ferro, o fósforo, o arsênio, o cromo, o berílio, o
selênio e o telúrio.
As faixas de
composição química de ligas de cobre trabalhadas são periodicamente
modificadas para se ajustarem às práticas de conformação, no que diz
respeito às necessidades dos consumidores.
Efeitos dos elementos
de liga: o zinco é o mais importante elemento de liga no caso das ligas de
cobre, sendo usado não apenas em diferentes tipos de latões, mas também nas
alpacas. A maioria dos latões está contida no campo monofásico alfa,
apresentando assim boa conformabilidade a frio. Os latões com teores de
zinco mais elevados, em torno de 40 %, são indicados somente para o trabalho
a quente. A adição de zinco reduz a temperatura de fusão, a densidade, as
condutividades térmica e elétrica e o módulo de elasticidade. Por outro
lado, aumenta o coeficiente de expansão térmica, a resistência mecânica e a
dureza. A capacidade de encruamento aumenta com o teor de zinco, mas o latão
monofásico binário C 260 (70 % de cobre e 30 5 de zinco) possui a melhor
combinação de resistência mecânica e dutilidade. Nas ligas nas quais o zinco
não é adicionado propositalmente como elemento de liga, ele é uma impureza
que deve ser controlada para não ultrapassar um limite máximo especificado.
O chumbo é adicionado
em cerca de 1/3 das ligas de cobre em teores que vão até 4 % no máximo, que
é o limite para manter boas características de trabalhabilidade. No estado
sólido este elemento não se dissolve na liga de cobre, mas fica distribuído
como partículas de chumbo livre. Sua principal função é aumentar a
usinabilidade, ou seja, favorecer as operações de corte. O chumbo aumenta a
densidade e reduz a condutividade. Nas ligas nas quais não está presente
como elemento de liga adicionado propositalmente, o chumbo é uma impureza
que deve ser bastante restrita para não prejudicar a trabalhabilidade da
liga. No latão para cartuchos o teor de chumbo deve ser inferior a 0,01 %
para o trabalho a quente, enquanto nas alpacas não deve ser superior a 0,02
% para não afetar a trabalhabilidade.
O estanho é um
elemento de liga essencial no grupo dos bronzes fosforosos. As ligas que são
trabalhadas a frio podem conter estanho no máximo até 10 %, pois até esse
teor tais ligas são monofásicas (somente fase alfa). A adição do estanho ao
cobre aumenta significativamente sua resistência mecânica e sua dureza,
enquanto reduz seu ponto de fusão, densidade e condutividades térmica e
elétrica. O estanho também é adicionada a alguns latões em teores de até 1 %
com o objetivo de melhorar a resistência à corrosão por dezincificação em
água do mar, além de aumentar o limite de escoamento, a resiliência e a
resistência à fadiga necessários às molas feitas com bronze fosforoso.
Entretanto, o efeito da adição de estanho é menor nos latões de alto teor de
cobre.
O níquel modifica a
coloração da liga de cobre de modo que o cuproníquel é praticamente branco.
A adição do níquel ao cobre aumenta a resistência mecânica e a dureza, mas a
capacidade de encruamento dos cuproníqueis é inferior à de outras ligas de
cobre. O níquel reduz significativamente as condutividades térmica e
elétrica, e reduz ligeiramente o coeficiente de expansão térmica. Por outro
lado, aumenta substancialmente o módulo de elasticidade. Como tem densidade
semelhante à do cobre, o níquel não afeta esta propriedade. Embora o níquel
e o cobre sejam mutuamente solúveis em qualquer proporção, por motivos de
ordem técnica no processamento das ligas, o teor de níquel comercial costuma
ser limitado no máximo em 30 %. Acima desse teor o ponto de fusão e a
temperatura de recozimento tornam-se muito altas para os fornos industriais,
e a resistência ao trabalho a frio fica muito elevada para os laminadores
comuns. Os cuproníqueis são particularmente adequados para aplicações em
altas temperaturas. Nas alpacas as diversas combinações de níquel e zinco
produzem uma grande variedade de ligas com coloração prateada, com
propriedades de trabalho mecânico que se aproximam às dos latões comerciais.
O silício pode estar
presente nas ligas de cobre em teores de até 3 %, que é o limite para a
obtenção de ligas monofásicas alfa com boa trabalhabilidade. A adição de
silício aumenta a taxa de encruamento rapidamente, embora na têmpera macia a
dutilidade seja muito elevada. O silício reduz o ponto de fusão, a densidade
e as condutividades térmica e elétrica. A excelente soldabilidade das ligas
cobre-silício favorece a aplicação comercial dessas ligas.
O alumínio, nas ligas
cobre-alumínio, deve ser limitado em até 10 % nas ligas trabalhadas, embora
o trabalho a frio exija teores inferiores a 8 % para que seja possível obter
uma microestrutura monofásica (fase alfa) que garanta suficiente dutilidade.
O trabalho a quente é favorecido quando os teores de alumínio estão entre 8
e 10 %, devido à presença de fase beta, que facilita a laminação a quente, a
extrusão e o forjamento. O alumínio reduz o ponto de fusão, a condutividade
elétrica e térmica, além da reduzir a densidade de modo muito significativo.
O manganês é um
elemento secundário que favorece o refino dos grãos n as ligas Cu-Mn e Cu-Al.
Em pequenos teores é adicionado aos cuproníqueis e alpacas para favorecer a
laminação e nas ligas Cu-Si, além refinar os grãos, aumenta a soldabilidade.
Como reduz muito a condutividade elétrica é bastante útil nas ligas Cu-Mn de
alta resistividade.
O uso do fósforo nas
ligas de cobre praticamente se resume aos bronzes fosforosos, nos quais está
presente em teores de até 0,50 %. Sua função básica é a de agente
desoxidante nos bronzes fosforosos, nos quais seu teor residual também
melhora as propriedades mecânicas. No latão do almirantado e no latão
contendo alumínio o fósforo ajuda a inibir a dezincificação. Seu efeito na
redução da condutividade elétrica é muito forte. Em combinação com pequenos
teores de níquel forma o fosfeto de níquel, que mediante tratamento térmico
produz o efeito de endurecimento por precipitação, além de, por não estar em
solução sólida, não ter um efeito tão negativo sobre a condutividade
térmica, sendo pelos mesmos motivos usado em ligas cobre-zinco-estanho com
alto teor de cobre. Como impureza no latão o fósforo afeta o crescimento de
grão, alterando o resultado do recozimento.
O ferro é usado como
elemento de liga apenas em pequenos teores da ordem de até 2,5 % e mesmo
assim somente em poucas ligas de cobre. Quando presente no bronze de
manganês (Cu-Mn) ou nas ligas Cu-Al e Cu-Si, em teores não muito altos,
favorece o refino de grão e aumenta a resistência mecânica. Também em
pequenos teores aumenta a resistência à corrosão do cuproníquel em águas
marinhas. Está presente como impureza em t0odas as ligas de cobre e quando a
contaminação do latão alfa é excessiva, além do limite usual de 0,05 %, esse
efeito no tamanho de grão pode afetar o efeito desejado para os tratamentos
térmicos, além de afetar a susceptibilidade magnética das ligas de cobre,
normalmente não magnéticas, quando o teor de ferro é excessivo.
O arsênio é usado em
ligas de cobre apenas como inibidor da dezincificação em latões do
almirantado e latões com alumínio em ambientes corrosivos, porém o teor de
arsênio não deve ultrapassar valores da ordem de alguns centésimos
percentuais.
O cádmio pode ser adicionado ao cobre em teores de até 1 por cento, de modo
que se obtenha uma composição que resulte em suficiente dutilidade e
maleabilidade para operações de laminação. Esse elemento é bastante útil
para aumentar a resistência mecânica e a resistência ao desgaste do cobre
com menor diminuição da condutividade elétrica do que a causada pela adição
de outros elementos. Por esse motivo o cobre-cádmio é indicado para
aplicações em cabos de trólebus, linhas de energia de longo alcance e outras
aplicações semelhantes. As mesmas vantagens fazem com que essas ligas sejam
indicadas para a fabricação de eletrodos de soldagem por resistência
elétrica.
O berílio é adicionado
ao cobre em teores de até 2 % com o objetivo de se obter o efeito de
endurecimento por precipitação, que proporcionam dureza e resistência
mecânica muito superiores às das demais ligas de cobre. A liga Cu-Be é bem
dútil devido ao amolecimento causado pelo recozimento/solubilização e
resfriamento rápido que antecedem as operações de
trabalho a frio, às quais se seguem o envelhecimento em temperaturas
relativamente baixas. Em alguns casos o cobalto é utilizado juntamente com o
berílio em algumas ligas.
Tanto o selênio como o telúrio podem ser
adicionados em pequenos teores para a obtenção de uma liga de baixos teores
e alta usinabilidade e trabalhabilidade a quente, ao mesmo tempo mantendo
boa resitência mecânica e condutividade elétrica.
Propriedades como densidade, coeficiente de expansão térmica, condutividades
térmica e elétrica, temperaturas solidus e liquidus, entre outras, são
consideradas propriedades físicas das ligas de cobre, porque dependem
basicamente da composição química das ligas, ao passo que propriedades como
dureza, resistência mecânica, resistência á fadiga, tenacidade, entre
outras, são fortemente dependentes das condições de tratamentos
termomecânicos, razão pela qual são consideradas como propriedades mecânicas
das ligas.
O coeficiente de expansão térmica varia com a
temperatura e ligeiramente com a composição química. A resistividade
elétrica e sua recíproca condutividade térmica variam bastante com a
variação da composição química, embora também sejam afetadas pelo trabalho
mecânico (a condutividade é reduzida). O módulo de elasticidade em tração e
o módulo de rigidez são afetados pela variação de composição química até
certo grau. A razão de Poisson para as ligas de cobre trabalhadas é de
aproximadamente 0,33.
Define-se como tira o material laminado com
até 4,775 mm de espessura e até 508 mm de largura. Chapa é o material com
até 4,775 mm de espessura e largura superior a 508 mm. Barra é o material
com espessura acima de 4,775 mm e largura até 304, 8 mm. E placa é o
material com mais de 4,7775 mm de espessura e largura superior a 304,8 mm.
O recozimento é definido em diferentes graus
(têmperas) de acordo com o tamanho de grão nominal definido em mícron: 100,
70, 50, 35, 25 e 15. Têmperas de laminação ou trefilação (trabalho a frio):
1/8 duro, 1/4 duro, 1/2 duro, duro, extraduro, mola e extramola. Têmperas de
trabalho a quente (acabado a quente) incluem como laminado a quente e como
extrudado.
A resistência à tração é a propriedade
mecância básica como referência para produtos laminados e a resistência ao
escoamento a 0,5 % de extensão ou alongamento sob carga é geralmente aceita
para ligas de cobre. A redução em área sob ensaio de tração é um indicativo
de trabalhabilidade a frio e embora muitas vezes não seja um requisito
especificado, é de interesse geral e freqüentemente determinada. Dentro de
certos limites, dependendo da composição química e da têmpera do material, a
resistência ao cisalhamento apresenta certa correspondência com a
resistência à tração. Também dentro de certos limites a dureza Rockwell pode
ser correlacionada com o tamanho de grão e com a resistência à tração. A
resistência à fadiga, determinada por ensaios cíclicos em bastões ou tiras
também é relevante para certas aplicações, bem mais do que a resistência à
compressão, por exemplo. A resistência à fluência adquire certa importância
em aplicações em altas temperaturas.
A entidade responsável pela regulamentação
dos requisitos (composição química e propriedades mecânicas) para diversos
tipos de aplicações de diferentes tipos de ligas de cobre é a ASTM (American
Society for Testing Materials). No caso das ligas ligas de cobre essas
normas da ASTM geralmente iniciam pela letra B, como a B 122, por exemplo
[3].
b) Trabalho a quente das ligas de cobre
Define-se como trabalho a quente a deformação
(elástica e plástica) realizada acima da temperatura de recristalização, que
geralmente é a primeira etapa no processo de fabricação de produtos à base
de liga de cobre, por ser o método mais econômico de reduzir grandes
espessuras. O trabalho a quente não resulta em encruamento no cobre ou nas
ligas de cobre quando é feito o resfriamento até a temperatura ambiente.
Entretanto, ocorrem algumas transformações de fase durante o trabalho a
quente: alguns constituintes sofrem transformação térmica como conseqüência
do resfriamento e estas transformações podem produzir considerável
endurecimento, mas de um modo geral o trabalho a quente se diferencia do
trabalho a frio por não envolver encruamento. A dificuldade experimental de
analisar metais em alta temperatura desfavorece o estudo das características
do trabalho a quente, mas de um modo geral é possível dizer que grandes
deformações podem ser obtidas com o emprego de menores forças durante o
processamento e sem encruamento significativo no metal ou liga.
Uma vez obtida boa qualidade no produto
fundido, como um tarugo, uma placa, ou qualquer outra forma, a qualidade do
produto final depende diretamente da qualidade do produto trabalhado a
quente, como um vergalhão, uma chapa grossa ou qualquer outro, uma vez que é
praticamente impossível eliminar nas etapas seguintes de trbalho a frio,
defeitos originados durante o trabalho a quente. Assim, é de fundamental
importância o projeto e todas as demais características dos equipamentos
para trabalho a quente de metais e ligas, desde os equipamentos de
transporte e manuseio até os de aquecimento e de deformação a quente
propriamente dita. As deformações que correm durante operações como
laminação a quente e extrusão são tão complicadas que o projeto de um
equipamento para tais operações é mais uma arte do que uma ciência.
O cobre e as ligas de cobre em geral podem
ser trabalhados a quente por um ou mais dos seguintes processos: laminação,
extrusão, perfuração, forjamento e compressão, ou dobramento e conformação.
A capacidade do cobre resistir à deformação plástica acima da temperatura de
recristalização sem trincar é o critério básico para avaliar a adequação de
cada um desses processos. O metal ou liga que trinca excessivamente é
considerado como um material que apresenta fragilidade a quente e
considerado inadequado para o trabalho a quente. Impurezas e elementos
secundários constituem um importante fator que afeta as características de
trabalho a quente do cobre e das ligas de cobre. O principal motivo desse
efeito é que pequenas quantidades de certos elementos ou compostos
intermetálicos levam à formação de fases frágeis de baixo ponto de fusão,
que segregam-se, durante a fundição, nos contornos de grãos, reduzindo as
forças de coesão entre os cristais da fase matriz.
Conseqüentemente, o metal fragilizado pela
presença desse tipo de fase pode ser inadequado ao trabalho a quente ou ter
seu processamento a quente limitado a algumas condições específicas. Alguns
tipos de processos de fabricação exigem que o metal resista a condições mais
severas de rasgamento, tracionamento ou alongamento do que outros, como é o
caso da perfuração em comparação com a laminação. Sendo assim, a escolha do
processo a ser empregado depende em grande parte das especificações do
produto acabado como também da capacidade do metal se adequar a outros tipos
de processo que estejam disponíveis.
Temperatura de Trabalho a
Quente e seus Efeitos
Existe um intervalo limitado de temperaturas
no qual o metal ou liga apresenta as melhores características para o
trabalho a quente em um equipamento, dependendo do tipo e processo de
fabricação empregado.
A tabela 7.1 mostra os intervalos de
temperaturas adequados para a laminação a quente de certas ligas de cobre.
|
Liga |
% de cobre |
Temperatura inicial de laminação
(º C)
|
Resistência à tração (MPa)
|
Alongamento
percentual em 50 mm |
|
Cobre eletrolítico |
99,92 |
704 - 871 |
227 |
50 |
|
Cobre desoxidado |
99,95 |
704 - 871 |
227 |
50 |
|
Tomback 95-5 |
95 |
760 - 871 |
248 |
45 |
Tomback 90-10 |
90 |
760 - 871 |
248 |
50 |
|
Latão vermelho |
85 |
788 - 899 |
276 |
50 |
|
Latão 80-20 |
80 |
788 - 871 |
310 |
55 |
|
Latão para cartuchos 70-30 |
70 |
732 - 816 |
331 |
55 |
|
Metal de Muntz |
60 |
677 - 788 |
379 |
50 |
|
Latão naval |
62 |
677 - 788 |
379 |
45 |
|
Bronze fosforoso |
98,7 |
788 - 871 |
276 |
45 |
|
Bronze de baixo silício |
97,7 |
732 - 843 |
276 |
50 |
|
Bronze de alto silício |
96 |
732 - 843 |
379 |
60 |
As temperaturas mostradas na tabela 7.1
servem apenas como referência, já que foram obtidas empiricamente na prática
industrial e não possuem caráter científico, podendo variar até certo ponto
em função do tipo de equipamento utilizado e das condições operacionais.
Quando o cobre e suas ligas são aquecidos em fornos a gás ou óleo obtém-se
boas combinações de temperatura e de controle de atmosfera.
Recomenda-se trabalhar com atmosfera neutra
ou ligeiramente redutora, de modo a evitar ou minimizar a formação de óxidos
na superfície o produto laminado. Também é importante evitar a fragilização
do cobre eletrolítico com gases redutores.
A homogeneização de ligas de cobre deve ser
uma prática limitada a determinadas circunstâncias, já que o aquecimento
prolongado ou em temperaturas excessivamente altas pode levar à formação de
óxidos superficiais, ou mesmo modificar a composição química da liga, como
no caso da dezincificação do latão e da formação do eutético Cu-Cu2O
presente entre os grãos do cobre eletrolítico. A formação dese tipo de
eutético prejudica o desempenho do material em operações subseqüentes de
conformação, além de gerar defeitos no produto acabado. O óxido de cobre
coalescido durante o aquecimento para a laminação a quente pode causar
quebras excessivas no arame trefilado e o surgimento de orifícios em chapas
finas ou tiras.
Entretanto, algumas transformações de fase
importantes ocorrem durante o aquecimento normal em condições operacionais
convencionais de trabalho a quente. Por causa do resfriamento rápido uma
grande quantidade de fase alfa é produzida a partir de produtos fundidos
contendo uma quantidade variável de fase beta. Durante o aquecimento e o
trabalho a quente a fase beta, geralmente presente em ligas contendo entre
65 e 70 % de cobre, é absorvida pela fase alfa majoritária, produzindo-se
uma liga monofásica (alfa). Também no trabalho a quente do cobre
eletrolítico (ETP) os grãos de cobre relativamente grandes e o eutético
posicionado entre eles são deformados e fraturados, de modo que a
recristalização do cobre a partir dos núcleos ocorre imediatamente. Durante
este processo o eutético desaparece como tal, sendo as pequenas partículas
de óxido absorvidas pelos grãos de cobre na vizinhança, ou coalescidos em
novos cristais de cobre, distribuindo de modo praticamente uniforme as
partículas de óxido (Cu2O) ao longo do material.
O enxofre no cobre fundido está presente sob
a forma de um eutético Cu-Cu2S, que também desaparece durante o trabalho a
quente. As partículas resultantes de Cu2O e Cu2S têm a mesma aparência
quando observadas em microscópio ótico com iluminação convencional, embora
possam ser diferenciadas com luz polarizada, pois neste caso as partículas
do óxido aparecem avermelhadas, enquanto as partículas de sulfetos são bem
escuras. Embora o teor de oxigênio das amostras trabalhadas e fundidas possa
ser o mesmo, ou bem próximo, é preferível descrever o material fundido em
termos do teor do eutético Cu-Cu2O, ao passo que o metal trabalhado deve ser
descrito em função do teor de óxido (Cu2O). A mudança que ocorre na fase
óxido durante o trabalho a quente melhora as propriedades físicas (mecânicas),
porém reduz a precisão na determinação do teor de óxido durante observação
em microscópio ótico.
O cobre sem óxido (OFHC) e o cobre desoxidado
(DHP e DLP) não contêm eutético Cu-Cu2O, porém todos os tipos de cobre
comercial contêm uma pequena quantidade de enxofre, em média de 0,0015 %.
Esse enxofre está presente como sulfeto cuproso, formando um eutético
semelhante ao óxido, e é modificado do mesmo modo.
Alguns outros constituintes secundários das
ligas de cobre podem sofrer transformação de fase dependendo da temperatura
de trabalho a quente. Por exemplo, a solubilidade do chumbo no cobre no
estado sólido é de cerca de 0,04 % na temperatura habitual de trabalho a
quente (800 ºC), mas de aproximadamente 0,003 % a 600 ºC. Portanto, uma
quantidade substancial de chumbo pode precipitar durante a operação de
trabalho a quente, ou mesmo durante o resfriamento subseqüente. O arsênio e
o antimônio se comportam de modo semelhante. É importante controlar a
temperatura de trabalho a quente e a velocidade de resfriamento, de modo a
minimizar a precipitação de determinados constituintes secundários por causa
de seus efeitos sobre a temperatura de recristalização. Em geral o trabalho
a quente num intervalo de temperatura que garanta o máximo de solubilidade
dos constituintes secundários resultará em menor trincamento, e, quando
seguido por um resfriamento rápido, resultará na maior temperatura de
recristalização possível para o produto acabado. O arame de cobre trefilado
a frio após o trabalho a quente nessas condições resistirá a temperaturas
mais elevadas sem amolecer e por períodos mais longos de tempo.
A densidade de praticamente todas as ligas de
cobre (e do cobre comercialmente puro) trabalhadas a quente é maior do que a
do mesmo tipo de material fundido, devido ao fato de que as cavidades
resultantes da contração durante o resfriamento pós-fundição e a porosidade,
gerada pela presença de gases, são reduzidas em volume pela compressão
associada ao trabalho mecânico. Esse efeito é mais pronunciado nos produtos
fundidos por processos tradicionais, como os que utilizam moldes de areia,
por exemplo, que são muito menos densos do que os que resultam da fundição
contínua. Entretanto, o efeito de eliminação de cavidades e porosidade
resultantes da fundição durante o trabalho a quente é apenas parcial, e
esses defeitos podem permanecer como bolhas no material trabalhado. A
presença de óxidos e outros tipos de inclusões remanescentes da fundição
também podem resultar no aparecimento de defeitos no material laminado.
Métodos de inspeção, como ensaios não destrutivos, por exemplo, podem ser
aplicados ao material fundido de modo que o material defeituoso possa ser
descartado antes da etapa de trabalho a quente, minimizando a ocorrência de
defeitos no material trabalhado. Evidentemente defeitos muito pequenos, em
escala microscópica, podem ser tolerados, dependendo do tipo de aplicação do
produto.
A microestrutura dendrítica do cobre e das
ligas de cobre fundidos muitas vezes apresenta como característica o
encontro de cristais que cresceram a partir de superfícies opostas do mole
de fundição, gerando uma interface planar que se constitui numa
discontinuidade e portanto numa região frágil, que pode gerar problemas
durante o trabalho a quente subseqüente. A presença de trincas originárias
da fundição em produtos trabalhados a quente muitas vezes não pode ser
completamente eliminada por melhorias no processo de fundição, mas muitas
vezes essas trincas, sendo muito pequenas, superficiais e localizadas nas
extremidades da peça, podem ser eliminadas pelo descarte de parte do
material fundido, muito embora tal procedimento deva ser realizado com muito
cuidado, pois muitas vezes não é tão simples determinar com exatidão a
extensão e profundidade do trincamento. Fundamentalmente trincas
superficiais em produtos fundidos são causadas pela contração durante a
solidificação, que resulta em tensões internas ou atrito com a superfície
interna do molde devido ao movimento do metal no mesmo.
Durante a solidificação algumas peças
fundidas trincam na superfície por causa da pressão interna causada pelo
metal solidificado superficialmente em torno de um núcleo ainda líquido,
assim aumentando a pressão interna acima da resistência mecânica da casca de
metal solidificado na superfície, ou devido ao acréscimo de pressão interna
causado pelo gás liberado pelo metal líquido do núcleo da peça. No caso do
cobre eletrolítico (ETP) o núcleo líquido enriquece-se em eutético à medida
que a solidificação avança, de modo que esse excedente de metal líquido
acaba por se deslocar para o alto e para fora, formando a exsudação
conhecida como “lágrimas” na superfície do produto fundido. Esse problema
pode ser minimizado por um projeto adequado das dimensões da peça fundida e
do molde e seu revestimento interno, de modo que haja um melhor controle da
taxa de resfriamento e das condições de transmissão de calor do metal ao
molde, permitindo que a parte mais alta do metal líquido permaneça neste
estado, ou que escoe devido à pressão interna, porém de maneira que a casca
superficial de metal líquido tenha se tornado espessa o suficiente para
resistir às pressões internas sem trincar. Exsudações são comuns em produto
fundidos de bronze (ao estanho e ao silício). É uma prática industrial comum
descartar o metal exsudado, porém placas fundidas para laminação a quente
freqüentemente trincam nestes locais, produzindo defeitos superficiais.
Trincas produzidas pelo atrito com o molde em
geral se devem ao empenamento deste, a irregularidades nas paredes do molde
que evitam, ou dificultam, o movimento do metal líquido, ao comprimento
excessivo do mesmo, ou devido à fragilidade inerente do metal líquido a uma
temperatura próxima do seu ponto de fusão. Este tipo de trinca pode variar
em tamanho de uma linha quase invisível a uma abertura totalmente visível
que se estende por vários centímetros de comprimento. Em alguns casos,
produtos fundidos com trincas muito pequenas e superficiais podem ser
processados satisfatoriamente para a produção de material trabalhado a
quente, principalmente em alguns casos, como o da extrusão. Porém no caso de
laminação a quente as tensões trativas resultantes do próprio processamento
levam ao agravamento do trincamento, geralmente resultando em produtos
defeituosos.
Efeito da Composição
Química no Trabalho a Quente
Cobre Comercialmente Puro e Cobres Ligados
Produtos fundidos em escala piloto com dimensões relativamente pequenas
apresentam menor tendência ao trincamento do que peças fundidas com grande
dimensões em escala industrial, principalmente no caso do cobre eletrolítico,
que é muito sensível à presença de impurezas. E a presença de determinados
tipos de impureza exerce grande influência sobre o limite de tolerância
especificado para outros tipos de impureza, como por exemplo a presença do
óxido cuproso no cobre eletrolítico (ETP), que determina a tolerância para o
chumbo, o bismuto e outras impurezas no caso de laminação a quente.
Outros fatores, como o grau de deformação nos
passes de laminação iniciais e as relações de tensões na borda das placas,
que, caso sejam excessivos, podem produzir o abaulamento das bordas que se
tornam convexas, também influem nas práticas de laminação a quente. Em vista
de todos esses fatores, não há um valor único especificado como tolerância
para impurezas em ligas de cobre trabalhadas a quente, mas sim vários níveis
de tolerância, definidos empiricamente, dependendo do tipo de produto ou
processo/equipamento utilizado.
Entretanto, de um modo geral, o processamento
a quente do latão monofásico e do cobre comercialmente puro é muito afetado
pela presença de bismuto e de chumbo e sendo assim os teores destes
elementos devem ser os mais baixos possíveis. Por outro lado, o latão
bifásico alfa+beta, de mais fácil processamento a quente, pode tolerar, sem
efeitos adversos, maiores teores de chumbo e de outras impurezas. O
trincamento é mais comum na laminação a quente e na perfuração do que em
outros processos de deformação a quente e assim os produtos fundidos
destinados a estes processos devem ser mais puros e fisicamente mais
perfeitos do que os que são destinados à extrusão, por exemplo.
Todos os tipos de cobre comercialmente puros
podem ser facilmente trabalhados a quente na faixa de 800 a 900 ºC por
qualquer tipo de equipamento ou método convencionais. Entretanto, o cobre de
alta condutividade (OFHC) é laminado a quente geralmente na faixa de 650 a
750 ºC, pois neste intervalo ocorre menor oxidação superficial durante o
aquecimento da placa e conseqüentemente chapas e tiras de melhor qualidade
superficial são produzidas nesta faixa de temperaturas. O cobre-cádmio é
geralmente laminado a uma temperatura ainda mais baixa ou deliberadamente
resfriado após as rduções de espessura iniciais e mais intensas, de modo a
ser acabado com uma microestrutura próxima do que resultaria do trabalho a
frio, de modo a se obter uma resistência à tração mais alta do que a que
seria obtida mediante uma laminação a quente convencional. Os cobres ligados
ao arsênio e ao cromo são laminados em geral na faixa de 800 a 900 ºC,
porque o cobre-cromo pode endurecer por precipitação se for laminado abaixo
de 700 ºC e o cobre-arsênio fragiliza-se entre 600 e 700 ºC. Ambos esses
cobres ligados têm uma tendência maior ao trincamento do que o cobre OFHC em
qualquer temperatura, mas podem ser trabalhados a quente desde que
observados os cuidados necessários nesse processamento.
O teor de oxigênio dos cobres eletrolítico,
refinado em fogo e do cobre-arsênio varia entre 0,015 e 0,05 % e dentro
desta faixa não apresenta efeitos negativos no trabalho a quente. Contudo, a
presença do oxigênio altera as características químicas e a solubilidade de
outros elementos, afetando desta forma a trabalhabilidade a quente,
particularmente no caso da laminação a quente e da perfuração. O grau de
fragilização causado pelo arsênio varia com o teor de óxido cuproso (Cu2O),
sendo que o metal mais frágil é aquele que apresenta a maior razão entre os
teores de oxigênio e arsênio, isto é, o teor de arsênio mais baixo (0,05 %)
com teor de oxigênio mais alto (0,05 %) é o que mais dificulta a laminação a
quente.
O efeito fragilizante do chumbo, do bismuto e
do antimônio também é influenciado pelo teor de oxigênio, sendo a quantidade
máxima permitida aumentada pela presença do oxigênio. Estes elementos, assim
como o ferro, o níquel, o enxofre, o selênio e o telúrio, não têm efeito
significativo na prática industrial de laminação a quente, desde que seus
teores estejam dentro das especificações do cobre, independentemente da
presença de oxigênio. Todavia, o cobre refinado a fogo pode conter uma
quantidade muito maior de um ou mais destes elementos e conseqüentemente
pode trincar no trabalho a quente. Embora o óxido cuproso aumente o teor
máximo admissível para a presença da maioria das impurezas no cobre
trabalhado a quente, por razões de ordem prática é impossível aceitar um
teor de oxigênio acima de 0,05 % no cobre comercial, porque acima desse
nível dimui muito a dutilidade dos produtos acabados.
Ligas Cobre-Zinco (Latões)
Todos os latões contendo de 33 a 46 % de
zinco podem ser trabalhados a quente por um ou mais dos processos
convencionais. Os latões beta contendo de 44 a 46 % de zinco e os latões
bifásicos alfa + beta contendo de 38 a 44 % de zinco são algumas das ligas
de cobre mais facilmente trabalhadas a quente, porém a maior parte dos
latões bifásicos e todos os latões beta são extrudados. O trabalho a quente
dos latões alfa, abaixo de 38 % de zinco, tem aumentado crescido
continuamente desde que o zinco de alta pureza (baixo teor de chumbo) tornou-se
comercialmente mais disponível. Um dos motivos é o fato de que estas ligas
apresentam fragilidade a quente mesmo se contaminadas por quantidades muito
pequenas de chumbo e de bismuto. O trabalho a quente de latões alfa
produzidos a partir de cobre e zinco de alta pureza não é complicado, porém
a necessidade econômica de refundir sucata pode levar a uma pequena, porém
significativa, contaminação, de modo que a maioria das indústrias do ramo
especificam com rigor um teor máximo de chumbo e de outras impurezas, com
base em sua experiência no processamento destes materiais. Entretanto, como
no caso do cobre comercialmente puro e do cobre ligado, essas especificações
podem variar significativamente de um fabricante para outro.
A experiência prática e mesmo o trabalho de
vários pequisadores demonstram que o chumbo é uma das impurezas mais nocivas
no latão alfa e em geral se aceita como limite máximo um teor da ordem de
0,02 %. Contudo, com um controle preciso de temperatura e de outras
variáveis de processamento é possível ultrapassar ligeiramente este limite.
Por outro lado, a maioria das indústrias procura trabalhar com limites
máximos de chumbo da ordem de 0,015 % ou mesmo menos do que isso, de modo
obterem uma margem de segurança em suas operações. No caso de extrusão é
possível trabalhar com teores significativamente mais altos, da ordem de
0,05 % para latões alfa.
Do mesmo modo, pequenos teores de bismuto
também causam fragilidade a quente nos latões alfa, mesmo milésimos de 1 %
causam efeitos muito nocivos. O arsênio, o antimônio e o fósforo podem ser
adicionados ao latão como inibidores da dezincificação. Nos teores
recomendados (no máximo 0,05 %) esses elementos não apresentam efeitos
nocivos no trabalho a quente, principalmente no caso de extrusão de tubos.
Os limites de teores de ferro nos latões são determinados por seu efeito no
tamanho de grão e outras características de acabamento superficial de
produtos e por essas razões não ultrapassam o valor de 0,05 % nos latões
alfa. Outras ligas sem chumbo contendo muito mais ferro, como os latões de
alta resistência à tração, que contêm 1 % de ferro, apresentam boa
trabalhabilidade a quente em um amplo intervalo de temperaturas. O ferro e o
alumínio neutralizam um pouco o efeito fragilizante do chumbo. O latão 60-40
com 1 % de chumbo apresenta trincamento severo nas bordas quando comparado
com o latão 60-40 puro, porém a adição de 1 % de ferro à mesma liga reduz
significativamente este efeito nocivo. A presença de outros elementos
residuais provenientes da matéria-prima (cobre e zinco primários) durante a
fundição dos latões, como selênio, telúrio, enxofre e outros, tem efeito
desprezível no trabalho a quente dessas ligas. Quase não ocorre mudança na
resistência do latão à deformação em altas temperaturas devido a variações
na composição química, não havendo necessidade de alterar equipamentos nem
seqüências de reduções, embora a temperatura de pré-aquecimento deva ser
variada entre 650 e 850 ºC para a obtenção de melhores resultados,
dependendo da composição química do latão, do processo empregado (laminação,
extrusão ou perfuração) e das propriedades físicas desejadas no produto
final. De um modo geral as ligas com maior teor de cobre são processadas em
temperaturas mais elevadas.
Ligas Cobre-Níquel (cuproníqueis)
Todas as ligas binárias de cobre e níquel,
conhecidas como cuproníqueis), contendo de 4 a 30 % de níquel, são
trabalhadas a quente por laminação e extrusão, porém necessitam de melhor
controle de temperatura e a aplicação de maiores cargas (pressões) do que o
cobre comercialmente puro.
Essas ligas são fragilizadas por pequenas
quantidades de chumbo, bismuto e outras impurezas, sendo o limite máximo
para o teor de chumbo de aproximadamente 0,05 %. A contaminação por bismuto
pode ser evitada pelo uso de cobre e níquel de elevada pureza, resultando em
teores de bismuto inferiores a 0,001 % na prática industrial.
Pequenas quantidade de enxofre, da ordem de
0,01 % ou menos, inviabilizam o trabalho a quente do cuproníquel devido à
presença do eutético Ni-Ni3S2 com baixo ponto de fusão (664 ºC), o qual se
segrega nos contornos de grãos. O manganês é adicionado para converter esse
composto em sulfeto de manganês, o qual se separa em glóbulos, não
produzindo efeito fragilizante no trabalho a quente do cuproníquel. O
magnésio é adicionado aos cuproníqueis para desoxidá-los, resultando porém
apenas em pequenos teores residuais, ao contrário do manganês, que também
pode ser adicionado em teores mais elevados como elemento de liga. O enxofre
e o oxigênio não costumam acarretar problemas no trabalho a quente dos
cuproníqueis, devido á prática industrial usual de usar cobre comercialmente
puro como matéria-prima e adicionar magnésio e manganês. O carbono, impureza
proveniente da contaminação da sucata usada como matéria-prima por graxas e
outros tipos de sujeiras, deve ser limitado em aproximadamente 0,05 % ou
menos, devido ao seu efeito adverso em ambas as operações de laminação a
quente e a frio. Pra determinados tipos de aplicações, o ferro, o manganês,
o cromo, o silício e o alumínio são adicionados, em teores variáveis, porém
não costumam acarretar dificuldades na laminação a quente nem na extrusão.
Outro grupo importante de ligas contendo
cobre e níquel é o das alpacas, ligas ternárias de cobre, zinco e níquel,
que contêm em geral de 10 a 20 % de níquel e 44 a 70 % de cobre, sendo o
remanescente principalmente zinco, podendo haver no entanto pequenas adições
de manganês. As alpacas podem ser monofásicas (fase alfa) ou bifásicas (alfa+beta)
dependendo da proporção entre os teores dos principais elementos de liga.
As alpacas monofásicas contendo 58% ou mais
de cobre são menos dúteis e mais sensíveis aos efeitos da temperatura do que
os latões monofásicos. Por conseqüência essas alpacas são pré-aquecidas em
temperaturas mais elevadas, da ordem de 900 ºC. Essas ligas também são
afetadas negativamente pela presença de pequenos teores de chumbo e de
outras impurezas, do mesmo modo que ocorre com os cuproníqueis, como
mencionado anteriormente. E do mesmo modo que ocorre com o latão alfa, o
teor máximo de chumbo é limitado em 0,02 %, ou menos, porque a mairoira
dessas ligas é laminada a quente para a produção de chapas ou tiras.
As alpacas bifásicas alfa + beta, contendo 6 a 18 % de níquel e 38 a 45 % de
zinco, como os latões correspondentes, podem ser trabalhadas a quente por
extrusão e forjamento em um amplo intervalo de temperaturas. A liga contendo
45 % de zinco possui boas características de trabalho a quente, mas o
aumento do teor de níquel torna a liga menos extrudável.
O fósforo prejudica a trabalhabilidade a
quente dessas ligas, devendo ser evitado o uso de sucata contendo cobre
desoxidado com fósforo como matéria-prima na fundição. O chumbo não afeta a
extrudabilidade, mas prejudica seriamente o comportamento da liga em
forjamento. Outros elementos como manganês, silício e ferro, dentro dos
limites especificados na prática industrial, não apresentam efeitos adversos
na extrusão nem no forjamento.
Bronze de estanho e bronze fosforoso
A maioria das ligas cobre-estanho produzidas
industrialmente e, entre essas, praticamente todas as que são produzidas por
trabalho mecânico, contêm fósforo em teores de 0,02 a 0,35 %, e por este
motivo são conhecidas como bronzes fosforosos.
Se o estanho for adicionado ao cobre que contém óxido cuproso, desoxidará o
cobre, mas formará óxido de estanho, que permanece como inclusões no
material fundido. Por isso, uma quantidade suficiente de fósforo é
adicionada ao cobre para desoxidá-lo antes da adição de estanho, deixando um
teor mínimo de 0,015 % de fósforo em excesso. Entretanto, um excesso bem
maior é freqüentemente utilizado para se obter maior resistência à tração e
dureza, dependendo da aplicação. A maior parte das ligas destinadas ao
trabalho a quente contêm de 1,5 a 11 % de zinco, porém já foram trabalhadas
a quente ligas com até 16 % de estanho.
A fase alfa, que é o principal constituinte
das ligas comerciais, é relativamente frágil em altas temperaturas e,
adicionalmente, podem estar presentes complexos cobre-estanho-fósforo
metaestáveis com baixo ponto de fusão. Outras impurezas, como chumbo,
bismuto e antimônio, mesmo em pequenos teores possuem um efeito adverso nas
propriedades dessas ligas. Como resultado de todos esses fatores os bronzes
fosforosos são considerados as ligas de cobre mais dificilmente trabalhadas
a quente.
Os bronzes com menor teor de estanho, da
ordem de 1,5 a 7 ou 8 %, podem ser trabalhados a quente mais facilmente do
que os bronzes com maior teor de estanho, mas necessitam de cuidadoso e
prolongado pré-aquecimento em um intervalo estreito de temperaturas para que
se obtenha bons reultados no trabalho a quente. Os bronzes fosforosos podem
ser laminados a quente, forjados e extrudados, desde que com os cuidados
necessários, porém a exigência de altas pressões de extrusão e laminação
leva obrigatoriamente ao uso de equipamentos com grande capacidade.
Na extrusão o bronze fosforoso se comporta de maneira muito diferente do
latão e da maioria das outras ligas de cobre e além da elevada pressão,
necessita de uma boa combinação de temperatura e velocidade, por um lado, e
de composição química e formato, por outro, de modo a se evitar o
trincamento a quente ou mesmo a desintegração do produto extrudado. Em
especial as temperaturas e velocidades de extrusão muito elevadas são
particularmente nocivas. A yemperatura máxima de trabalho a quente é
determinada essencialmente pelos teores de estanho e de fósforo, que quanto
mais baixos permitem temperaturas mais altas.
Uma faixa de temperaturas adequada para a
laminação de um bronze contendo 1,25 % de estanho e 0,1 % de fósforo é de
cerca de 800 a 850 ºC, enquanto para o bronze contendo 7 % de estanho e 0,1
% de fósforo já seria necessário um intervalo de temperaturas muito
inferior. Por causa da alta pressão necessária, é vantajoso operar o mais
próximo possível do valor máximo permitido para cada liga e formato. Devido
às dificuldades impostas por teores crescentes de estanho e fósforo,
atualmente o proceso se limita a ligas com no máximo 8 % de estanho e 0,25 %
de fósforo. Os bronzes de baixo teor de estanho, até 5 %, e abaixo de 0,1 %
de fósforo, podem ser extrudados com velocidade controlada entre 800 e 850
ºC, aproximadamente. Na prática industrial os limites máximos permitidos
para o chumbo e o bismuto geralmente são os mesmos estabelecidos para o
cobre desoxidado de alta pureza, e, adicionalmente, apenas estanho de mais
alta pureza é utilizado como matéria-prima, de modo a minimizar a presença
de elementos nocivos como antimônio, arsênio e outros.
Bronzes de silício (Cu-Si)
Os bronzes de silício são ligas monofásicas
contendo de 1,5 a 3,25 % de silício e de 0,15 a 1,25 % de manganês e podem
ser trabalhados a quente por laminação, extrusão e forjamento. Pequenas
adições de zinco e de estanho podem ser feitas para aplicações especiais sem
efeito adverso nas características de trabalho a quente.
Estas ligas possuem alta resistência mecânica
em elevadas temperaturas e por isso são trabalhadas a quente em temperaturas
mais próximas possíveis ao limite superior do intervalo no qual são dúteis.
As temperaturas de pré-aquecimento variam de 850 a 900 ºC. Pequenos teores
de impurezas causam fragilidade a quente, do mesmo modo que ocorre com as
ligas monofásicas alfa contendo zinco e níquel, por isso adota-se os mesmos
limites empregados para estas ligas. O teor máximo de chumbo permitido é de
0,02 % ou menos, embora na extrusão possa ser tolerado um teor bem mais
alto.
Bronzes de alumínio (Cu-Al)
As características de trabalho a quente dos
bronzes de alumínio são muito semelhantes às dos latões (Cu-Zn). As ligas
beta, contendo de 9 a 11 %, com variadas combinações de teores de níquel,
mananês e ferro, possuem boas características de trabalho a quente, como os
latões beta, podendo ser laminadas, extrudadas e forjadas num amplo
intervalo de temperaturas, sem apresentar fragilidade até cerca de 950 ºC no
máximo. Assim como ocorre no caso dos latões, as ligas alfa e alfa + beta
podem ser laminadas a quente ou extrudadas se os teores de chumbo e bismuto
forem baixos. O níquel, o manganês e o ferro são adicionados a essas ligas
sem efeito adverso nas características de trabalho a quente. O chumbo pode
ser adicionado como elemento de liga no caso da produção de peças forjadas
para serem usinadas, embora tais peças não possam ser laminadas a quente
devido à incidência de trincamento severo, que não corre de modo tão
significativo na extrusão.
Características do Processo
de Laminação a Quente
A maior parte dos produtos
laminados a quente é processada a partir de placas pesando entre 300 kg e 1
ton, apenas uma pequena parte do total é laminada a partir de placas pesando
até 5 ton. Exemplos de resumos de procedimentos operacionais de laminação a
quente:
Cobre comercialmente puro:
placas fundidas com 102 x 610 x 838 mm3 pesando cerca de 454 kg são
reduzidas para cerca de 9,65 mm de espessura em 13 passes de laminação.
Latão 70-30: placas
fundidas com 114 x 635 x 1500 mm3 pesando cerca de 907 kg são reduzidas para
cerca de 9,65 de espessura em 13 passes de laminação.
O laminador duplo é preferido
para operações de desbaste, porque neste caso porque placas de espessura
mais uniforme podem ser produzidas a uma velocidade maior, e, quando o
equipamento dispõe de rolos específicos para bordas, a quantidade de perdas
de processo é menor (menor geração de aparas/sucata). É necessária a
refrigeração por água para evitar o superaquecimento dos rolos e manter o
contorno dos mesmos. Também é necessário o uso de óleo solúvel (emulsão de
óleo em água) para amenizar o contato entre os rolos e o metal que está
sendo processado, de modo a evitar que o óxido que se formou na superfície
do metal saia desta e fique aderido à superfície dos rolos.
Como a escala de produção das
ligas de cobre é bem menor do que a dos aços, para superar a limitação de
número de diferentes larguras de placas torna-se necessária a realização de
laminação cruzada (laminar primeiro em uma direção e em seguida na direção
perpendicular) para obter uma maior variação de larguras de chapas laminadas.
Após o último passe de laminação
as chapas são decapadas em solução ácida, lavadas em água e escovadas, sendo
então niveladas em uma operação contínua, após o que são enviadas para os
equipamentos de laminação a frio.
Laminação de Produtos Não
Planos
Esses tipos de laminadores
utilizam rolos côncavos que permitem reduzir as dimensões padronizadas de
vários tipos de vergalhões ou barras. Nos rolos de desbaste as barras passam
completamente por uma concavidade antes de entrarem na próxima concavidade
numa direção reversa. As reduções em área para cada concavidade devem estar
cuidadosamente proporcionadas de modo a evitar que o metal entre em excesso
nas mesmas, causando problemas. Por este motivo o tamanho das concavidades
dos rolos é modificada para a laminação de certas ligas, especialmente o
metal de Muntz, o latão naval e o cobre OFHC, já que estes se espalham mais
do que o cobre eletrolítico (ETP).
O resfriamento dos rolos é feito
por jatos d’ água, que são direcionados para as concavidades dos rolos em
velocidade suficiente para remover qualquer partícula de óxido formado nos
vergalhões ou nos rolos.
Extrusão
O processo de extrusão consiste
em aquecer o tarugo cilindríco metálico em um intervalo de temperaturas nas
quais o mesmo apresenta elevada plasticidade, colocar este tarugo no
container cilíndrico de uma prensa hidráulica de alta pressão e forçar este
tarugo através de um ou mais orifícios de uma matriz.
Entre os motivos para o
crescimento da produção de extrudados está a qualidade superficial dos
produtos superior àquela obtida por laminação ou perfuração, a produção de
formatos mais complexos e a maior facilidade de extrudar ligas que
apresentam fragilidade a quente durante laminação ou perfuração. As
dimensões dos tarugos destinados à extrusão variam de 117 de diâmetro e 178
mm de comprimento a 25 mm de diâmetro e 762 mm de comprimento (pesando 363
kg) nas grande prensas horizontais.
Há vários tipos de fornos para
aquecimento de tarugos em uso, todos com capacidade suficiente para aquecer
o material a uma temperatura uniforme, porém em muitos casos a temperatura
do tarugo é verificada pelo uso de um pirômetro de radiação laser antes de
ser colocado no container da prensa de extrusão. A capacidade das prensas
fica, em geral, entre 2500 e 7500 toneladas. Prensas verticais são usadas
exclusivamente para a produção de tubos com paredes finas, pois permitem
fabricas mais facilmente tubos concêntricos. Entretanto, com manutenção
adequada e o uso de tarugos perfurados no centro, é possível produzir tubos
com paredes finas em prensas horizontais, com tolerâncias entre 10 e 15 % de
espessura.
Existem dois tipos básicos de
métodos de extrusão: direta e inversa.
Na extrusão direta o tarugo é impelido, em uma de suas extremidades, por um
êmbolo que força o metal através do orifício (ou orifícios) de uma matriz
colocada na extremidade oposta. Nesse método o tarugo move-se para frente à
medida que a extrusão ocorre.
Na extrusão inversa a matriz e o
êmbolo são posicionados na mesma extremidade da prensa, de modo que não há
movimento do tarugo em relação ao container. Neste método o metal escoa
através da matriz e para fora da prensa por meio de uma abertura no êmbolo.
O método direto é preferido e
mais usado para cobre e ligas de cobre, embora as diferentes características
do método indireto possam favorecer seu uso com o objetivo de reduzir as
perdas causadas por defeitos como “canal” e segregação, assim como devido
aos requisitos menos exigentes de capacidade (pressão) da prensa, já que
neste caso não existem cargas friccionais causadas pelo atrito da superfície
lateral do tarugo com as paredes internas do container.
Na extrusão direta a partir de
tarugos sólidos o bloco de contato (pesa usada entre a superfície da
extremidade do êmbolo e a superfície da extremidade do tarugo) deve ser
cerca 6 mm menor em diâmetro do que o interior do container, de modo que
essa peça possa cisalhar através do tarugo, deixando livre a casca
superficial oxidada do tarugo.
Na extrusão o escoamento do
metal ocorre de um modo que depende de alguns fatores tais como o projeto da
matriz e do bloco de contato, o teor de cobre da liga, a lubrificação e
outras variáveis, porém numerosos estudos comprovaram que o metal escoa
primeiro da posição central do tarugo, emergindo da matriz com uma
microestrutura razoavelmente semelhante à do tarugo fundido. O atrito na
parede do container retarda o escoamento na superfície externa lateral do
tarugo, resultando em um perfil de escoamento caracterizado por maior avanço
na região central do material.
Durante a extrusão a
microestrutura do material é gradualmente refinada, resultando em variação
do tamanho de grão ao longo do comprimento do tubo ou perfil extrudado,
variação essa que é acompanhada por correspondentes variações de
propriedades fìsicas/mecânicas. Por conseqüência algumas ligas extrudadas
necesitam de trabalho a frio e recozimento para a obtenção uniformidade de
propriedades físicas/mecânicas.
O escoamento do metal ao longo
do orifício da matriz pode ocorrer de duas maneiras distintas, dependendo da
permanência, ou não, da casca superficial do tarugo no local, de encontro à
parede cilíndrica do container. Num container não lubrificado ligas como o
latão e o cuproníquel escoam diagonalmente para o orifício da matriz,
enquanto as partes periféricas do tarugo são arrastadas no corpo do tarugo e
levadas para baixo entre as paredes do tubo extrudado. Num container
lubrificado o metal escoa do final do tarugo através da matriz e as partes
periféricas do tarugo não são arrastadas para o corpo do tarugo do mesmo
modo que ocorre no outro caso. Na prática industrial todos os tipos de cobre
escoam como descrito no caso do container lubrificado, independentemente da
aplicação ou não de lubrificante, devido à presença de uma camada
superficial de óxido que atua como lubrificante para o cobre, enquanto que
no caso do cobre sem essa camada superficial de óxido o escoamento se
assemelha ao do latão. Já o escoamento do latão revestido por cobre oxidado
se assemelha ao deste, uma vez que este fenômeno é puramente superficial.
O tipo de escoamento é importante, porque determina a quantidade, a
localização e o tipo de defeitos de extrusão encontrados no produto final.
A lubrificação (com grafite e
óleo na matriz e no mandril, por exemplo) não é aplicada no container quando
a extrusão tem por objetivo deixar uma casca, porque tem por objetivo manter
a camada circunferencial do tarugo no local, enquanto o bloco de contato
cisalha para fora e extruda o metal situado embaixo.
A extrusão com geração de casca
é a prática mais comum, uma vez que a camada superficial de óxido no tarugo
e defeitos menos importantes são minimizados significativamente no produto
final extrudado. Nas extremidades de todo produto extrudado aparecem
defeitos e por esse motivo essas extremidades devem ser cortadas, de modo
que, após inspeção visual, o produto final não apresente tais defeitos.
Quando não é feita a lubrificação o defeito mais comum é a segregação na
extremidade do produto sólido ou delaminações na parede do tubo como
resultado da oxidação superficial do tarugo que escoa para o interior no
bloco de contato e finalmente para o interior do produto extrudado. Quando é
feita a lubrificação os defeitos mais comuns são bolhas ou inclusões de
impurezas na superefície. No escoamento do latão em container lubrificado e
do cobre com ou sem lubrificação esses defeitos do tarugo aparecem na
superfície externa do produto extrudado e não entre as paredes.
A pressão necessária para a
extrusão varia com a temperatura, com a razão de extrusão, com o formato da
matriz, com a composição da liga metálica que está sendo extrudada e com
outras variáveis menos significativas, porém as variáveis mais importantes
para uma liga específica são a temperatura e a razão de extrusão. Na prática
industrial essa pressão pode variar entre 170 e 965 MPa, sendo o valor mais
alto o necessário para extrudar bronze fosforoso e Cu-Si.
O ciclo de pressão começa no
valor máximo e cai gradualmente até o final, quando ocorre um súbito
acréscimo. Neste momento a extrusão é interrompida porque necessitaria de
uma imensa pressão para forçar uma pequena quantidade de material
remanescente através da matriz, e, além disso, esse material, como comentado
anteriormente, teria que ser sucateado devido á excessiva presença de
defeitos. A velocidade de extrusão tem um efeito relativamente pequeno sobre
a pressão na prática industrial, já que economicamente a operação de
extrusão necessita da velocidade mais alta possível, porém compatível com a
qualidade do produto final. Geralmente a velocidade é limitada pelo formato
do produto extrudado, por causa do surgimento de trincas transversais em
pequenos intervalos da superfície do produto extrudado, que podem ser
evitadas com a diminuição da temperatura dos tarugos, embora também possam
ser causadas por defeitos na matriz ou por velocidade excessiva.
Características comuns a vários
tipos de matrizes de extrusão são um adoçamento na entrada da matriz (para
evitar que o tarugo fique “preso”), um formato angular na entrada e um
alívio angular na extremidade posterior. Essas características fundamentais
variam dependendo do formato do produto extrudado, da composição química da
liga, e da experiência prática no tipo de processo empregado.
Forjamento
O forjamento a quente é definido
como a conformação do metal por um único golpe, ou vários golpes repetidos,
de um martelo ou prensa numa matriz com formato definido. Muitas ligas de
cobre, especialmente as do tipo beta ou alfa + beta podem ser forjadas,
concentrando-se a maior demanda em latões particularmente os de alto teor de
chumbo destinados à usinagem posterior. Os latões de alta resistência
mecânica, as alpacas e os bronzes de alumínio também podem ser trabalhados a
quente por forjamento.
A maioria das peças forjadas
possuem pequenas dimensões e são fabricadas a apartir de aparas geradas em
outro processos como, por exemplo, a extrusão. O processo de forjamento
consiste basicamente em aquecer a matéria-prima em pequenos fornos de
pré-aquecimento próximos ao martelo ou prensa, colocar a matéria-prima
dentro da matriz (de aço endurecido) e submeter esse material a um ou mais
golpes do martelo ou da prensa de alta capacidade, de modo que o metal escoe
sob compressão e preencha todos os contornos da matriz. Qualquer excesso de
metal, denominado “rebarba”, é posteriormente cortado, assim como perfurado
para gerar cavidades. Este processo é muito usado para a fabricação de
cápsulas de munição, peças de refrigeração, de automóveis, de aviões, de
encanamentos e outros componentes. Estas peças geralmente têm formato
irregular e cavidades num plano e geralmente necessitam de usinagem para a
eliminação das rebarbas. É um processo mais econômico (menor geração de
sucata) do que a fundição e geralmente produz uma microestrutura mais
favorável do ponto de vista das propriedades mecânicas do material.
Os martelos de forjamento variam
de 450 a 2270 kg, enquanto as prensas variam de 90 a 1135 kg. Prensas de
parafuso e de manivela são usadas para formatos simétricos que combinam
forjamento e pequenas extrusões na mesma operação. O forjamento por
martelamento é especialmente útil para formatos assimétricos ou quando se
necessita de dobramento e conformação. As matrizes têm que dispor de
inclinações suaves, com ângulo entre 1 e 7º que permitam a retirada da peça
forjada e essa inclinação é maior no caso do martelamento. Matrizes de
impressão múltipla são usadas por motivos econômicos quando o projeto e o
tamanho da peça permitem. Deve ser prevista no projeto da peça forjada a
contração volumétrica associada ao resfriamento. O número de peças que podem
ser forjadas numa única matriz depende de vários fatores, como, por exemplo,
o tipo de aço usado na matriz e as tolerâncias permitidas nas dimensões da
peça. A vida útil de uma matriz de forjamento de ligas de cobre varia em
geral entre 5.000 e 100.000 peças. As matrizes são lubrificadas com óleo e
grafite de modo a facilitar o escoamento do metal e evitar a aderência e o
superaquecimento da matriz. As peças forjadas podem ter tolerância
dimensional estreita, da ordem de + 0,127 mm, embora quanto mais estreita a
tolerância, menor a vida útil da matriz, então na prática trabalha-se com
tolerâncias da ordem de 0,254 mm [3].
c) Trabalho a frio das ligas
de cobre
O trabalho a frio das ligas de
cobre é aquele realizado em temperaturas mais baixas, ou seja, desde a
temperatura ambiente até temperaturas inferiores à temperatura de
recristalização do metal. Em geral verifica-se que a quantidade de
deformação à frio que pode ser imposta ao material é limitada, uma vez que
com o acúmulo da deformação plástica (encruamento) o material torna-se cada
vez mais frágil, aproximando-se do ponto no qual ocorre a falha por fratura.
O metal pode ser restaurado para uma condição em que esteja adequado ao
trabalho a frio posterior somente se for feito um tratamento térmico de
recozimento, para a eliminação do encruamento através da recristalização.
Durante a deformação a frio os
grãos do metal tornam-se mais alongados e progressivamente mais distorcidos.
Quando o grau de deformação é elevado até mesmo a visualização em
microscópio é complicada por causa da pequena variação do efeito do ataque
metalográfico. Quando há contato entre a superfície da ferramenta e a
superfície do metal, esta torna-se lisa, porém quando não ocorre esse
contato, pode haver uma certa rugosidade na mesma, porque cada cristal
individual deforma-se de um modo diferente. O grau de rugosidade depende do
tamanho do grão e essa rugosidade afeta o acabamento superficial de peças
polidas para aplicações específicas.
Quando se analisa a
possibilidade de trabalhar a frio um determinado metal ou liga, deve-se
levar em conta os efeitos do trabalho a frio em sua dutilidade e resistência
mecânica, havendo uma correlação entre as variações de cada propriedade
mecânica. Em geral as propriedades diretamente relacionadas com a
resistência mecânica, como a dureza, a resistência à tração e a resistência
ao escoamento, aumentam com o aumento do grau de deformação a frio, ao passo
que diminuem as propriedades diretamente relacionadas com a utilidade, como
a redução em área e o alongamento.
As propriedades relacionadas com
a dutilidade são máximas e as que estão relacionadas com a resistência
mecânica são mínimas quando o material está totalmente recozido. As taxas de
encruamento, indicadas por curvas tensão x deformação e similares, são bons
indicativos das propriedades de embutimento profundo. Com poucas exceções a
taxa de encruamento varia proporcionalmente com o estado inicial de
recozimento de uma liga. As ligas que apresentam taxa de encruamento mais
elevadas são as ligas de maior resistência mecânica e mais refratárias como
o bronze de alumínio e o bronze de silício. Uma das exceções a esta regra
geral é o cuproníquel, que embora seja uma das ligas de cobre mais duras, no
caso do cuproníquel 70 % Cu – 30 % Ni encrua a uma taxa inferior á dos
latões amarelos.
Embora tenha havido muito
progresso tanto na laminação a quente como na laminação a frio de ligas de
cobre nas últimas décadas, permanecem alguns problemas de trincamento no que
se refere ao desbaste de certas ligas como latões com chumbo e bronzes
fosforosos, que ainda não pode ser feito a quente, devendo ser feito
obrigatoriamente a frio, uma vez que, para serem desbastadas a quente,
determinadas ligas devem apresentar teores mais baixos possíveis de
determinados elementos como o chumbo. Como a máxima redução possível de
espessura no desbaste de ligas de cobre limita-se a 50 ou no máximo 65 %,
recozimentos intermediários devem ser feitos para evitar o surgimento de
trincas.
Em geral o desbaste conclui-se
quando a placa original teve sua espessura reduzida para um valor em torno
de 10 mm, quando então começa a preocupação com o acabamento superficial da
chapa laminada, que só não existe para poucas aplicações, como, por exemplo,
o uso de chapas de cobre em telhados. A operação de desbaste exige que o
metal seja fresado na superfície em cerca de 0,25 a 0,50 mm da espessura,
garantindo a remoção dos óxidos formados durante a laminação a quente.
Laminadores de desbaste típicos trabalham com chapas de até 625 mm de
largura e velocidades de até 210 m/min. Valores típicos de diâmetro dos
rolos dos laminadores estão entre 11 e 60 mm.
Além da laminação propriamente
dita, outras operações complementares são realizadas no produto laminado a
frio, tais como o achatamento, o nivelamento, e o corte (não somente de
aparas descartadas, mas também para a produção de fitas a partir das chapas
finas). O corte é feito em tesouras de cisalhamento automatizadas, que devem
ter capacidade suficiente para garantir um corte reto e em ângulos retos. O
encruamento resultante da operação de corte é muito pequeno. Para reduzir a
distorção e efeitos de dobramento, alargamento e enrolamento, são utilizados
carretéis que bobinam e rebobinam as tiras, cuja espessura pode ser no
máximo 6 mm.
Além da laminação de produtos
planos, a laminação a frio de produtos não planos (barras, vergalhões e etc)
é igualmente importante, e é uma alternativa ao processo de trefilação no
caso de bitolas mais estreitas. Entretanto, em qualquer caso, a deformação a
quente (extrusão ou laminação a quente de não planos) antecede a deformação
a frio.
Algumas ligas de cobre, como os
bronzes fosforosos com teor de estanho superior a 4 %, bronzes fosforosos
com chumbo, as alpacas (com e sem chumbo) e as ligas Cu-Be, só podem ser
processadas a frio, desde o desbaste até o acabamento. Então a laminação
desses produtos não planos é muito usada como operação de desbaste a frio
destas ligas. Operações típicas de desbaste reduzem espessuras da ordem de
19 mm para cerca de 6 mm. A velocidade de saída do arame atinge um valor
máximo de 55 m/min numa bobinadora de 600 mm instalada na saída do laminador.
Podem ser obtidas reduções de espessura de até 80 % na maioria das ligas de
cobre, embora naquelas que contêm chumbo o valor máximo fique em torno de 70
%.
O método mais comum de
acabamento de vergalhões e arames de ligas de cobre é a operação de
trefilação. O material inicialmente extrudado, laminado a quente ou a frio,
é submetido a um ou mais passes de trefilação para acabamento, com
recozimentos intermediários. Após o acabamento as bobinas são retificadas e
cortadas no comprimento ideal. Na trefilação são usados lubrificantes como
sabão, sebo e gordura animal em geral. As fieiras (matrizes de trefilação)
podem ser feitas de aço trabalhado e endurecido ou de carbetos sinterizados,
no caso de processamento de ligas mais duras. O acabamento a frio é
fundamental para que se atinja as tolerâncias dimensionais exigidas para
determinadas peças.
Os equipamentos de trefilação em
geral possuem de 5 a 17 fieiras. As velocidades de saída dos arames atingem
de 450 a 2400 m/min, valores mais altos no caso de arames mais finos. A
trefilação inicial reduz a espessura de 6 para até 1,3 mm, envolvendo
reduções da ordem de 25 a 30 %. Em geral, para determinadas ligas reduz-se a
espessura em até 90 % antes do recozimento, embora em outras esta redução
limite-se a 25 %, dependendo das características de encruamento da liga. O
cobre comercialmente puro suporta maior grau de deformação, o latão um grau
menor, e o bronze um grau ainda menor.
O cobre e muitas de suas ligas,
como por exemplo os latões, são adequadas à operação de embutimento. O cobre
apresenta alta dutilidade, porém tenacidade relativamente baixa e uma taxa
de encruamento também baixa, o que pode ser nocivo em alguns casos. É um
metal que suporta elevados graus de deformação antes do recozimento, porém
requer um certo número de recozimentos no caso do embutimento profundo com o
objetivo de gerar peças com paredes muito finas. Para aplicações que exijam
embutimento muito profundo o cobre OFHC, por permitir maior redução em área
do que o ETP (eletrolítico), deve ser preferencialmente utilizado,
diminuindo a necessidade de um recozimento intermediário. A redução de área
deve ser minimizada no caso de cobre e latões com baixos teores de zinco (5
a 10 %), uma vez que o recozimento também deve ser controlado rigorosamente
para evitar crescimento excessivo de grão. No recozimento do cobre
eletrolítico deve ser evitado o uso de atmosferas que contenham hidrogênio,
que apresenta um considerável efeito fragilizante sobre este tipo de cobre
comercialmente puro.
Já no embutimento do latão
amarelo, com maiores teores de zinco e maior resistência mecânica, é
possível obter maiores reduções de área/espessura de parede antes de que
seja necessário fazer um recozimento, da ordem de 30 a 45 % de redução em
área entre cada recozimento, embora a razão de redução seja decrescente, do
tipo 3,5 – 3,5 – 3 – 2. É importante que a redução de diâmetro seja
acompanhada por uma considerável redução de espessura, uma vez que esta
última é fundamental para garantir a diminuição das tensões residuais, o que
é essencial para minimizar a ocorrência de corrosão sob tensão,
principalmente quando não é feito um recozimento final para alívio de
tensões.
As ligas mais duras, como os
bronzes fosforosos e de silício, também podem ser submetidas ao embutimento.
Entretanto, um bom controle de bitola nessas ligas requer que sejam
aplicadas menores reduções do que as aplicadas nos latões, assim como
cuidados para evitar a formação de óxidos abrasivos durante o recozimento.
A operação de formação de copos no embutimento deve ser feita num prensa de
dupla ação onde a ferramenta externa corta a chapa e aplica a pressão
necessária para segurá-la, ou numa prensa de ação única, na qual a pressão
necessária para segurar a chapa é fornecida por suportes de borracha. Copos
de maior bitola, como os de cartuchos de munição, são feitos em prensas de
ação única sem seguradores de chapa, e a pressão aplicada deve ser
suficiente para evitar o enrugamento, mas não tão forte para resistir ao
natural engrossamento do flange que ocorre durante a formação do copo, uma
vez que isso levaria diminuiria a espessura do fundo do copo, levando a uma
eventual fratura. Os raios da matriz e da ferramenta de punção não podem ser
muito pequenos (agudos) e as matrizes devem permanecer razoavelmente polidas.
Os raios da matriz devem ser aproximadamente 5 a 10 vezes superiores à
espessura da chapa. As ferramentas de puncionamento não devem ser polidas e
sim ásperas o suficiente para manter o controle do metal.
O segundo estiramento/embutimento
é feito em prensas de ação única, com reduções da ordem de 30 %. Estas podem
incluir grandes reduções de espessura de parede e pequenas reduções de
diâmetro ou vice-versa, começando a partir de chapas grossas ou finas
apropriadas. Geralmente o embutimento envolve uma combinação dessas duas
condições. No embutimento leve e nas operações e segundo embutimento os
melhores lubrificantes são os sabões com várias concentrações. No
embutimento profundo é necessário o uso de pastas de sabão contendo
partículas sólidas, como, por exemplo, talco. A facilidade de remoção é uma
característica importante para o uso desses lubrificantes [3].
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